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Milhares de pessoas imunizadas contra a doença

Joaquim Júnior | Uíge

Um total de 773.360 pessoas foi imunizado contra a febre amarela nos municípios do Uíge e Negage, durante a primeira fase da campanha massiva de vacinação, levada a cabo no mês de Maio e na primeira quinzena de Junho, informou ontem a directora provincial da Saúde, Luísa Cambuta.

Todos os esforços estão a ser desenvolvidos no sentido de dar cumprimento as metas traçadas pela Direcção Nacional de Saúde
Fotografia: Nilo Mateus | Cambambe


“O balanço é positivo. Todos os esforços estão a ser desenvolvidos no sentido de cumprirmos com as cinco componentes traçadas pela direcção central, que recomenda um controlo mais eficaz da doença, componentes que passam pela vigilância activa, mobilização social, luta anti-vectorial, vacinação e manuseio dos casos suspeitos que surgem nos hospitais”, disse.
Para o êxito da campanha, foram mobilizados 2.500 técnicos, divididos em 245 equipas, que actuaram nos dois municípios. O processo contou com a participação de profissionais de saúde do sector técnico e privado, efectivos das Forças Armadas Angolanas (FAA) e da Polícia Nacional, bem como de estudantes das escolas Técnica de Saúde e da Superior Politécnica do Uíge, além de um grupo de mobilizadores sociais das organizações não-governamentais.
“O Ministério da Saúde programou duas fases de vacinação. A primeira já foi cumprida na província e priorizou apenas os municípios do Uíge e do Negage, por serem estas as regiões onde foram identificados alguns casos. A segunda fase da campanha vai acontecer paulatinamente de acordo com a necessidade apresentada”, referiu.
A directora provincial da Saúde do Uíge elogiou a afluência da população durante o processo, como resultado do empenho das autoridades tradicionais e de entidades eclesiásticas da província, que se apresentaram como verdadeiras mobilizadoras e vigilantes activas, facilitando a imunização de toda a população das áreas seleccionadas. “Nos primeiros dias de vacinação, tivemos algumas dificuldades, muitos populares rejeitaram a vacina. Estavam convencidos de que a vacina matava mesmo. Mas depois de alguns membros das comunidades provarem os benefícios da imunização, todos recuaram na decisão e afluíram aos postos de vacinação”, referiu.
Luísa Cambuta considerou calma a situação sanitária da província e avançou que, desde Janeiro, foram notificados apenas nove casos autóctones da doença, cinco no Uíge e quatro no Negage, que resultaram na morte de uma pessoa. “Os demais registos figuram apenas em casos transportados de Luanda e outros suspeitos que não chegaram a ser confirmados”, esclareceu.

Prevenção de doenças


Luísa Cambuta apelou à população da província no sentido de apostar, cada vez mais, na observância das medidas de prevenção contra a malária e a febre amarela, por ser esta a melhor forma de combater-se tais endemias.
Destacou a criação, na província, de uma comissão multissectorial de combate às grandes endemias, mas sublinhou que tal órgão só terá sucesso se as autoridades tradicionais, líderes comunitários e a população em geral colocar em prática as medidas de prevenção contra as doenças.
“Precisamos de investir mais na promoção da saúde, através da prevenção de doenças. O mais importante neste processo é a consciencialização da população para a mudança de comportamento nas residências, cumprindo com os conselhos deixados pelos técnicos de saúde. Com isso, teremos menos doenças e mais pessoas saudáveis”, garantiu.
A responsável do sector da Saúde falou sobre as principais estratégias de combate às grandes endemias na província, que passam pela luta anti-vectorial, através do uso correcto de mosquiteiros tratados com insecticida de longa duração, promoção da saúde ambiental, eliminação dos focos de lixo e das águas acondicionadas em depósitos, charcos a céu aberto e outros critérios de vigilância activa.
Luísa Cambuta pediu à população no sentido de confiar mais nos programas de saúde do Executivo e nos profissionais da área distribuídos nas diferentes unidades sanitárias, para que os objectivos definidos pelo Governo ­sejam alcançados.

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