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Interdito o trânsito sobre o rio Lucunga

José Bule | Uíge

A falta de uma ponte metálica ou de betão sobre o Rio Lucunga, na estrada que liga a aldeia Quima Cuna à comuna do Quinvuenga, no município do Songo, província do Uíge, está a impedir a circulação de viaturas.

A necessidade da população se deslocar obrigou a construção de uma ponte alternativa
Fotografia: Mavitidi Mulaza|Uíge

As pessoas saem de um lado para o outro a pé, através de uma ponte artesanal feita de tábuas, troncos de árvores, cordas, ferros e outros materiais obsoletos, que tornam perigosa a travessia.
O seculo de Quima Cuna, Mateus Domingos, disse que a população local aguarda ansiosa pela reposição da ponte destruída durante o conflito armado, e explicou que as trocas comerciais com as populações dos bairros Tuco, Denga e Cavunga deixaram de poder ser feitas.
A ponte está a fazer muita falta, garante o seculo, recordando que quando ela estava boa havia uma grande movimentação de pessoas que saíam dos bairros Tuco, Denga, Cavunga e até mesmo da comuna do Quinvuenga para comercializarem os seus produtos no Quima Cuna. A necessidade da população se deslocar para as outras localidades era tanta, que se viu obrigada a construir uma ponte com material local, mas cuja travessia só pode ser feita a pé e é perigosa.
“Mobilizámos a população e conseguimos fazer essa ponte, que não oferece segurança às pessoas que a atravessam. Durante cerca de um mês e meio tivemos muito trabalho para a construir com tábuas, troncos de árvores e cordas, e foram muitos os voluntários que perderam os dedos das mãos, enquanto outros partiram as pernas enquanto decorriam os trabalhos”, disse.
O governador provincial visitou o local e disse que estão a ser feitos os possíveis para que, rapidamente, seja reposta a ponte sobre o Rio Lucunga. Paulo Pombolo garantiu que a estrutura metálica já se encontra na província para ser posta no local, mas antes da sua aplicação deve ser feito um rigoroso estudo para a construção das bases de betão que vão suportar a ponte. Quima Cuna fica a cerca de sete quilómetros da sede municipal do Songo e tem um posto médico apetrechado com equipamentos modernos, que funciona com apenas um enfermeiro. A escola, de três salas, alberga 130 alunos do ensino primário.
Na localidade não há energia nem água potável, mas as autoridades tradicionais locais acreditam que a situação deve ficar resolvida ainda neste ano.
A população é maioritariamente camponesa. O feijão, jinguba e batata-doce, mandioca e banana são os produtos mais cultivados. Por falta de meios de trabalho, os agricultores locais enfrentam muitas dificuldades para aumentar a produção agrícola e, por isso, pediram apoio ao Governo Provincial.

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