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Hospital da Damba realiza campanha contra fístula

Nicodemos Paulo| Damba

O Hospital Municipal da Damba, na província do Uíge, está a realizar a quarta edição da campanha contra a fístula obstétrica, com vista a tratar um maior número de mulheres vítimas da doença e sensibilizar outras para as causas, manifestações e consequências da enfermidade.

O director do Hospital Paulo Perimbeli alertou para o perigo dos partos realizados em domicílios que muitas das vezes constituem outro factor de risco
Fotografia: Mavitidi Mulaza| Uíge

No âmbito desta campanha, promovida pela direcção provincial da Saúde, vai ser realizada uma formação de capacitação em matéria de fístulas obstétricas, durante 30 dias, na qual participa um grupo de médicos provenientes de Luanda, Cunene e Bié.
O director-geral do Hospital Municipal da Damba, Paulo Perimbelli, disse que estão criadas as condições materiais para que a campanha decorra sem sobressaltos e para que mais mulheres possam receber o devido tratamento.
Na província do Uíge, o projecto de sensibilização e combate à fístula obstétrica começou em 2009 e, desde essa data, mais de 430 mulheres já foram operadas, referiu Paulo Perimbelli. “A doença pode ser erradicada se as famílias e, particularmente, as mulheres estiverem melhor informadas sobre as causas da doença e surgirem a nível do país mais unidades hospitalares a tratar a doença.”
Infelizmente, hoje, prosseguiu Paulo Perimbelli, as meninas engravidam ainda na adolescência, numa altura em que o seu organismo ainda não está preparado para isso, o que representa um factor de risco muito grave” e a falta de assistência médica no momento do parto pode provocar a morte ou a evolução da fístula.Por isso, o director-geral da unidade clínica alertou as parteiras tradicionais para que estejam cada vez mais bem preparadas, com vista a realizar os partos caseiros. O responsável disse que muitos partos ainda são realizados em domicílios, o que constitui um outro factor de risco, uma vez que aumenta as possibilidades da parturiente desenvolver patologias ou contaminar o recém-nascido.
Dai importância da realização de campanhas de sensibilização nas comunidades sobre as doenças neonatais e de vacinação pré-natal para diminuir os riscos da doença no seio das comunidades, alertou Paulo Perimbelli. “Nós, no município da Damba, quase já não temos casos novos de fístulas obstétricas”, assegurou. A fístula é uma patologia causada pela conexão entre um órgão ou um vaso sanguíneo com outra estrutura que normalmente não estão conectados. Também pode ocorrer por furos entre paredes do intestino. Geralmente são resultado de lesão, doença ou cirurgia e causa sério transtorno.

Origem das pacientes

Paulo Perimbelli avançou que a maior parte das pacientes que acorre ao hospital vem de outras províncias do país. “Esperamos que sejam feitos maiores investimentos nas maternidades e a nível dos recursos humanos do país”, apelou o médico.
Neste momento, o Hospital Municipal da Damba funciona com quatro médicos especializados em cirurgia e pediatria. Dos 116 enfermeiros em serviço naquela unidade hospitalar, apenas 66 são efectivos e os restantes contratados.
A Damba tem 103 parteiras tradicionais, que actuam nas comunidades e que participam regularmente nas diversas acções de treino e aprimoramento das técnicas de realização de partos promovidas pela Direcção Provincial da Saúde.
Existem no município 24 postos de saúde, um hospital municipal e um centro materno-infantil em funcionamento.
Para melhorar a assistência médica e medicamentosa nas comunidades estão em construção mais dois postos de saúde nas localidades de Mafuangui e Quicumba Lêmbua. Com uma população estimada em 183 mil habitantes, o município da Damba localiza-se a 191 quilómetros a norte da sede provincial e tem quatro comunas e 270 aldeias.

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