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Milhares de pessoas renderam homenagem aos mortos

JOSÉ BULE |Uíge

De pé, com um semblante triste, lágrimas nos olhos, Paulo Armando Gonga olhava para a campa do pai, no momento em que a irmã a limpava. O jovem lembrava com saudade os feitos daquele que “em vida soube ser um pai exemplar, um verdadeiro chefe de família”.

Dia serviu para limpar as campas
Fotografia: José Bule | Uíge


 
De pé, com um semblante triste, lágrimas nos olhos, Paulo Armando Gonga olhava para a campa do pai, no momento em que a irmã a limpava. O jovem lembrava com saudade os feitos daquele que “em vida soube ser um pai exemplar, um verdadeiro chefe de família”.
 Paulo Gonga defende que o Dia dos Finados, por ser uma data de reflexão sobre o destino de todos os homens, deveria ser celebrado pelo menos duas vezes por ano, para que todos aqueles que já deixaram o mundo dos vivos sejam, cada vez mais, recordados. Condena as pessoas que cometem actos de vandalismo nos cemitérios ou durante  as cerimónias fúnebres.
 “Essas pessoas devem reflectir mais sobre isso, porque a morte é o destino de todos nós. Este local deve ser respeitado. Mais cedo ou mais tarde cada um de nós tem aqui um lugar para repousar”, disse.  Celestino Augusto Sousa, que se deslocou ao cemitério acompanhado da filha e da cunhada, para limparem a campa do seu irmão, afirmou que “alguns acham que este é o melhor dia para fazer negócios. Montam barracas à porta do cemitério e vendem bebidas alcoólicas.
Os consumidores não resistem e entregam-se aos excessos, para depois cometerem actos de vandalismo neste santo local”.
Luís Fernando procurava a campa da mãe quando a equipa de reportagem do Jornal de Angola chegava ao cemitério municipal.
O jovem reconheceu a cruz que tinha sido colocada na sepultura logo depois do enterro, mas ainda assim, continuava com algumas dúvidas.
 “Vim fazer limpeza no túmulo da minha mãe, mas não tenho a certeza se é esta”, mas acrescentou que “se não for aqui também não faz mal, eu faço a limpeza deste túmulo, sendo ou não da minha mãe”.  Maria Álvaro e Isabel Umba Pedro resolveram decorar o túmulo do seu ente querido com panos multicolores e algumas flores. Ficaram ali recolhidas a recordar quem partiu.
Abel do Rosário, que assistia ao culto realizado no Cemitério Municipal do Uíge, por ocasião do Dia dos Finados, disse que que os homens nascem, desenvolvem-se,   organizam-se socialmente, mas depois morrem. “Vim prestar a minha solidariedade aos nossos irmãos que partiram antes de nós, que são os nossos fiéis defuntos e, também, definir com os meus irmãos o sentido deste mistério, que é a morte”.

O papel da Igreja

 Abel do Rosário sustentou que os entes queridos, já falecidos, fazem parte da nossa história e devem ser respeitados por todos, durante os óbitos, cerimónias fúnebres. “Devemos estar unidos nessa luta, as igrejas, escolas e a comunicação social devem ter um papel preponderante no resgate dos valores morais da população, transmitindo exemplos de boa conduta a todos os cidadãos angolanos, para que rapidamente sejam eliminados esses maus comportamentos no seio das populações”, frisou. O padre Dário Elias disse ontem ao Jornal de Angola que a Igreja insiste em transmitir às pessoas uma mensagem que visa lembrar que todos estamos de passagem neste mundo e “dada a brevidade das nossas vidas é necessário que cada um tenha a plena consciência de viver santamente dia-a-dia”.
 Para a Igreja, o Dia dos Finados não é apenas um dia de grandes tristezas, desilusões ou de falta de esperança, é também um dia de alegria, porque todos morremos com Cristo e com ele havemos de ressuscitar. “É um dia de esperança, porque é neste dia que aguardamos a última vinda de Cristo salvador, para nos reencontramos face a face com o nosso pai, o criador do céu e da terra”, disse o prelado católico.
O padre Dário pediu aos fiéis católicos e a todos os angolanos para viverem com dignidade porque “quando nos comportamos bem, neste mundo, significa que estamos a preparar-nos devidamente para entrarmos no gozo pleno da felicidade eterna”.

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