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Município do Bembe dividido entre avanços e paralisações

Silvino Fortunato | Uíge

A vida no município do Bembe anda dividida entre avanços, paragens e retrocessos. É uma realidade que decorre da crise económica, em que estão remetidas várias pessoas singulares ou colectivas que não conseguem cumprir com as suas obrigações.

Municípes procuram encontrar fórmulas de ultrapassar as dificuldades que assolam à região nos diferentes sectores
Fotografia: Silvino Fortunato| Edições Novembro

Em consequência disso, as autoridades municipais do Bembe enfrentam sérias dificuldades para a construção de diferentes infra-estruturas públicas, fornecer medicamentos aos centros médicos, água potável e outros serviços, assim como boa e segura circulação automóvel.
A administradora do município, Maria Cardoso, afirma que a execução das acções programadas para o presente ano esbarrou, por causa dos problemas relacionados com pagamentos às empresas fornecedoras de medicamentos e de construção de empreendimentos públicos, como pequenos sistemas de abastecimento de água.
“Não conseguimos dar resposta aos compromissos que assumimos com a população”, por faltar dinheiro ou por este não chegar a tempo para corresponder à programação”.
A titular dá o exemplo do Tesouro que apenas disponibilizou no último mês de Novembro uma dotação financeira que devia ser disponibilizada no mês de Maio ou Junho deste ano, para a compra de medicamentos.
Há programas parados como a construção e apetrechamento do posto de saúde da aldeia do Yanguila,  previstos para este ano, com pagamentos de 15 por cento, a aquisição de uma ambulância, paga até 80 por cento, a reabilitação do sistema de moto-bombas para a captação e distribuição de água potável para a sede municipal, paga a 97 por cento, à espera de melhores dias. Estão na mesma condição a construção de dois sistemas de captação e abastecimento de água para a localidade do Vampa e a conclusão da escola de quatro salas de aula na aldeia de Manzau, paga a 100 por cento, mas que o empreiteiro justifica estar a lutar para comprar o material em falta, segundo a administradora do Bembe.
O sector da educação regista tímidos avanços em termos de infra-estruturas escolares. Em algumas aldeias  regista-se a necessidade de construção de salas de aula para impedir que as crianças fiquem fora do sistema escolar ou se desloquem às aldeias vizinhas à procura do saber.
Ao todo, o município controla 47 escolas que matricularam, neste ano lectivo, 12.808 alunos, sendo 4.833 meninas. O ensino é assegurado por 443 professores. 
A ausência frequente dos professores nos locais de trabalho é uma questão que se vive também no Bembe.
O regedor do Vale do Loge, Raimundo Domingos, disse que a situação é causada pelo facto destes serem também alunos das escolas que ficam na sede municipal e outros na cidade do Uíge, a capital da província. Muitos leccionam dois a três dias por semana e abandonam os alunos por uma ou mais semanas. Há casos em que os professores habilitam-se a concursos públicos para trabalharem nas localidades recônditas, sem analisarem primeiro as condições destas localidades.
Postos aqui, diz o encarregado de educação, Nascimento António, começam a reclamar pelas dificuldades. Quando sentem a falta de dinheiro, para sobrevirem, deslocam-se ao Uíge de onde regressam depois de muitos dias. Considera um quebra cabeça essa situação das faltas constantes dos professores, com todos os prejuízos para o saber das crianças.

Um enfermeiro para cada posto de saúde 
A administradora indica notáveis melhorias quanto a assistência aos doentes, sobretudo depois de terem sido instalados no centro hospitalar do Bembe os serviços de hemoterapia. Foi reduzido o encaminhamento dos pacientes para os hospitais do vizinho município do Songo ou da sede provincial.
Em toda a extensão do município foram instaladas 23 unidades sanitárias, sendo cinco centros médicos e 18 postos de saúde. O funcionamento destes serviços é garantido por dois médicos. Existem ainda enfermeiros e outros técnicos de saúde.
Entretanto, nos postos de saúde há apenas um técnico de saúde para a assistência dos pacientes. Como fez saber não é possível a permanência do mesmo no local de trabalho. Adicionou nas dificuldades a escassez de medicamentos.
Para ela o pouco que vem não corresponde à demanda dos doentes que apresentam problemas de malária, doenças respiratórias e diarreia aguda e outras muito frequentes na região.
O morador da regedoria do Vale do Loge, Nascimento António, mostra que quando o enfermeiro sai os doentes ficam sem tratamento. Têm de aguardar até que ele chegue. Muitas delas são idosas ou crianças.

Energia e a água não chegam para todos
Apenas a sede do município beneficia de electricidade produzida por um grupo gerador com capacidade de 700 KVA, suficiente para atender os 255 consumidores. As aldeias e as sedes comunais do Lucunga e Quimaria não dispõem destes serviços, senão de pequenos geradores pessoais.
Presentemente, a vila do Bembe está privada do fornecimento de água, por se encontrar avariado, há quase dois anos, o seu sistema de captação.
As 70 casas concluídas do projecto de 200 fogos não têm o sistema de canalização totalmente pronto. O empreiteiro incumpriu a sua responsabilidade, o que faz com que o fornecimento seja feito de forma limitada. 
Um outro empreiteiro não executou convenientemente a tarefa pela qual fora contratado. A tubagem que leva a água para a localidade de Goule apresenta problemas, relacionados com o vazamento da água, devido a um erro de colocação dos tubos que transportam o líquido desde a sua captação até o tanque de armazenamento.
O sistema de Lucunga também funciona com dificuldades por causa da insuficiência do tanque de armazenamento, que só pode armazenar cinco mil litros de água, incapaz de atender o número elevado de consumidores, conforme fez saber a administradora Maria Paulina. A população de Quixinga deixou de abastecer-se do sistema recentemente construído, pelo facto do mesmo estar avariado.
Várias famílias viram as suas condições de habitabilidade melhoradas. A administração municipal alojou 70 famílias nas casas que o Executivo construiu no âmbito do seu programa de 200 fogos habitacionais por município.

  Falta de transporte para o escoamento de produtos

De um total de 17 fazendas requeridas apenas seis encontram-se em plena actividade. Para além da actividade individual vários moradores do município do Bembe organizaram-se em 13 associações e em quatro cooperativas, que produzem mandioca, feijão, ginguba, manga e outros citrinos.
O aldeão Nascimento António diz que, as vezes, tem faltado transportes e compradores para o escoamento dos produtos que produzem. Muitas quantidades acabam por apodrecer nos campos.
A administração do Bembe tem em sua posse um projecto de cultivo de feijão e arroz, dois de cultivo de soja, massambala, trigo e um outro de agro-pecuária e indústria, que recebeu da parte de pessoas que se apresentaram como investidores. Mas, Maria Cardoso lamenta: “Apenas ficam nos documentos. Geralmente, nunca saem dos papéis, não são implementados”. 
Existem poucas empresas que se dedicam à exploração da madeira em toro. Populares, em número reduzido, fazem a exploração de forma artesanal.
A pesca é realizada nos grandes rios que atravessam o município. Entre eles encontramos o Loge e o Lucunga. Lagoas de pequenas dimensões também oferecem a possibilidade dos habitantes do Bembe abastecerem-se de peixe. Segundo estimativas da administração municipal cerca de 45 por cento da população se dedica à pesca, sobretudo para o auto consumo.
Por via da aquicultura, muitos criadores abastecem o mercado local e outros com peixe cacusso, produzido em mais de 20 tanques, escavados nas localidades da Mpambo Nsinga Nzambi.

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