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Mulheres estão a aprender profissões consideradas exclusivas dos homens

Manuel Tomás | Sumbe

No Kuanza-Sul cresce o número de jovens do sexo feminino que opta por carreiras profissionais tradicionalmente exercidas por homens, como alvenaria, carpintaria, mecânica, sapataria e electricidade.

A bela cidade do Sumbe observa o aumento de mulheres a exercerem vários ofícios
Fotografia: Jornal de Angola

No Kuanza-Sul cresce o número de jovens do sexo feminino que opta por carreiras profissionais tradicionalmente exercidas por homens, como alvenaria, carpintaria, mecânica, sapataria e electricidade.
Se, no passado, as jovens preferiam especializar-se em informática, secretariado, docência, belas artes ou mesmo optar pelo comércio informal, hoje assiste-se a uma viragem significativa.
Raquel Guimarães, 21 anos, é um exemplo dessa mudança que se assiste no Kuanza-Sul. Fez da serralharia uma paixão, depois de ter concluído com êxito, em 2006, um curso no centro profissional do Cuacra, nos arredores da cidade do Sumbe. Hoje, trabalha numa serralharia do Bairro Novo, no Sumbe, mesmo sabendo, desde a infância, como admitiu, que é uma profissão mais identificada com homens.
“Há seis anos consecutivos que exerço essa actividade e não me sinto desprezada ou discriminada pela sociedade por ser serralheira, muito pelo contrário. Tenho sido acarinhada pelos meus colegas de profissão, dos quais recebo muitos incentivos”, diz, orgulhosa.
Estudante da oitava classe, Raquel Guimarães diz que o salário que recebe serve para subsistir, suportar as despesas dos estudos e ajudar a família.
Raquel Guimarães disse que executa qualquer tipo de soldadura em viaturas e motorizadas e, além disso fabrica também portões, gradeamentos, formas para blocos, assim como fogareiros.

Kits profissionais


Raquel Guimarães viu a sua vocação recompensada com a entrega de um kit profissional de serralharia pela Direcção do Ministério da Assistência e Reinserção Social (MINARS), no âmbito do seu “programa de geração de rendimento”.
Em posse do kit, abriu uma micro-empresa que dá emprego directo a quatro auxiliares e, agora, para alavancar o negócio, candidatou-se a um crédito junto do Banco de Comércio e Indústria (BCI).“Com o kit que recebi do MINARS e caso o crédito saia favoravelmente, vou ampliar a minha oficina, adquirir mais material, a fim de servir melhor os meus clientes”, explica.

Gosto pela mecânica


Olga Inoque, 26 anos, afirma que desde a infância ganhou o gosto pela mecânica e, por curiosidade, nunca mais se afastou dos mestres, com os quais aprendeu o ofício. A sua primeira ambição era ser motorista.    “Laly”, como também é conhecida, exerce há sete anos a profissão de mecânica e já trabalhou no Instituto Nacional de Estradas (INEA) e na Mota Engil.
“Agora já consigo superar qualquer tipo de avaria numa viatura, mas sempre que há dificuldades socorro-me dos meus colegas mais experientes”, adianta “Laly”, que aconselha as jovens desempregadas ou fora do sistema do ensino, a não enveredarem por comportamentos menos dignos, como prostituição, alcoolismo e vadiagem.

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