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Lojas de materiais de construção são um perigo para os transeuntes

António Capitão | Uíge

Na rua Pioneiro do Congo, do Comércio e na Comandante Bula, na cidade do Uíge, o movimento de camiões lotados com grandes quantidades de materiais aumentam a cada dia que passa.  

A administração municipal e a direcção provincial do Comércio devem encontrar mecanismos que resolvam a situação
Fotografia: Eunice Suzana

Na rua Pioneiro do Congo, do Comércio e na Comandante Bula, na cidade do Uíge, o movimento de camiões lotados com grandes quantidades de materiais aumentam a cada dia que passa.
Muitos estabelecimentos comerciais foram transformados em verdadeiros centros de venda de materiais de construção e os transeuntes são constantemente obrigados a circular no meio da estrada.
Os passeios estão quase sempre ocupados por pessoas que carregam e descarregam ferros, chapas, tubos, mosaicos, entre outros objectos. O trânsito é lento. As pessoas atravessam as ruas da cidade com chapas de zinco, tubos, cantoneiras, varões, caixas de mosaicos, azulejos, tintas, equipamentos de electricidade, louças sanitárias e outros materiais, pondo em perigo as suas vidas e as de outros transeuntes da via.
Envelope Zua, morador do prédio Rimaga, disse à reportagem do Jornal de Angola que a actividade quotidiana desenvolvida pelos comerciantes estrangeiros (libaneses e mauritanos) e pelos compradores e estivadores constitui um perigo para a vida daqueles que circulam nos passeios próximos a esses estabelecimentos comerciais.
“Amontoam os materiais nos passeios até serem postos numa viatura ou em motorizadas de três rodas, processo que obriga as pessoas a caminharem pelas estradas, nas quais enfrentam o perigo de atropelamento”, explicou. Por isso, considera inadmissível que seja permitido a estes estabelecimentos  estarem no centro da cidade, pelo perigo que constituem para quem ali vive e circula.
Para se evitar que o pior aconteça, Envelope Zua afirma que a administração municipal e a direcção provincial do Comércio devem encontrar mecanismos que resolvam a situação. Na sua opinião, os materiais de construção devem ser vendidos em estabelecimentos construídos em áreas apropriadas para não embaraçar o transacto automóvel, nem pôr em perigo a vida dos peões.Gonçalves Soares, funcionário público, apontou a rua Industrial, onde estão localizados a maior parte dos grandes armazéns comerciais e unidades fabris do município do Uíge, como sendo um local adequado para a instalação de estabelecimentos para a venda de materiais de construção.
A situação tende a piorar dia após dia e, por essa razão, diz ser um assunto que deve merecer a intervenção urgente das autoridades, referindo que todos os dias se assiste ao surgimento de mais lojas destas no centro da cidade.
“Dentro em pouco as aulas começam e o número de pessoas aumenta nas ruas. É uma situação constrangedora, tendo em conta que muitas crianças circulam nestas artérias. Não foram poucas as vezes em que, por pouco, não fui atingido por um ferro ou chapa de zinco no corpo”, afirmou.
A maioria dos estivadores que retiram os materiais do interior das lojas para fora (e vice-versa), fazem-no sob o efeito do álcool e sem o mínimo de cuidado ou respeito pelas pessoas que circulam na rua.
Para o automobilista Simão Diogo Mbenza a situação é muito preocupante. “As ruas já são estreitas e os camionistas insistem em estacionar durante o dia para descarregarem as mercadorias”, lamentou.

Armazéns da Coca-Cola

A Rua-A do bairro Dunga transformou-se no principal parque de estacionamento de camiões da Coca-Cola. Automobilistas e moradores do bairro reclamam pela falta de organização no processo de carga e descarga dos produtos produzidos e comercializados pela multinacional. A empresa instalou no Dunga o seu principal armazém para comercialização dos seus produtos. Além dos constantes cortes de circulação na via que dá acesso ao Hospital Central do Uíge, dão-se vários acidentes causados pelos camionistas ao serviço da empresa.
Armando Saú, morador naquele bairro, disse já ter testemunhado um incidente no qual um veículo longo carregado de caixas de gasosa só não capotou por um triz.
O motorista tentou fazer uma inversão de marcha num espaço insuficiente e provocou a queda de um número considerável de caixas no chão. Em resultado disso, a rua ficou muito tempo interditada.
Num outro dia, foi um contentor que desatrelou do camião, indo contra o passeio e destruindo o muro de uma residência, numa altura em que muitas pessoas circulavam.
Uma fonte ligada à representação da multinacional na província avançou que a administração municipal do Uíge indicou um novo local onde os camiões da Coca-Cola devem parquear e descarregar os produtos.

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