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Oleiras recebem meios para as suas actividades

José Bule | Uíge

Na velha base de madeira, Esperança José coloca a massa de argila para fabricar jarras, cabaças, vasos e panelas de barro.

Executivo está a distribuir kits e a promover várias acções de formação para que as mulheres possam gerir os seus negócios
Fotografia: José Bule |

Na velha base de madeira, Esperança José coloca a massa de argila para fabricar jarras, cabaças, vasos e panelas de barro.
Ela usa técnicas rudimentares para confeccionar os utensílios, mas quem a vê trabalhar fica impressionado. A mulher oferece aos assistentes alguns momentos mágicos pela forma como amassa e alisa a argila até ganhar o formato do objecto que pretende fabricar.
Esperança disse que ganha a vida com este trabalho. Já lá vão muitos cacimbos de experiência na actividade de olaria. Depois de concluir o trabalho e contabilizar as dezenas de utensílios fabricados, na aldeia Lutanda, onde reside, a mulher percorre cerca de 12 quilómetros até à vila do Mucaba, para comercializar o produto. “O táxi não é difícil e custa apenas 100 kwanzas”, disse.
Pela qualidade do trabalho que realiza, a oleira recebeu há dias, das mãos da secretária de Estado para o Desenvolvimento Rural, Filomena Delgado, uma prenda muito especial: um equipamento moderno, que vai ajudar a melhorar a qualidade dos utensílios de olaria que fabrica, como os cestos, cabaças, jarras, vasos e panelas de barro.
Eva Mucueno, outra técnica artesanal de olaria, também recebeu um equipamento para desenvolver a sua actividade. Disse que o material chegou em boa altura, evitando que tivesse que recorrer ao micro crédito para melhorar a qualidade do seu trabalho.
A coordenadora da Associação das Mulheres do Nzambi, no município do Uíge, Margarida Alfredo Joni, em nome das senhoras da localidade, manifestou-se satisfeita com os bens que recebera e considerou ser um dia especial, d e de festa e de  muita festa alegria.
Gostávamos de ter aqui um centro de olaria para podermos desenvolver a nossa actividade e aumentarmos os nossos rendimentos familiares”, disse.A secretária de Estado para o Desenvolvimento Rural levou recentemente às populações residentes em Sanza Pombo, Milunga, Mucaba, Songo, Uíge, Quimbele e Cangola apoios consubstanciados em produtos alimentares e equipamentos para as mulheres rurais empreendedoras desenvolverem os seus negócios.
Filomena Delgado, que durante três dias percorreu diversos municípios da província do Uíge, distribuiu bens alimentares, como arroz, fuba de milho, açúcar, massa alimentar, óleo alimentar e leite em pó, assim como kits de costura, moinhos, equipamentos para olaria, bicicletas, enxadas, sabão, sabonetes e enxovais de cozinha às populações de Sanza Pombo e Milunga.
A governante afirmou que o gesto visou mostrar a solidariedade para com as populações daqueles municípios, principalmente as mulheres rurais, no sentido de combater a pobreza no seio das famílias.
Em Sanza Pombo, a responsável visitou também as crianças órfãs da Missão Católica local, onde doou bens alimentares e tecido para batas escolares.

Mais mulheres na agricultura

No segundo dia de trabalhos, Filomena Delgado deslocou-se com o mesmo objectivo ao Songo e Mucaba, tendo afirmado que as mulheres representam a maioria da população que pratica a agricultura nestas localidades.
 “Quero dizer que os produtos cultivados e escoados para outros pontos do país dependem do trabalho delas”, referiu.
Em 2007, quando foi criado o Programa de Desenvolvimento Rural, trabalhava-se com as associações de camponeses, constatando-se que “os homens eram os principais beneficiários e as mulheres continuavam a ter muitas dificuldades”, disse.
Filomena Delgado disse que essa situação era injusta, uma vez que as mulheres acordam muito cedo, cuidam da família e, muitas vezes, deixam as crianças tomarem conta de outros menores, acarretam água e vão à lavra. Fruto disso, salientou Delgado, centenas de senhoras não puderam estudar, pois dedicavam toda a sua vida à família.A responsável afirmou que o Executivo está preocupado com esta situação e daí que, para além dos apoios direccionados à juventude, está a melhorar a vida dos camponeses, através de apoios para ajudar as mulheres a desenvolverem os seus próprios negócios e tornarem-se cada vez mais independentes.

Acções de capacitação

Depois de formar as parteiras tradicionais, agora as atenções estão viradas para a formação das mulheres empreendedoras, para que possam melhorar as suas técnicas de trabalho, disse a governante.
Filomena Delgado informou que o Executivo já distribuiu milhares de kits profissionais e apoiou muitas cooperativas. “Estamos a promover várias acções de formação para que as mulheres rurais possam, da melhor maneira possível, gerir os seus negócios e participar activamente na resolução dos problemas que afectam a sociedade.”
A secretária de Estado referiu que muitas mulheres já beneficiaram de cursos profissionais que as ajudaram a manusear melhor os equipamentos que receberam e nos próximos dias outro grupo vai ser seleccionado para também participar numa acção de formação.
“Sabemos que muitas delas não têm possibilidade de recorrerem aos créditos bancários, daí estarmos a levar às comunidades alguns apoios em espécies para que estas possam dar início ou desenvolver as suas actividades”, disse.
O Programa de Apoio à Mulher Rural foi aprovado em Abril deste ano, tendo como prioridade a organização das mulheres em cooperativas, quer sejam elas agrícolas, de pecuária ou artesanato, quer sejam pastelarias, padarias, olarias, entre outras.
O programa, salientou a dirigente, também prevê a assistência às famílias mais vulneráveis com bens alimentares para minimizar as carências.
A vice-governadora para o sector político e social, Maria Fernanda da Silva, disse que as preocupações do Executivo nunca pararam e, por isso, continua a trabalhar para a melhoria das condições de vida das populações.“Chegou o momento de apoiarmos as mulheres empreendedoras da província, para que possam desenvolver melhor os seus negócios. O Executivo quer fortalecer as mulheres com formação, equipamentos e meios que vão ajudar a desenvolver melhor as suas actividades”, frisou.

As empreendedoras

A Associação de Oleiras do Lutanda é constituída por 65 mulheres que desenvolvem a actividade de forma rudimentar.
Além desta, a localidade possui também três associações camponesas do tipo familiar, integradas por mais de 70 membros, que produzem milho, feijão, jinguba, batata, mandioca, repolho, banana, entre outros.A sua população está estimada em 1.650 habitantes, maioritariamente mulheres, que se dedicam à olaria e à agricultura.

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