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Grutas do Nzenzo encantam excursionistas

Valter Gomes | Ambuíla

Um grupo de jovens empreendedores da província do Uíge ficou encantado com a beleza natural das grutas do Nzenzo e das pedras do Bombo, durante uma excursão promovida pela Direcção Provincial da Hotelaria e Turismo, realizada no âmbito das festividades de mais um aniversário da fundação da cidade do Uíge, que decorreram de 1 a 7 deste mês.

Na gruta a água jorra a partir de um orifício localizado na sua parte superior um dos aspectos que mais encantou os turistas
Fotografia: Filipe Botelho

Na aldeia Bombo, regedoria de Ambuela, os excursionistas foram recebidos pelas autoridades tradicionais locais - regedor, soba e o seculo -, que de seguida orientaram a cerimónia tradicional necessária para melhor acomodação dos visitantes. Depois disso, os visitantes foram conduzidos até as grutas do Nzenzo, maravilha natural que fica a 500 metros do centro da aldeia.
O seculo da regedoria de Ambuela, João Nkau, fez as honras da casa. Ungiu todos os visitantes com óleo de palma e cinza e deu a cada visitante um pouco de cola (macazo), sal e maruvo.
A autoridade tradicional tirou o chapéu da cabeça para servir de balaio e colocou à entrada da gruta. Cada um dos excursionistas depositava um valor módico para entrar, enquanto João Nkau pedia à sereia para abrir as portas e proteger os visitantes.
O local só pode ser visitado com a permissão das autoridades tradicionais, mas, antes do seculo terminar o ritual, muitos jovens, entusiasmados, desobedeceram as regras e correram para o interior da gruta, onde a água jorra a partir de um orifício localizado na sua parte superior (tecto). “Esta pedra foi descoberta desde os tempos remotos pelos antepassados. O primeiro habitante que chegou às grutas era chamado Mpungui-a-Mpasi. A pedra é misteriosa porque ninguém sabe de onde vem a água que cai no interior dela”, disse, acrescentando que nas proximidades da gruta não existe qualquer rio ou lagoa, por isso é que os rituais que fazemos devem ser de cumprimento obrigatório.
Entre os excursionistas, os mais emocionados não resistiram à tentação e tomaram banho no "chuveiro natural". Alguns limitaram-se a encher pequenos recipientes com a água, para levá-la para casa, mas a maioria dos visitantes apenas apreciava a beleza natural do local, tirava fotografias e cantava na língua nacional quicongo: tadi dyeto dia nzenzo kwa nzambi dia tuka”, que traduzido em português significa “a nossa gruta maravilhosa do nzenzo veio de Deus”.
No final da excursão, as autoridades tradicionais e os efectivos da Polícia Nacional tiveram que desempenhar uma árdua tarefa para sensibilizar os jovens a abandonar o local. Uma das principais regras a ser cumprida nas grutas do nzenzo é que o último a deixar o local deve ser uma autoridade tradicional, que terá a missão de agradecer à sereia.

Encantos naturais

O director provincial da Hotelaria e Turismo, Abraão Laurindo da Silva, disse que o objectivo principal da excursão foi o de mostrar os encantos das grutas aos jovens da província, sobretudo aos empreendedores, no sentido destes desenvolverem projectos virados para o sector, naquela localidade.
“Queremos que todos os locais turísticos que a província do Uíge tem sejam aproveitados pelos empresários, empreendedores e outros investidores.
O objectivo é darmos maior ênfase ao sector turístico e, deste modo, contribuirmos da melhor maneira possível para o desenvolvimento da província”, disse.
O director nacional para o desenvolvimento turístico, Januário Marra, que também visitou o local, considerou as grutas do Nzenzo como uma das imponentes riquezas que a província do Uíge tem para o crescimento acelerado do turismo na região.
“Essas grutas hoje já não pertencem só ao município do Ambuíla ou à província do Uíge, fazem parte do país e do mundo. Por isso elas devem ser devidamente defendidas do ponto de vista patrimonial e cultural”, disse Januário Marra.
Da sede do município de Ambuíla até às grutas do Nzenzo a viagem é feita com muitas dificuldades. Há muitos buracos na via e o soba Nzay Miguel lamenta o nível de dificuldades que a população do Bombo enfrenta.
“Necessitamos de um posto de saúde, escolas, estabelecimentos comerciais e, principalmente, da reabilitação da estrada que liga a sede municipal do Ambuíla à localidade, num percurso de cerca de 17 quilómetros”, disse.
O soba do Bombo, Nzay Miguel, informou que a população produz uma grande diversidade de produtos agrícolas, mas, por falta de transportes e devido às péssimas condições da via, muitos alimentos acabam por apodrecer no campo.“Sabemos que o nosso Governo vai transformar as grutas num local turístico, mas é necessário que a aldeia Bombo, aqui na regedoria de Ambuíla, beneficie de muitos serviços, porque a população sofre e falta quase de tudo”, afirmou o soba, acrescentando de seguida que a população da localidade estará sempre de braços abertos a todos os que pretenderem visitar o local.
A localidade do Bombo é habitada por um total de 260 pessoas, maioritariamente camponeses e caçadores.
 A mandioca, jinguba, feijão, milho, batata-doce e rena, hortícolas e outros alimentos são cultivados na localidade.

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