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Má aplicação de socorros prejudica vítimas

Nicodemos Paulo | Uíge

Eric Caveda, o ortopedista do Hospital do Uíge, disse, no sábado, ao Jornal de Angola, que a maioria das vítimas de acidentes de viação que dá entrada naquele estabelecimento apresenta fracturas graves sobretudo devido aos primeiros socorros.

Aparatosos acidentes de viação têm causado ferimento a várias pessoas e mortes
Fotografia: Jornal de Angola

Eric Caveda, o ortopedista do Hospital do Uíge, disse, no sábado, ao Jornal de Angola, que a maioria das vítimas de acidentes de viação que dá entrada naquele estabelecimento apresenta fracturas graves sobretudo devido aos primeiros socorros.
“É um problema que não resulta apenas do impacto do acidente sofrido, mas sobretudo da má aplicação dos primeiros socorros e do transporte a que são submetidas as vítimas”, afirmou
 “Por não termos aqui os serviços de emergências médicas, os doentes são ajudados por pessoas que não dominam as técnicas de pronto-socorro, o que muitas vezes provoca danos irreversíveis, principalmente na coluna cervical”, esclareceu.  Para contornar a situação, referiu, os técnicos da secção de ortopedia do Hospital Central do Uíge usam técnicas modernas, que têm permitido a diminuição de amputações por causas traumáticas e permanência hospitalar.
Eric Caveda garatiu que “as novas técnicas reduziram consideravelmente os índices de infecções hospitalares”.
 O médico desaconselhou a prática de alguns tratamentos caseiros: “a utilização de lâminas nas áreas lesionadas facilita a entrada de bactérias e microrganismos que podem trazer infecções posteriores”.
 “Algumas vezes, os pacientes fazem massagens com bálsamos e raízes nas partes inflamadas, complicando a intervenção dos médicos”, deplorou.
 Para alterar este comportamento, disse, o hospital realiza regularmente palestras e outras acções formativas dirigidas a enfermeiros e pacientes com o objectivo de melhorar a assistência ao acidentado e mudar a mentalidade das populações.
 “Os nossos doentes estão muito agarrados ao tratamento tradicional. Respeitamos isso, mas há casos em que só a intervenção de um médico especializado pode resolver”, Declarou, adiantando:
“Infelizmente, há pacientes que têm dificuldade em perceber isso, tornando as situações simples em graves problemas de saúde”.
 No primeiro semestre deste ano, mais de 350 vítimas de acidentes de viação foram submetidos a intervenções cirúrgicas no Hospital Central do Uíge devido à complexidade dos problemas ortopédicos apresentados. Três médicos e 24 enfermeiros garantem o funcionamento da secção de ortopedia do estabelecimento, que dispõe 30 camas.

 

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