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Mulheres pedem mais salas de alfabetização

Joaquim Júnior | Uíge

Cerca de 150 mulheres de zonas rurais do município do Uíge pediram na quinta-feira às autoridades administrativas locais para criarem mais salas de alfabetização e combaterem o absentismo e a fuga de professores colocados naquelas localidades.

As mulheres solicitaram a criação de medidas que incentivem os professores de alfabetização no meio rural e a permanência de técnicos do sector de ensino nas comunidades rurais.
No encontro de auscultação à mulher rural, que decorreu na sala de reuniões do centro São João Calábria “Picolí”, as participantes apresentaram ainda inquietações relacionadas com o acesso aos serviços básicos, a estruturação económica e reprodutiva das comunidades rurais, sobre a produção, comercialização e transporte dos excedentes agrícolas. Mbuca Paulina, presidente da Associação das Mulheres Comerciantes, destacou a importância do incremento da produção e da produtividade no campo, para dar lugar à comercialização e transformação dos produtos cultivados e, desse modo, combater a fome e a pobreza nas comunidades. Salientou, ainda, a falta de mercados para as mulheres realizarem o seu comércio e deixarem de o fazer nas ruas da capital.
Residente na zona rural do bairro Mbemba Ngango, a munícipe Suzana Prata falou sobre a necessidade de serem instaladas de marquises nas salas de parto dos centros médicos e de instrumentos de trabalho para as parteiras tradicionais, a par de acções de formação a elas dirigidas.
O coordenador do grupo de acompanhamento à província do Uíge, Tito Correia, sublinhou a necessidade de todos os dirigentes se envolverem na procura de soluções para os problemas da mulher rural, enquanto núcleo essencial da família na sociedade, garantindo, assim, a sua participação directa no processo do desenvolvimento da região.
O administrador municipal do Uíge disse que o levantamento das principais dificuldades vividas pelas mulheres camponesas é o caminho certo para combater a pobreza na província, em particular, e no país, em geral. Altamiro Benjamim referiu que o contacto directo com as campone­sas permite conhecer de perto os problemas das populações das aldeias, regedorias, comunas e municípios, podendo, deste modo, facilitar a acção do Executivo, na adequação dos programas de apoio de acordo com a sua real situação.  “Os problemas que afectam a mulher rural são de grande dimensão e a sua solução paulatina vai facilitar o crescimento consolidado, fazendo com que a mulher se sinta dignificada", disse o administrador municipal.
Realçou, ainda, a necessidade de incentivar o diálogo de concertação de ideias que reforçam a compreensão e facilitam a mobilização para a aplicação prática dos projectos programados. “As nossas mamãs do campo pensam, muitas vezes, que depois do alcance da paz foram esquecidas, sentem-se marginalizadas ou até mesmo desrespeitadas, o que não é verdade". Garantiu que o Executivo está preocupado com a vida da mulher do campo, dai realizar esta auscultação para, em conjunto, serem identificados os problemas que mais as afligem e encontrar as melhores vias para a solução dos mesmos.

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