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Novas construções na região do Bembe

António Capitão| Uíge

O município do Bembe, localidade a 230 quilómetros da cidade do Uíge, aposta na recuperação do tempo perdido. A sede municipal está a beneficiar de novas  construções que estão a proporcionar uma imagem arquitectónica agradável à região.

O Bembe está a renascer das distruições da guerra e já tem novas moradias para quadros técnicos, escolas e hospitais
Fotografia: Eunice Suzana

O município do Bembe, localidade a 230 quilómetros da cidade do Uíge, aposta na recuperação do tempo perdido. A sede municipal está a beneficiar de novas  construções que estão a proporcionar uma imagem arquitectónica agradável à região. Foram construídas na localidade, desde o ano de 2008, várias escolas, postos e centros de saúde, casas protocolares na sede municipal, comunas e aldeias.
As estradas que ligam o Bembe ao vizinho município do Songo, numa extensão de mais de 190 quilómetros, foram totalmente terraplanadas. Acções semelhantes foram realizadas ao longo das vias que ligam a sede municipal às aldeias de Masselele e Toto, o que tem facilitado e melhorado a circulação da população e o escoamento dos produtos do campo para as zonas comerciais.
O administrador municipal, José Bunga Alberto, defende a conjugação de esforços entre o Governo Provincial e naturais e amigos da região para desenvolver o município e melhorar as condições de vida das populações.
“É necessária a conjugação de esforços dos naturais e amigos do Bembe, porque o governo está a realizar acções concretas para melhorar as nossas condições de vida. Mas é ainda fundamental a contribuição de todos”, disse José Bunga Alberto.
O administrador do Bembe anunciou, para breve, o início das obras de requalificação da sede municipal. Também vão ser abertas novas vias, construídos passeios e lancis, jardins, para além do alargamento da rede de distribuição de energia eléctrica às casas e a colocação de postes de iluminação pública.
O administrador municipal referiu que, entre as prioridades para os próximos dois anos, constam ainda a reabilitação das estradas que dão acesso às comunas de Mabaia, Kimaria e às aldeias Vale do Loge e Wando Nsundi, construção de mais escolas, postos e centros de saúde, e sistema de captação e tratamento de água.
O relançamento da agricultura para o auto-sustento, a erradicação do trabalho infantil, a melhoria dos serviços de saúde e o saneamento básico, para além da criação de emprego, protecção a criança e o combate à fome constam entre as prioridades da Administração Municipal do Bembe. “Queremos elevar o município ao nível dos outros da província e do país. Não queremos que os munícipes se sintam diferentes dos outros cidadãos angolanos. Na base do orçamento municipal vamos procurar melhorar a região”, sustentou.
José Bunga convidou os empresários angolanos a investirem na região, tendo em conta o seu potencial turístico, agrícola e a localização estratégica.
“O município do Bembe tem uma grande extensão de terras férteis para o aproveitamento agro-pecuário, vários locais de interesse turístico e potencialidades minerais, sobretudo de cobre. Algumas minas já estão a ser exploradas enquanto outras vão ser prospectadas nos próximos tempos”, disse.
O vice-ministro da Juventude e Desportos, Yaba Pedro Alberto, esteve presente nas festas do Bembe e reconheceu o empenho do governo na reconstrução do município. Yaba Alberto disse, na ocasião, que as acções empreendidas pelo Executivo depois de alcançada a paz estão a contribuir para o melhoramento da estrutura arquitectónica da região e a proporcionar um novo modo de vida aos seus habitantes.
“O governo está a trabalhar para a melhoria das condições de vida das populações. Há algum tempo era quase impossível chegar à vila do Bembe, a estrada estava esburacada e as pontes partidas. Hoje a realidade é diferente, a estrada tem melhores condições e várias infra-estruturas sociais foram erguidas”, referiu.
           
Fundação da vila

A vila do Bembe existe há 97 anos. A sua construção começou em 1903. Segundo o antropólogo João Alexandre, que na sua tese de doutoramento dissertou sobre “A Região do Bembe: Relação entre colonos e colonizados entre o período 1856-1961”, a ocupação da região do Bembe pelos portugueses foi impulsionada pelo facto de possuir ferro e cobre, que eram fundidos para o fabrico de armas e artefactos de bronze. 
Na época, o Bembe era o maior centro comercial da região. Os habitantes das localidades de Kinvuenga, Songo, Caipemba e Lukunga escoavam os seus produtos para as regiões do litoral e adquiriam produtos que não existiam nas suas localidades.
João Alexandre aponta o nome de António Flores, comerciante português, que incentivou e patrocinou a expedição militar à região. “O governo português em Angola, naquela altura, não tinha capacidade financeira para explorar as minas de cobre da região, então o comerciante António Flores sensibilizou a administração portuguesa a ocupar a região e ele apropriou-se das minas”, disse o antropólogo.
 
Potencial  turístico

As pedras de Ngumba e Mpambu N´singa Nzambi estão localizadas próximo da vila do Bembe. As duas grutas têm um grande valor histórico e cultural. O soba Pedro Adolfo conta que a pedra de Ngumba serviu de esconderijo no período da penetração colonial.
Com vários compartimentos e dois andares, a gruta foi igualmente utilizada como sede da administração da tribo Nsamu wa Kanga, do reinado de Mekabango.
A gruta, segundo o soba, é o centro do gigante filão de cobre que se estende até à fronteira com a República Democrática do Congo, passando pelos municípios da Damba, Maquela do Zombo e a região mineira do Mavoio.
“Esta gruta representa o início da história do povo do Bembe. Possui várias entradas, muitos compartimentos e inúmeros pontos escapatórios. Há um local denominado Mbaza Nsueka, que traduzido para português significa esconderijo. É no segundo andar e os jovens no tempo colonial escapavam das rusgas para o serviço forçado ou para a escravidão escondendo-se na interior da pedra”, lembrou.
A pedra de Mpambo N´singa Nzambi, na aldeia Kizele, é outro local histórico da região. Segundo a mitologia local, é nesta gruta que habita o deus da agricultura, da pesca e da caça. É nesse local que estão as nascentes dos rios da região. Quando há escassez ou pouca produção na agricultura, pesca e caça, os habitantes do Bembe vão ao local pedir abundância.
“São locais que representam a história e a cultura do meu povo e devem ser conhecidos e aproveitados pelo turismo e para pesquisas científicas”, disse o vice-ministro da Juventude e Desportos, Yaba Alberto, que visitou o local.

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