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Milhares de crianças sem acesso às aulas

Joaquim Júnior | Béu

O governo da província do Uíge vai redobrar a sua atenção aos alunos das localidades fronteiriças, muitos dos quais frequentam as escolas da República Democrática do Congo, por falta de salas e professores, garantiu o vice-governador para o sector económico e produtivo.

Falta de salas e de professores obrigam os estudantes das regiões fonteiriças a frequentarem a escola na República Democrártica do Congo
Fotografia: António Capitão

Carlos Mendes Samba, que falava na abertura do ano lectivo na província, disse que no presente ano lectivo o Governo vai trabalhar na criação de condições nas zonas que limitam a província do Uíge com a República Democrática do Congo para reter os jovens e crianças que procuram o ensino no outro lado da fronteira.
“Vamos construir mais salas nas zonas fronteiriças, porque não havendo escolas nestas áreas, a população estudantil vai continuar a atravessar a fronteira para estudar na RDC”, salientou o vice-governador.
As vias de acesso às zonas fronteiriças estão degradadas, o que dificulta a construção de infra-estruturas escolares. Muitos empreiteiros contratados para fazerem obras nestas áreas fixam preços exorbitantes.
O vice-governador do Uíge informou que este ano é executado um programa de reabilitação das vias que dão acesso às comunidades fronteiriças.
 Na comuna do Beú estão em curso trabalhos de manutenção e terraplanagem da via. “Temos um amplo programa de construção de escolas, para evitar com que haja mais crianças fora do sistema de ensino”, disse. No quadro do Programa Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza vão ser construídas mais de 170 novas salas.
Na província do Uíge estão matriculados 381.355 alunos nos diversos níveis de ensino, cujas aulas estão a ser asseguradas por 14.257 professores. O vice-governador Carlos Samba apelou aos intervenientes do processo de ensino e aprendizagem para assumirem as suas responsabilidades com vista ao êxito da missão.O vice-governador para o sector económico e produtivo do Uige, Carlos Samba, apelou aos professores e alunos para denunciarem actos de corrupção. “As aulas de improviso constituem um autêntico atentado ao rigor pedagógico que se exige de um bom professor”, afirmou. O secretário provincial da Associação dos Professores Angolanos no Uíge, Carlos Metange, solicitou à direcção Provincial da Educação para aplicar sanções disciplinares aos professores que persistirem no cometimento de actos que prejudicam as crianças e a qualidade do ensino.
Na comuna do Beú, o vice-governador Carlos Samba distribuiu livros, cadernos, lápis, borrachas e esferográficas, além de material desportivo para os alunos, giz e apagadores para as escolas da região.

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