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Mais água e luz na comuna do Dimuca

José Bule e Valter Gomes | Dimuca

Um novo sistema de abastecimento de água potável está a ser instalado, na sede comunal do Dimuca, no município do Negage, no âmbito das acções que visam melhorar a qualidade do produto.

Acções governamentais principalmente nos sectores da energia e água vão dar mais vida aos habitantes da sede comunal do Dimuca
Fotografia: José Bule | Uíge

O novo sistema vai permitir ainda que a distribuição de água potável atinja um número maior de consumidores a nível da comuna.
O administrador Bernardo Cuessa disse sexta-feira que com o novo sistema vão também ser instalados dez chafarizes a nível da localidade, com vista a encurtar a distância de cerca de quatro quilómetros para chegar ao antigo fontanário.
O responsável comunal avançou que o projecto abrange ainda outras localidades, cujos habitantes ainda consomem água imprópria.
O governador provincial do Uíge, Paulo Pombolo, referiu que a população cresceu significativamente, daí a necessidade do aumento da capacidade de armazenamento no antigo reservatório, para que a maioria da população beneficie de água tratada.
Recentemente, a comuna beneficiou da instalação de um gerador de 300 KVA, para sustentar o funcionamento das instituições públicas e privadas, e permitir a realização de ligações domiciliárias.
Neste momento, mais de 30 postos de iluminação pública foram colocados a nível da sede comunal, o que está a dar outra dinâmica à vida nocturna dos habitantes locais.
O administrador disse que as condições estão criadas para que a população da sede comunal comece a consumir energia eléctrica, nos próximos dias. Os trabalhos de instalação dos meios estão em fase final, faltando apenas a entrega da obra por parte do empreiteiro.
Além disso, o administrador comunal disse que um universo de 2.800 agricultores, integrados em 14 associações, está à espera de financiamentos para aumentar a produção, disse o administrador. O responsável acrescentou que os associados já constituíram e remeteram os processos ao Banco de Poupança e Crédito (BPC), para obtenção do crédito de campanha agrícola, mas, até agora, ainda não receberam qualquer resposta da instituição bancária.
Bernardo Cuessa apelou para que se estenda o mais rápido possível o crédito de campanha agrícola ao Dimuca, com vista a potenciar os camponeses locais com meios e equipamentos modernos.
“Com enxadas e catanas levamos meses para concluir o trabalho, mas com tractores ou charruas, por exemplo, os agricultores ganham maior capacidade de produção”, concluiu o administrador.
Os agricultores de Dimuca dedicam-se ao cultivo de mandioca, amendoim, feijão, milho, batata doce e rena, banana, café, inhame, abóbora, cana-de-açúcar, hortícolas, entre outros produtos. O administrador disse que o número de associações pode crescer, uma vez que há muitas famílias interessadas em fazer parte destes grupos.
 
Registo civil

Bernardo Cuessa manifestou-se ainda preocupado com a ausência dos serviços de registo civil a nível da comuna. Para tratarem documentos pessoais, como cédula, registos de nascimento, entre outros, os habitantes são obrigados a percorrer cerca de 40 quilómetros até a sede do município de Negage.
O administrador comunal disse que “o mais triste é que muitos regressam sem conseguir o registo, por causa da grande procura por esses serviços”, lamentou. O responsável afirmou que, devido às dificuldades financeiras, a maioria dos habitantes da comuna enfrenta dificuldades para pagar emolumentos cobrados para a obtenção do assento de nascimento e outros documentos.
“Também sentem dificuldades para pagar os custos das passagens, da comuna até a sede municipal, porque os lucros dos negócios do campo não são muito famosos”, salienta o responsável.
A par disso, salientou que há uma necessidade enorme de se criarem condições que facilitem o escoamento dos produtos cultivados a nível local, uma vez que este é um dos factores que contribuem negativamente na actividade agrícola.
A comuna de Dimuca, que dista cerca de 40 quilómetros da sede municipal do Negage, tem uma população estimada em mais de 14 mil habitantes, distribuídos em 33 aldeias e 12 regedorias.

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