Províncias

Novos professores concluem estudos

José Bule

Um grupo de 216 estudantes da Escola de Formação de Professores “Cor Mariae”, no Uíge, finalizou com êxito os cursos médios de educação, nas especialidades de Língua Portuguesa, Geografia, Matemática, Física, Química, Biologia e História. Os novos professores foram apresentados, ontem, durante a cerimónia de encerramento do ano lectivo daquela instituição.

Profissionais exibem certificados após concluírem a formação que os habilita a leccionar em qualquer localidade da província
Fotografia: José Bule

Duzentos e dezasseis estudantes da Escola de Formação de Professores “Cor Mariae”, no Uíge, finalizaram com êxito os cursos médios de educação, nas especialidades de Língua Portuguesa, Geografia, Matemática, Física, Química, Biologia e História. Os novos professores foram apresentados durante a cerimónia de encerramento do ano lectivo daquela instituição.
 “Estamos a encerrar o terceiro curso de formação de professores da reforma educativa da Escola de Formação de Professores “Cor Mariae”, do Uíge. Estamos a testemunhar o cair do pano que consagra 216 técnicos médios da Educação. Por isso, o dia é vosso. Trilhásteis caminhos difíceis, espinhosos e tortuosos, mas tivésteis sempre presente o espírito de missão, de que um dia chegareis ao destino”, disse ontem o director provincial da Educação.
 Maculo Valentim Afonso, que presidiu ao acto de encerramento do ano lectivo da EFP, em representação do governador provincial do Uíge, reconheceu que os cinco anos de formação a que os recém-formados se submeteram, foram de grande batalha, onde os guerreiros só descansam quando a vitória lhes sorri.
 “E hoje a vitória é certa, porque resistísteis às agruras filosóficas e teimosas dos professores, pois estes, enquanto detentores do saber, nunca facilitam. De maneira nenhuma a aprendizagem é um processo de facilitação. A partir de agora, novas responsabilidades estão colocadas sobre os vossos ombros, dai exemplos de serem professores modernos, comprometidos com a sociedade e mostrai ao Uíge, ao país e ao mundo que aqui também existe educação”, apelou.
 O director provincial da Educação, Maculo Valentim Afonso, reiterou o desejo do governo do Uíge de assumir o compromisso que permite aos finalistas do curso médio de Educação que reúnam os requisitos necessários para o acesso à função pública, obtenham o seu primeiro emprego. “E assim o faremos dentro das normas estabelecidas, porque estes constituem a prioridade das prioridades dos concursos públicos realizados no sector da Educação”, concluiu. 
 A directora da Escola de Formação de Professores, Irmã Adelina Afonso, disse que a sociedade está em constante evolução e a educação escolar ocupa, nesta senda, o lugar primordial. “Podemos afirmar que todo investimento que se faz para a formação eficiente dos professores tornar-se-á uma alavanca, uma força motriz para o desenvolvimento da sociedade, porque é a educação que faz o homem, capacitando-o para transformar a sociedade, pelo que podemos e devemos pensar que uma sociedade sem educação é como um barco sem rumo”.
 A Irmã Adelina Afonso referiu que nem tudo foi um mar de rosas. Durante o período de formação dos novos técnicos houve carências de professores especializados e capazes de corresponder ao ensino das metodologias, nas especialidades de biologia, química, física, geografia e história. Segundo a responsável, esta lacuna foi suprimida por um grupo de colaboradores que não beneficiou de qualquer subsídio.
 A responsável aconselhou os novos professores a não se deixarem envolver em casos de corrupção, dignificando a escola que os formou e lutando todos os dias pelos objectivos ideais, não desperdiçando nenhuma das oportunidades que a vida lhes oferecer. “Mas para atingirdes a vitória, a vossa luta deve ser feita com a arma da humildade, a armadura da simplicidade e abnegação, a bússola da perseverança, do saber e da responsabilidade, içando bem alta a bandeira do amor à profissão”, concluiu.
 No Uíge, as infra-estruturas do antigo Instituto Médio Normal de Educação (IMNE) existem desde 1968 e, passados 42 anos, a escola necessita de reabilitação geral e urgente. A biblioteca da escola deve ser modernizada e actualizada, além de serem necessários espaços de lazer para os alunos e professores. Também faltam equipamentos para os laboratórios de biologia, física e química.
 “Se queremos apostar e melhorar a qualidade do ensino, urge velarmos pela escola que forma os professores, concedendo aos alunos um ambiente de ensino e aprendizagem mais adequado, passando pela criação de mais salas de aula, colocando em cada turma o número exigido pela reforma educativa, facilitando assim o trabalho dos professores”, disse a directora Adelina Afonso.
 Os finalistas, que já receberam os seus certificados, animaram a cerimónia de encerramento do ano lectivo da EFP com canções, danças e declamações de poesias. Também proporcionaram momentos de humor, onde cada um dos finalistas escolhidos para o efeito valorizou, com grande dose de humor, uma ou outra ciência, desvalorizando outras. No final, agradeceram à direcção da escola, professores, amigos, familiares e todos aqueles que de forma directa ou indirecta contribuíram para o êxito alcançado.
 Em 2010, a Escola de Formação de Professores admitiu 2.799 alunos, distribuídos em três níveis de ensino. O ensino primário absorveu 1.130 crianças, 685 frequentaram o primeiro ciclo do ensino secundário e 984 alunos matricularam-se no segundo ciclo do ensino secundário. Do número total de alunos matriculados desistiram 67, faleceu um, tendo sido avaliados 2.732 , com 2.320 aprovados e 412 reprovados.

Tempo

Multimédia