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Governo do Uíge reajusta salário dos professores

Joaquim Júnior | Uíge

A actualização de categorias e o reajuste dos salários dos professores estiveram na base das conversas promovidas pelo governador do Uíge, Paulo Pombolo, na semana passada, com os professores e directores de escolas e com os administradores municipais e chefes das repartições locais da Educação.

A actualização de categorias e o reajuste dos salários dos professores estiveram na base das conversas promovidas pelo governador do Uíge, Paulo Pombolo, na semana passada, com os professores e directores de escolas e com os administradores municipais e chefes das repartições locais da Educação.
O governante recordou que existe um despacho presidencial que determina a actualização das categorias dos professores e o reajuste salarial daqueles que, não sendo de uma determinada categoria, auferem como tal. “Sabemos que muitos técnicos superiores ganham como técnicos médios, e outros, na qualidade de técnicos médios, ganham como técnicos superiores”, disse o governador provincial.
Paulo Pombolo referiu que tem recebido diariamente muitas reclamações de professores, através de cartas enviadas ao governo provincial, que pedem a resolução deste e doutros problemas que afectam o sector. Para dar resposta a esta questão, foi criada, a nível local, uma estrutura, a exemplo da Comissão Nacional, constituída ao abrigo do referido despacho.
“Esperamos que, nos próximos dias, deixe de ser uma preocupação para a província do Uíge. Chegou o momento de realizarmos a promoção de categorias, um trabalho que requer a colaboração de todos: professores, directores de escolas e direcção provincial da Educação”, disse Paulo Pombolo.
O governador reconheceu haver um conjunto de irregularidades que provocam embaraços no funcionamento normal do sector, referindo que muitas destas trapaças partem da própria instituição que superintende a Educação.
Entre os muitos casos está o do professor Caiamena Tomás, cuja categoria profissional foi actualizada em 2009, ano em que passou a receber o ordenado equivalente ao de um técnico médio, quando já frequentava aulas no Instituto Superior de Ciências da Educação local. Caiamena já concluiu o terceiro ano e aguarda apenas que a direcção provincial da Educação do Uíge reactualize a sua categoria.
António Esteves, outro professor do I ciclo, apresentou, em 2010, a documentação do terceiro ano de frequência universitária e esperou passar a ser professor do II ciclo. Mas, por incrível que pareça, continua a não receber um ordenado equivalente ao seu actual nível académico, disse à nossa reportagem.
A directora provincial da Educação, Ermelinda Samuel, recordou que o processo de actualização das categorias teve início em 2008 e que ainda não terminou, garantindo que desta vez o trabalho vai ser feito com mais cuidado e precisão.
A responsável referiu que a direcção da Educação na província vai facilitar a saída dos certificados e que as direcções das faculdades estão apostadas em resolver, com a maior brevidade possível, o assunto ligado aos diplomas necessários para provar que o indivíduo atingiu um determinado nível académico.
“Os professores com problemas de categoria devem preencher as fichas que são distribuídas nas direcções das respectivas escolas onde trabalham, para, de seguida, juntarem os seus certificados de habilitações, cópia do Bilhete de Identidade e o Termo de Início de Funções”, explicou Ermelinda Samuel.
A Direcção Provincial da Educação, acrescentou, tem actualmente sob a sua alçada 14.624 professores. Destes, segundo a directora Ermelinda Samuel, 12.024 já têm as suas categorias devidamente actualizadas. Apesar disso, muitos deles reclamam os retroactivos.
“Ainda não fizemos o controlo real, mas através de um processo de reorganização dos dados individuais, que já possuímos, vamos poder resolver o assunto”, garantiu. Falou ainda da criação de um banco de dados para que situações semelhantes não voltem a acontecer. Sobre a elevação dos níveis de conhecimentos dos educadores, disse que está em curso a criação de uma “bolsa de professores”, que vai exigir o incremento de um plano actual do sistema do Ministério da Educação, onde os formadores vão ao encontro dos professores nas escolas em que estes leccionam.
“Estão criadas as zonas de influência pedagógica, através das quais os professores sem formação pedagógica aproveitam para superar as suas dificuldades, sobretudo em relação às metodologias do ensino da Língua Portuguesa, Matemática e na vertente da avaliação contínua”, concluiu a directora provincial do Uíge da Educação.

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