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Número de grávidas seropositivas no Uíge é preocupante

Valter Gomes| e Nicodemos Paulo| Uíge

Uma média de três casos positivos de VIH/Sida são detectados diariamente em grávidas atendidas nas consultas pré-natais da maternidade do Hospital Central do Uíge, revelou ontem a chefe da referida área.

Parceiros sexuais devem ser mais responsáveis para reduzir as doenças transmissíveis
Fotografia: Eunice Suzana

Madalena Anselmo disse ao Jornal de Angola que os números alcançados nos últimos quatro meses são assustadores e estão a preocupar as autoridades sanitárias da província.
A falta de cuidados de prevenção e o comportamento pouco responsável dos parceiros sexuais são apontados como os factores que estão na base do aumento dos casos de seropositividade naquela unidade clínica.
Para alterar este quadro, os técnicos da maternidade e da sala de aconselhamento do hospital provincial estão a promover palestras nas comunidades, unidades militares, escolas do II ciclo e noutras instituições, nas quais abordam os métodos de prevenção contra o vírus da sida e a importância do corte de transmissão vertical.
Madalena Anselmo garantiu que as grávidas com diagnóstico positivo são aconselhadas pelos técnicos de saúde e recebem imediatamente o tratamento adequado, para que o bebé nasça saudável.
“Assim que a mulher atinge os três centímetros de dilatação, aplicamos os métodos necessários e, 15 dias depois do parto, a paciente é encaminhada para a sala de aconselhamento, para receber também outros cuidados permanentes”, acrescentou a técnica.

Centenas de partos

Entre Janeiro e Abril deste ano, a maternidade registou 4.951 nascimentos, com 503 partos por cesariana e 24 nados mortos.
Os dados, em relação a igual período do ano anterior, representam um aumento de 22 cesarianas.O número de adolescentes grávidas que acorrem à maternidade do Hospital Central do Uíge e que apresentam um quadro de saúde preocupante é cada vez maior.
Madalena Anselmo apontou a idade, a má formação congénita e a automedicação como algumas das causas que levam muitas mulheres a terem partos por cesariana ou a ser submetidas a abortos.
A maior parte dos abortos feitos na maternidade são espontâneos e os técnicos acreditam que sejam fruto da ingestão de fármacos ou da utilização de outras práticas que podem interromper a gravidez. “Recebemos diariamente muitas meninas dos 15 aos 19 anos”, lamentou Madalena Anselmo, para quem as más condições sociais, a fuga à paternidade e o medo das adolescentes em revelar aos progenitores que estão grávidas podem ser alguns dos factores que motivam as meninas a optarem pelo aborto.

Noites ao relento

Madalena Anselmo reprovou o comportamento de muitos familiares de pacientes que criam aglomerados à entrada da maternidade e nos passeios, em vez de se acomodarem no alpendre, construído para o efeito no átrio daquela unidade hospitalar.
“Não há necessidade dos familiares estarem aqui, porque as parturientes são muito bem tratadas e acomodadas. Elas têm direito a pequeno-almoço, almoço e jantar”, explicou a responsável.
Referiu que a exposição ao ar livre origina uma série de enfermidades, que poderiam ser evitadas. “Conhecemos a realidade dos povos africanos, quando há doentes na família, dai a criação do alpendre”, disse.
A maternidade do Hospital Central do Uíge possui 48 camas, número insuficiente para atender condignamente a procura. A unidade, que assiste entre 40 a 50 mulheres diariamente, conta com a prestação de cinco médicos e de 36 técnicos, para assegurar os trabalhos de assistência médica.

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