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Jovens aconselhados a apostarem na agropecuária

António Capitão | Uíge

O coordenador provincial do Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas (INAPEM) e da Unidade Técnica de Investimento Privado (UTIP) no Uíge, Joaquim Gimbi, exortou os jovens empreendedores a direccionarem os seus investimentos para os sectores agro-pecuário e semi-industrial.

Palestra organizada pela coordenação do Fórum Angolano dos Jovens Empreendedores analisou as vantagens do programa
Fotografia: Filipe Botelho | Edições Novembro - Uíge

Joaquim Gimbi falava numa palestra organizada pela coordenação local do Fórum Angolano dos Jovens Empreendedores (FAJE), que analisou as vantagens do empreendedorismo e a sua incidência na diversificação da economia.
O orador destacou os programas “Angola Investe” e “Pro-Jovem” como oportunidades que os empreendedores e aspirantes ao exercício da actividade económica têm para concretizar ideias, criando riqueza e emprego, no âmbito da diversificação da economia.
“Empreender é saber o que fazer, como fazer e com o que fazer. São habilidades que cada um tem para colocar bens e serviços numa dada localidade, através de projectos concretos, quando se conhece o poder económico dos potenciais consumidores, e efectuar o estudo do mercado”, disse. O empreendedorismo, acrescentou, pode resultar de pessoas com valências técnico-profissionais, que concretizam as suas ambições com o apoio do Estado e de consultores.
O gestor explicou que o processo passa pela legalização da sociedade, da elaboração de um plano de negócio ou estudo de viabilidade económica, que deve ser apresentado a uma entidade financiadora. Joaquim Gimbi reconheceu que muitos projectos não têm recebido pareceres favoráveis das instituições bancárias, devido a falhas na elaboração e falta de garantias de exequibilidade.
“Recebemos no INAPEM várias reclamações sobre a disfuncionalidade dos programas ‘Angola Investe’ e ‘Pro-Jovem’, porque muitos empresários e empreendedores nacionais não apresentam garantias fiáveis, apesar dos seus projectos viáveis. Outros alegam que os mesmos têm orientação política, o que não corresponde à verdade, tendo em conta que foram criados para garantir o desenvolvimento económico do país. Daí a necessidade de uma maior organização interna das empresas”, referiu. Joaquim Gimbi sublinhou que o atraso na diversificação económica deve-se ao modelo  de desenvolvimento anterior, assente nos recursos minerais, que financiavam as obras públicas, como estradas, pontes, escolas, hospitais e edifícios residenciais, descurando os investimentos nas áreas agrícolas e industriais.
Ainda assim, “o Executivo foi capaz de direccionar parte dos recursos financeiros obtidos da parceria China-Angola para os projectos agrícolas implementados nas fazendas Aldeia Nova, no Waco Kungu, província do Cuanza Sul, Cacanda, na Lunda Norte, e Agricultiva, no município do Negage, província do Uíge”, acrescentou.
Joaquim Gimbi disse que o sucesso da diversificação económica passa ainda pela adopção de modelos e métodos apropriados, e o desenvolvimento das habilidades académicas e profissionais dos angolanos em diversas áreas que facilitam a obtenção de recursos financeiros extra petrolíferos, como a agricultura, pecuária e indústria.
“É fundamental que se aposte no capital humano para que, findas as parcerias com as organizações estrangeiras, os angolanos sejam capazes de continuar a gerir os referidos projectos e assegurarem a sua manutenção, em termos de viabilidade e equipamentos”, enfatizou.

Visão global


O delegado provincial das Finanças, Fernando Laurindo, que procedeu à abertura do encontro de esclarecimento, aconselhou os empresários e empreendedores a terem uma visão mais globalizada sobre a captação de recursos ou criação de parcerias para o investimento na região.
Fernando Laurindo referiu que é necessário que os empreendedores estejam aptos a desfrutar das oportunidades que o Executivo oferece. “O Mundo ‘encolheu’ na distância e ‘alargou’ nas oportunidades”, sublinhou, daí a necessidade de adopção de práticas inovadoras baseadas no conhecimento, novas tecnologias e associativismo.
O coordenador provincial do FAJE, António Vézua, revelou que a associação encontra-se representada em todos os municípios do Uíge e integra mais de 400 empreendedores, que exercem actividades lucrativas ligadas ao comércio, serviços, pequena indústria, agricultura, pecuária, piscicultura e exploração de inertes.
“O FAJE controla empreendedores e aspirantes a esta actividade que há alguns anos viveram bons momentos, tendo em conta os apoios vindos do governo local, que permitiu a criação de negócios que geraram riqueza e emprego e que permitiram erguer várias infra-estruturas”, disse. António Vézua defendeu a necessidade de os empreendedores serem mais criativos, para ultrapassarem as dificuldades e porem em prática as suas ideias.

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