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Internato continua de portas fechadas

José Bule| Uíge

Mais de 50 estudantes deixaram, no ano passado, o Instituto Médio Agrário do Negage, principalmente por as portas do internato continuarem fechadas para os provenientes de outros zonas.

Professores nacionais e estrageiros garantem o normal funcionamento do estabelecimento
Fotografia: Eduardo Neto /Uíge

Mais de 50 estudantes deixaram, no ano passado, o Instituto Médio Agrário do Negage, principalmente por as portas do internato continuarem fechadas para os provenientes de outros zonas, disse, ao Jornal de Angola, o subdirector pedagógico do estabelecimento.
Alves Fernando, que garantiu que o internato está devidamente apetrechado e tem a capacidade para 264 estudantes, lamentou a falta de dinheiro que, referiu, tem condicionado o normal funcionamento do refeitório e a lavandaria da escola.
O internato tem 66 quartos, com espaço para quatro camas, disse, frisando que a direcção aguarda orientação superior para os estudantes poderem instalar-se. 
Alves Fernando também se queixou da falta de transportes para a recolha de estudantes e de professores, tendo em conta a distância entre a cidade e o estabelecimento.  O subdirector pedagógico lamentou, igualmente, a insuficiência de casas para os docentes. As16 casas que há encontram-se ocupadas por professores estrangeiros, situação que, salientou, cria problemas aos professores angolanos, pois muitos deles vivem na cidade do Uíge.
O Instituto dispõe de 54 professores – 40 angolanos e 14 estrangeiros – que leccionam as disciplinas de produção vegetal, produção animal, gestão agrícola e recursos florestais.  Neste ano lectivo estão matriculados 410 alunos, 73 dos quais frequentam o último ano, sendo os primeiros finalistas.
 
Aulas práticas

O instituto tem laboratórios de química, informática, biologia, zootecnia e quatro oficinas, uma de electricidade, outra de construção civil e duas de mecanização agrícola. Alves Fernando afirmou que a oficina agrícola tem falta de alguns equipamentos, como tractores e alfaias agrícolas, o que obriga a direcção do Instituto a “gastar muito dinheiro no aluguer de alguns meios”.
Só para ter uma ideia, disse, o aluguer de um tractor, pode custar 25 mil kwanzas por hectare.
 O docente Eduardo Congo, engenheiro agrónomo e coordenador do projecto experimental de produção vegetal do Instituto, afirmou que está em curso um projecto para a criação de uma área de estudos, com cerca de 2,5 hectares, para os alunos do curso de produção vegetal.
O objectivo, salientou, é garantir que os alunos aperfeiçoem as técnicas e se sintam realizados do ponto de vista prático e profissional, facilitando-lhes o enquadramento no mercado do trabalho.
 “Os estudantes estão a produzir batata rena, cenoura, pimento e mandioca, mas também temos gado bovino para os futuros técnicos médios de produção animal cuidarem dele durante o período de formação”,  concluiu.

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