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Muitos jovens conseguem primeiro emprego

Valter Gomes | Uíge

A abertura de novas unidades fabris no pólo de desenvolvimento industrial do Uíge está a garantir o primeiro emprego a centenas de jovens no município do Negage, uma região onde os níveis de desemprego atingem dimensões assustadoras.

Nos últimos dois anos foram instaladas no Negage as fábricas de tijolo e colchões que proporcionaram empregos a muitos jovens
Fotografia: Eunice Suzana | Uíge

A abertura de novas unidades fabris no pólo de desenvolvimento industrial do Uíge está a garantir o primeiro emprego a centenas de jovens no município do Negage, uma região onde os níveis de desemprego atingem dimensões assustadoras.
Nos últimos dois anos foram instaladas no Negage as fábricas de tijolo e colchões, que proporcionaram empregos a muitos jovens residentes na localidade, que fica a 37 quilómetros da cidade do Uíge.
Na fábrica de tijolos, por exemplo, encontrámos vários jovens a trabalhar. Distribuídos em brigadas, os mesmos actuam em diversas áreas.
A unidade fabril começou a funcionar em 2011 e possui 47 trabalhadores, distribuídos nas áreas administrativas da fábrica, refeitórios, transportes e organização de materiais.
“O número de trabalhadores ainda não é suficiente para o normal funcionamento e quando todos os serviços da fábrica estiverem operacionais vamos admitir mais de 100 jovens”, disse o director da unidade, Matondo Teca, notando que a meta de produção preconizada exige um reforço em recursos humanos.
Matondo Teca disse que a fábrica está a produzir 25 mil tijolos por semana, mas a capacidade instalada permite a produção de dez mil por dia. “A produção de tijolos e telhas, para minimizar a procura de materiais de construção civil que se tem verificado na província, constitui o principal objectivo para a instalação da fábrica na região”, acrescentou Matondo Teca.
“A procura é cada vez maior, quer de empresas de construção civil, como de pessoas singulares que necessitam de adquirir grandes quantidades de tijolo para a construção de moradias e outros empreendimentos”, sublinhou Matondo Teca, lamentando a falta de energia eléctrica da rede geral, a partir da barragem hidroeléctrica de Capanda.
O responsável afirmou que os equipamentos instalados só podem funcionar em pleno com a instalação de uma linha domiciliar a partir da rede geral, o que permite a redução dos custos com os combustíveis e lubrificantes para o grupo gerador.


Fábrica de colchões


Mohamed Ballita, sócio-gerente da fábrica de colchões de espuma do Grupo Vimo Indústrias, localizada no município do Negage, disse que a mesma tem capacidade para produzir mil colchões por dia, mas, por enquanto, estão a ser produzidos apenas entre 200 a 300.
“A fábrica está dotada de equipamento de última geração”, disse Mohamed Ballita, assegurando que o processo produtivo é “bastante rápido e fácil, pois os colchões ficam prontos num intervalo de apenas dois minutos”.
Nesta fase experimental, disse o sócio gerente, a fábrica de colchões emprega 24 jovens, entre operadores de máquinas, estivadores, alfaiates e funcionários administrativos. “Quando estivermos a trabalhar no máximo da nossa força vamos ser obrigados a recrutar mais de 120 novos trabalhadores, se quisermos atingir a produção desejada”, adiantou.
Dentro das metas preconizadas este ano, além de colchões, a fábrica vai lançar uma linha para a produção de materiais plásticos, como cadeiras, mesas, bacias e outros utensílios para uso doméstico.
“Foi difícil conseguir o emprego, mas agora sinto-me bem por estar a trabalhar e a exercer várias actividades administrativas nesta fábrica”, disse Madalena Jaime, acrescentando que está em melhores condições para suportar os seus estudos e outras necessidades.
Baptista Dala, outro trabalhador que conseguiu o primeiro emprego na fábrica de tijolos, disse que a abertura de pequenas unidades fabris e empresas privadas em diferentes localidades da província do Uíge veio facilitar e melhorar as condições de vida de muitos cidadãos, que viviam na condição de desempregados.
O operador de máquinas Baptista Dala trabalha há mais de nove meses na fábrica de tijolos instalada na cidade do Negage.
Satisfeito, disse que o problema da falta de pagamento das propinas dos filhos faz parte do passado. “Agora consigo sustentar da melhor forma a minha família”, acrescentou Baptista Dala.

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