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Jovens acorrem em massa aos centros de formação

António Capitão |Uíge

O programa de formação técnico-profissional na província do Uíje está a ajudar a dar um sentido à vida e ao futuro de milhares de jovens.

Centros de formação profissional viram-se obrigados a exceder a capacidade normal de admissão
Fotografia: Filipe Botelho

O programa de formação técnico-profissional na província do Uíje está a ajudar a dar um sentido à vida e ao futuro de milhares de jovens. Estes agradecem ao Governo, sobretudo porque depois da formação têm praticamente o emprego garantido
Já são mais de dois mil o número de jovens que, no Uíge, beneficiram do programa de formação técnico-profissional. É deles o relato sobre a utilidade da formação que obtiveram.
Hermenegildo Sebastião Alfredo, 20 anos, foi formado em carpintaria no centro de formação profissional do Caquiuia. O jovem valoriza a formação adquirida. 
“Esta formação tem uma grande importância para mim, porque me vai possibilitar trabalhar para conseguir dinheiro e sustentar a minha família e os meus estudos”, argumentou.
Hermenegildo Alfredo disse que, assim que concluir a formação, vai abrir uma oficina de carpintaria para transmitir os seus conhecimentos a outros jovens, para além, claro, de fazer da profissão o seu ganha-pão.
Angelina Stela Keta, 33 anos, é outra jovem que deposita grandes esperanças na formação profissional. Mãe recente, ela concluiu o curso de culinária numa das salas móveis instaladas num camião pelo INEFOP (Instituto Nacional de Formação Profissional).
A jovem afirma que ter uma formação técnica profissional “é prosperar e garantir um emprego no futuro”, que lhe vai possibilitar participar na reconstrução e desenvolvimento de Angola.
“A rede hoteleira começa a dar passos visíveis. Certamente os profissionais desta área terão mais oportunidade de emprego. Por isso acredito que as portas para um futuro melhor estão abertas”, disse.
Alexandre Betuel Nicolau, chefe dos serviços provinciais do   INEFOP, sublinhou que desde 1995, altura em que foi reaberto o processo de formação profissional na província, foram já formados, em diversas especialidades, mais de 3.000 jovens.  Um número considerável deles conseguiu um posto de trabalho.
“De 1995 até aos dias de hoje, já demos formação profissional a mais de dois mil jovens”, disse o responsável, reforçando que “temos informação de que a maior parte deles está empregada nos vários pontos do país, sobretudo em Luanda, onde a oferta de emprego é maior. Eles trabalham quer em regime de auto emprego como por conta de outrem”.
Na última semana do ano passado mais de 600 jovens matriculados nos cursos de carpintaria, serralharia de construção civil, alvenaria, electricidade, culinária, informática, corte e costura e mecânica nos pavilhões de artes e ofício do Uíje, Songo, Sanza Pombo e Negage terminaram o primeiro ciclo de formação com bom aproveitamento.
 
Priorizados nos
centros  de emprego
 
O centro de emprego é uma instituição dependente da direcção provincial do Ministério da Administração Pública, Emprego e Segurança Social (MAPESS). Esta instituição, de acordo com Alexandre Betuel Nicolau, tem servido de “mola impulsionadora” para o primeiro emprego aos jovens formados pelo INEFOP. É no centro de emprego onde várias empresas estatais e privadas solicitam mão-de-obra qualificada.
Segundo informações daquele responsável, depois de concluído um ciclo formativo, os processos dos formandos são encaminhados ao centro de emprego, onde são priorizados para efeitos de emprego.
“O centro de emprego recebe sempre ofertas de postos de trabalho de várias empresas, principalmente de construção civil. Os nossos formados estão na primeira linha de prioridades”, disse.

Centros móveis
 
O MAPESS, segundo Betuel Nicolau, tinha como meta, em 2009, através do INEFOP, a construção de pavilhões de artes e ofícios em todos os municípios da província, com vista a tornar a formação técnica e profissional mais abrangente na região.
Betuel Nicolau aponta a crise financeira e económica mundial como factor responsável pelo não alacance da meta, “uma vez que o governo angolano decidiu reduzir os gastos com as despesas públicas”.
“Era intenção do Governo implantar um pavilhão em cada município. Mas estamos convencidos que, uma vez ultrapassada a crise, este projecto vai ser retomado e a formação profissional vai chegar até lá aonde não existe”, relatou.
Enqunato as condições ideais não são criadas, o INEFOP adoptou o uso de centros móveis de formação, montados em camiões todo-o-terreno, que num período de seis meses se instalam num dado município. A excepção são o Songo, Uíje, Negage e Sanza Pombo, que possuem pavilhões de artes e ofícios.
“Temos dois centros móveis. Um equipado para aulas de carpintaria, serralharia de construção civil, alvenaria e electricidade e o outro para aulas de culinária”. 

Adesão massiva
 
A adesão massiva dos jovens tem deixado os pavilhões de artes e ofícios abarrotados. Betuel Nicolau esclarece que o facto está relacionado com a tomada de consciência, por parte da juventude, da importância da formação profissional.
“No ano passado concluíram a formação mais de mil jovens, número superior ao dos anos anteriores, uma vez que uma boa parte da juventude já começa a tomar consciência da importância de ter uma profissão, tendo em conta as exigências do quotidiano”, referiu.
No pavilhão de artes e ofícios do município do Uíge, situado no bairro Quigima, segundo informações do seu coordenador, Bozardo Bongo, a capacidade instalada é de 180 formandos em cada ciclo formativo, mas, devido à grande adesão registada, foram forçados a inscrever 200.
“A juventude tem aderido em massa aos nossos cursos. Devido ao grande ajuntamento de jovens à nossa porta, e por sentimento humanitário, fomos obrigados a inscrever mais 20 jovens do que o número regulamentado”, disse.

Micro Crédito Amigo
 
Para além da tradicional entrega aos finalistas de kits de trabalho, o responsável do INEFOP na província referiu que outros incentivos e apoios são prestados aos jovens que terminam a sua formação naquela instituição pública de formação profissional.
Betuel Nicolau revelou que, no ano passado, foi implementado nos municípios do Uíje e Negage o programa “Micro Crédito Amigo” pelo Banco de Comércio e Industria (BCI), em parceria com o MAPESS. Este programa visa financiar iniciativas juvenis em diversos sectores, onde os jovens formados pelo INEFOP também são contemplados.
De acordo com Nicolau Betuel, pelo menos 40 jovens formados nos pavilhões de artes e ofícios do Uíje e Negage já beneficiaram deste programa. A cada jovem é dado o equivalente em kwanzas a 500 dólares para investirem em projectos de sua iniciativa. 
“O Micro Crédito Amigo aos formandos do INEFOP não se vai limitar aos municípios do Uíje e Negage. Estamos à espera de uma nova solicitação de beneficiários pelo BCI para podermos também priorizar os outros municípios”, disse.
Este ano está prevista a introdução de novos cursos técnico-profissionais nos pavilhões de artes e ofícios da província. Segundo Alexandre Betuel Nicolau serão inseridos os ciclos de formação em contabilidade informatizada, frio, pintura e outros.
Quanto aos formadores, o responsável garantiu que estão asseguradas as condições para a implementação dos cursos, uma vez que na província existem, em abundância, técnicos qualificados nos novos ramos de formação.

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