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Inaugurado mercado para o café

António Capitão| Songo


Foi inaugurado no último fim-de-semana, na aldeia Kinioma, no município do Songo, um mercado rural destinado à comercialização de café mabuba na região, factor que deixou os cafeicultores do Uíge satisfeitos, uma vez que a feira permite vender os produtos armazenados.

Produtores estão melhor servidos
Fotografia: Santos Pedro

Foi inaugurado no último fim-de-semana, na aldeia Kinioma, no município do Songo, um mercado rural destinado à comercialização de café mabuba na região, factor que deixou os cafeicultores do Uíge satisfeitos, uma vez que a feira permite vender os produtos armazenados.
 João Ferreira Neto, director do Instituto Nacional do Café, assistiu ao acto de inauguração da praça e disse que a sua criação visa aproximar os produtores dos compradores e criar um ponto de referência que facilite as transacções comerciais do café.
"Este mercado é uma espécie de bolsa que visa aproximar os cafeicultores da província aos potenciais compradores, dinamizar o mercado de café e facilitar o escoamento do produto para os centros comerciais", disse João Ferreira Neto.
O director do Instituto Nacional do Café anunciou que a perspectiva é comercializar mais de sete mil toneladas de café mabuba este ano, devido ao aumento registado na produção e os excedentes da campanha agrícola do ano passado.
"Com base na colheita efectuada em todos municípios da província, os indicadores revelam que 7.500 toneladas de café mabuba se encontram na posse dos fazendeiros para serem vendidos", afirmou.
João Ferreira Neto diz que os números podem ultrapassar as previsões, tendo em conta a existência de centenas de toneladas de café que não foram comercializadas nos anos passados.
"Os municípios do Uíge, Songo, Negage e Sanza Pombo tiveram uma colheita superior a 2.500 toneladas e se somarmos o café que se encontrava armazenado nos anos anteriores, achamos que as vendas este ano sejam mais elevadas do que prevemos", referiu.
De acordo com director do Instituto Nacional do Café, o quilo de café mabuba vai ser comercializado ao preço de 40 kwanzas, contra os 30 kwanzas praticados no ano passado.
João Ferreira Neto revelou que o aumento do preço visa incentivar os cafeicultores locais a produzirem mais e valorizar o produto que já foi considerado a principal riqueza da província.
O administrador municipal do Songo, Costa Manuel, disse que no primeiro dia da abertura do mercado os cafeicultores do seu município levaram 300 toneladas de café à feira. Mas existem milhares de toneladas de café nas aldeias que estão a ser preparadas para serem colocadas na "praça do café".
"Existe ainda uma grande quantidade de café nas fazendas que, nos próximos dias, os nossos cafeicultores vão fazer chegar ao mercado rural", sublinhou. Costa Manuel valorizou a criação do mercado, que já se encontra na sua segunda edição, e encorajou os cafeicultores locais a reforçarem a produção com vista à revitalização do sector na província.
 
Apoios oficiais

 
O director-geral do Instituto Nacional do Café, João Ferreira Neto, disse que a sua instituição tem levado a cabo várias acções que visam incentivar a produção e comercialização do café na província e no país.
O instituto põe à disposição dos cafeicultores meios de transporte para depois das colheitas transportar o produto até aos locais de armazenamento. Fornece igualmente meios de trabalho como catanas, enxadas, limas e outros utensílios para a limpeza das fazendas.
João Ferreira Neto disse que, além de fornecer também sacos para facilitar o transporte e armazenagem do café, o Instituto Nacional do Café está a criar mercados que facilitam o intercâmbio entre cafeicultores e compradores.
"Achamos que a melhor forma de incentivarmos a produção e comercialização do café é a criação de mercados rurais, porque eles permitem juntar compradores e vendedores, facilitando assim a comercialização e escoamento do produto", disse.
 
Desejos dos fazendeiros
 
Os cafeicultores locais estão satisfeitos com a abertura da praça, porque cria oportunidades de negócios e permite aos fazendeiros o escoamento da sua produção em maiores quantidades e de forma organizada.
Os produtores de café solicitaram igualmente uma maior intervenção do Governo Provincial no sentido de apoiar e incentivar a produção e comercialização do café.
"Solicitamos ao Governo Provincial que adopte políticas que facilitem o crédito junto das instituições bancárias e apoios dos organismos do Estado para elevarmos os níveis de produção e comercialização do café na província", disse João Gonçalves, representante da Associação dos Produtores e Comercializadores de Café no Uíge.
João Gonçalves disse que os produtores da região querem colocar a província na liderança da produção do café no país, posição que ocupava até ao início da década de 1990.
O fazendeiro Campos Manuel, da aldeia Kiniambi, no município do Songo, levou ao mercado três toneladas de café. Revelou que está satisfeito com a criação do entreposto comercial local, onde conseguiu vender toda a sua mercadoria.
"Tenho muito café armazenado na fazenda porque não havia um local onde eu pudesse ir vendê-lo. Felizmente, hoje trouxe para o mercado trinta sacos e apareceu a empresa Soicafé e comprou tudo", disse sorridente.
 
O negócio da banana
 
A aldeia Kinioma, além de ser o mercado oficial para a comercialização do café no município do Songo, também é uma região produtora de banana.
Todas as manhãs chegam vários compradores vindos da cidade do Uíge e das províncias de Luanda e Malange em busca da "banana pão" e "banana de mesa", produtos que proporcionam um negócio lucrativo.
O agricultor João Gonçalves revelou que diariamente vende mais de dez cachos de banana pão e os preços variam entre 500 e 1.500 kwanzas por cacho.
O dinheiro arrecadado, disse João Gonçalves, é utilizado na compra de sementes, instrumentos de trabalho e pagamento da mão-de-obra. Outra parte é para satisfazer as suas necessidades e da família.
Fuka Celestina, 38 anos e mãe de sete filhos, está no negócio da banana há muitos anos e com o que ganha sustenta a família. Conta que entrou no negócio da banana quando vivia no município de Maquela do Zombo. Hoje, a viver na cidade do Uíge, Fuka Celestina continua com o negócio e os lucros chegam para fazer face às despesas da casa.
Mamã Celé, como é tratada pelos colegas de negócio, revela que com a venda de banana já construiu duas casas, sendo uma na sua terra natal, em Maquela do Zombo, e outra na cidade do Uíge.
Com o negócio, diz satisfeita, sustenta a família, assegura a formação dos sete filhos e ainda ajuda os parentes. Afirma que o negócio é rentável e que revende a banana no Mercado dos Kwanzas, em Luanda.
"É um negócio com o qual sustento a minha vida e a dos meus filhos. Construí casas, estou a formar os meus filhos e, até hoje, continua a ser o meu ganha-pão. Compro um cacho a 700 kwanzas e revendo por 1200", revelou.  

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