Províncias

Jardim botânico estimula biodiversidade no Uíge

José Bule | Uíge

A província do Uíge vai contar, nos próximos tempos, com um jardim botânico, na zona de Condo Bonzo, permitindo à região produzir plantas medicinais, anunciou ontem o vice-reitor para a área científica da Universidade Kimpa Vita, Heitor Manuel Timóteo.

Especialistas nacionais e estrangeiros apresentaram um projecto de investigação sobre insectos produtores de larvas comestíveis
Fotografia: Jornal de Angola |

A criação do jardim botânico faz parte de uma série de programas a serem levados a efeito pelas autoridades, no âmbito de um acordo, assinado há três anos, entre as universidades Kimpa Vita e Técnica de Dresden, na Alemanha, com vista à produção de plantas medicinais muito utilizadas pela população do Uíge.
No âmbito dos acordos, as duas instituições académicas realizaram, desde o ano passado, trabalhos de investigação científica sobre a biodiversidade, botânica, etnobotânica e entomologia na região.
Heitor Timóteo disse que os dados da investigação científica, no domínio da botânica, dão conta de que, em 2011, foram conhecidas 159 espécies, e descobertas, em 2012, 138 outras, das quais 55 são consideradas novas no país.
O académico explicou que na parte da entomografia se encontrou uma nova libélula, baptizada com o nome de Kimpa Vita, e que só existe em Angola.
Os especialistas das duas instituições apresentaram ainda o projecto de investigação de insectos produtores de larvas comestíveis e os resultados dos estudos das libélulas colectadas na sétima região académica, que compreende as províncias do Uíge e Kwanza-Norte, assim como o plano director da cidade universitária.
Os trabalhos de investigação foram realizados no campo universitário, que abarca cerca de quatro hectares, na zona do Condo Benze, local escolhido para a criação do Jardim Botânico da Universidade Kimpa Vita, por um grupo de 30 investigadores de diferentes áreas, entre os quais docentes das Universidades Técnica de Dresden e Kimpa Vita e alguns especialistas do Museu Zenquemberg da Alemanha.

Aposta na investigação

O vice-reitor para a área científica da Universidade Kimpa Vita disse que a instituição aposta na investigação científica para obter bases sólidas que possam sustentar a sua viabilidade. Álvaro Bruno, coordenador da cooperação académica e científica da Universidade Kimpa Vita com a Universidade Alemã de Dresden, esclareceu que o objectivo da investigação é conhecer a biodiversidade, em termos de plantas medicinais, a nível da sétima região académica.
 Álvaro Bruno, também responsável pelo plano director da Cidade Universitária do Uíge, disse que entre os objectivos centrais está a criação de mecanismos, através da criação do Jardim Botânico, para a preservação e conservação das espécies.Álvaro Bruno disse que o projecto vai trazer um grande impacto no campo da investigação no sentido de mostrar à comunidade os métodos mais eficazes para aumentar a produção, sem provocar danos ao meio.Um outro impacto, explicou o coordenador da cooperação académica e científica da Universidade Kimpa Vita com a Universidade Alemã de Dresden, vai ser a criação de novos postos de trabalho no Jardim Botânico.

Importância da investigação

A directora nacional para a Formação Avançada e Investigação Científica do Ministério do Ensino Superior, Massuquinini Inês, disse que a actividade levada a efeito pelas duas universidades vai contribuir para que mais pessoas se aperfeiçoem no capítulo da investigação científica, uma vez que o país precisa de mais resultados e inovações.Massuquinini Inês defendeu a necessidade da cooperação entre o mundo académico e o tecido empresarial, de modo a explorar cada vez mais o valor comercial das investigações científicas.

Reforço da cooperação

Os participantes no encontro sobre os resultados dos trabalhos de investigação científica das Universidades Técnica de Dresden e Kimpa Vita recomendaram a necessidade do reforço dos mecanismos de cooperação entre as duas instituições do ensino superior, com vista à melhoria das condições de investigação.Recomendaram ainda o fomento da investigação científica a fim de se explorar a biodiversidade da sétima região académica, assim como a formação dos estudantes que vão gerir o Jardim Botânico do Uíge.
A criação de condições para que mais angolanos sejam inseridos no projecto, com vista à sua sustentabilidade, foi outra das recomendações saídas do encontro, em que foram temas “O balanço dos trabalhos de biodiversidade, botânica, etnobotânica, entomologia na Sétima Região Académica”, "Tese de mestrado sobre o planeamento paisagístico do Jardim Botânico do Uíge”, e “O estudo pedagógico do Campus Universitário do Uíge”.

Tempo

Multimédia