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Milhares de crianças são matriculadas

Joaquim Júnior | Uíge

O director Provincial da Educação no Uíge, Manuel Zangala, informou que das 2.765 crianças em idade escolar, que regressaram no ano passado da República Democrática do Congo (RDC), estão já inseridas no sistema normal do ensino.

Na província existem alunos que são matriculados sem a documentação necessária e chegam ate às classdes transitárias
Fotografia: Eunice Suzana | Uíge

Esclareceu que dos cerca de 553.147 alunos matriculados na província neste ano lectivo nos diferentes níveis do ensino, meio por cento são repatriados.
O número de alunos vai aumentar na medida em que o processo de repatriamento é efectivado.  As direcções das escolas de todos os municípios onde os repatriados da RDC estão a viver, foram orientadas a receberem alunos em situações especiais.
O director da educação explicou que a reinserção destas crianças foi possível graças ao trabalho desenvolvido por uma equipa de técnicos do sector destacada no Posto de Acolhimento de Maquela do Zombo, que cuida do registo e selecção da população em idade escolar.
O processo de inserção das crianças regressadas inclui também o ensino acelerado da Língua Portuguesa, administrado em duas escolas localizadas em Maquela do Zombo e na cidade do Uíge.
“O processo de introdução das crianças regressadas da RDC nas escolas da província começa com o registo e selecção, tendo em conta as idades e os níveis de escolaridade que cada uma delas apresenta.
Depois aprendem a Língua Portuguesa”, sublinhou. Em relação aos jovens que chegaram com o ensino médio concluído, Manuel Zangala disse que a Direcção da Educação procura apurar as equivalências desde que os solicitantes apresentem os certificados.
Os estudantes que não consigam provar a autenticidade dos seus documentos são avaliados de acordo com o nível de intelectualidade e matriculados nas classes correspondentes.

Alunos sem documentos

O director Provincial da Educação do Uíge manifestou-se preocupado com o número elevado de alunos que se matriculam sem a Cédula Pessoal ou Bilhete de Identidade, sobretudo crianças da iniciação e adolescentes das classes transitórias.
Manuel Zangala  disse que “existem alunos que ainda são matriculados sem a documentação necessária e chegam até às classes transitórias sem quaisquer documentos que os identifiquem, o que dificulta a passagem, as transferências e a emissão dos certificados”, disse. Manuel Zangala revelou que muitas vezes as escolas são obrigadas a a­tropelar os  regulamentos na composição dos processos, para não paralisar o processo educativo e não deixar ninguém de fora da escola, por falta de documentos.
Muitos pais aproveitam-se das excepções adoptadas pela Direcção da Educação, que admite nas instituições escolares alunos com dados provisórios, e jamais se preocupam com a documentação dos filhos, o que tem constituído um grande constrangimento para o sectorde educação. “Os pais têm a obrigação de registar os seus filhos logo à nascença e à medida em que forem crescendo, devem preocupar-se em tratar o Bilhete de Identidade.
Infelizmente, pelo que temos constatado estamos muito longe da realidade. Não são todos os pais e encarregados de educação que se comportam assim”, precisou Manuel Zangala.Um outro problema provocado por alguns pais encarregados de educação está relacionado com a alteração dos nomes dos educandos depois destes adquirirem a sua verdadeira identidade, situação que considerou grave, porque o nome que constava dos mapas escolares acaba por ser alterado e somos obrigados a refazer todo um processo que devia ser acautelado logo de início, caso as matrículas fossem efectuadas com toda a documentação.
Na província do Uíge, as direcções das escolas estão o­rientadas a matricularem alunos sem documentação pessoal, mas de forma condicional, para depois de algum tempo obrigarem os pais e encarregados de educação a regularizarem a sua situação sob pena de verem anuladas as matrículas dos seu filhos.

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