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Pacientes sem médicos para as consultas

Milton Eduardo| Uíge

Maria Fernando Cavungo, administradora municipal do Dange-Quitexe, está preocupada com o actual quadro sanitário que o município apresenta.

A assistência à população é garantida por técnicos médios e básicos que tudo fazem para se baixar o índice de mortalidade na região
Fotografia: Manuel Distinto

Maria Fernando Cavungo, administradora municipal do Dange-Quitexe, está preocupada com o actual quadro sanitário que o município apresenta. A falta de um médico que possa orientar as consultas médicas aos pacientes que procuram os serviços de saúde na localidade é um dos principais problemas que afectam o funcionamento normal do sector da saúde, em Dange-Quitexe.
Por isso, pede a intervenção urgente das estruturas de direito na solução do problema. Maria Cavungo afirma que o sector da saúde não pode funcionar como está, sem que haja pelo menos um médico que possa examinar os pacientes, antes de serem submetidos a um determinado tratamento. “Estamos preocupados com o funcionamento do sector da saúde, porque este universo populacional não tem um médico sequer, para os consultar, sujeitando-se apenas à intervenção dos poucos enfermeiros que temos”, afirmou.
Mas, ainda assim, continuou, “não baixamos os braços”. A administração tem implementado alguns projectos, no âmbito do Programa de Intervenção Municipal, que visa melhorar as condições de assistência nas unidades sanitárias localizadas nas sedes municipais e comunais. “Estamos a fazer algumas obras de canalização de água nas unidades sanitárias”, esclareceu.
O chefe da repartição municipal da saúde também lamenta a ausência de médicos no município de Dange-Quitexe. Kuavita Bamba referiu que, com a ausência de indivíduos com esta categoria profissional e académica a trabalharem no município, “não é possível haver atendimento personalizado, tendo em conta que há também um grande défice de enfermeiros capazes de responder à procura dos pacientes que acorrem diariamente às unidades sanitárias locais.
 
Agricultura em vias de desenvolvimento

Dange-Quitexe localiza-se a cerca de 41 quilómetros da cidade do Uíge. Possui uma população estimada em mais de 48.500 habitantes, maioritariamente camponeses, distribuídos por três comunas – Aldeia-Viçosa, Vista-Alegre e Cambamba – que se dedicam essencialmente ao cultivo da mandioca, banana, milho, feijão, amendoim, batata-doce e rena e arroz, entre outros produtos.
As 32 associações agrícolas controladas pelo sector da tutela beneficiaram de apoios do governo, para melhorarem a actividade agrícola. O executivo local distribuiu tractores às referidas associações e os meios estão a permitir o desenvolvimento da agricultura na região, tendo em conta que esta actividade, em muitos campos agrícolas, já não é realizada manualmente. Agora, as terras são lavradas mecanicamente.
“Felizmente não temos problemas de escoamento dos produtos cultivados pelos camponeses locais”, disse Cavungo. A estrada nacional Luanda – Caxito – Uíge, completamente asfaltada, atravessa as sedes comunais de Vista-Alegre e de Aldeia Viçosa, além da sede municipal do Quitexe, facto que assegura a livre circulação de pessoas e bens na região.
Só a via que liga a comuna de Cambamba necessita de reabilitação urgente mas, em contrapartida, os acessos às localidades mais recônditas do município, como aldeias e regedorias, embora degradados, não constituem grande obstáculo ao processo de escoamento dos produtos ali cultivados.
“Os nossos camponeses escoam os produtos a tempo e horas devido à grande movimentação de automóveis ligeiros e pesados ao longo da estrada que liga estas duas comunas à sede municipal”, explicou.
 
Combate à fome e à pobreza

No âmbito do Programa de Combate à Fome e à Pobreza, Maria Fernando Cavungo adiantou que os sectores sociais, como a educação, saúde, estradas e energia e águas, estão entre as prioridades definidas. De acordo com a administradora municipal, as acções vão incidir em obras de construção, reabilitação e apetrechamento de mais escolas, centros e postos de saúde, sistemas de captação e abastecimento de água e de melhoria no fornecimento de energia eléctrica.
Maria Cavungo acredita que o sector agrícola é o ponto de partida para o crescimento económico e social do município.
 “No Programa de Combate à fome e à Pobreza temos algumas acções que, naturalmente, pretendemos implementar no sector da agricultura, para ajudarmos as associações e as cooperativas locais a desenvolverem-se.
 Por isso, a administração municipal aposta na compra de mais dois tractores com as respectivas alfaias agrícolas, que vão contribuir ainda mais para o aumento da produção agrícola”, disse.
 
Município está a crescer

Há dois anos, Quitexe era das localidades consideradas mais atrasadas entre os municípios da província, em termos de desenvolvimento. Mas hoje o quadro é completamente diferente. Quitexe caminha a passos largos rumo ao desenvolvimento.
A melhoria do programa de distribuição de merenda escolar, extensão da rede de alfabetização, colocação de placas solares para a iluminação pública, construção de fossas sépticas, recolha de lixo e a realização de acções de formação das parteiras tradicionais, para melhorarem a qualidade dos serviços que prestam nas comunidades, fazem parte do Programa de Desenvolvimento Comunitário traçado pela administração municipal para o presente ano.
A vila municipal do Quitexe tem agora uma nova imagem, com a reabilitação e pintura das principais infra-estruturas existentes.
 Os passeios e lancis também beneficiam de obras de reabilitação. A nova imagem da rua que liga o comando da Polícia Nacional e a aldeia da Missão é um exemplo vivo do trabalho que está a ser feito na localidade. 
 
Educação em alta

O sector da educação é o que mais cresceu nos últimos anos, segundo a administradora municipal. “O sector está a trabalhar com muita força, tem muitos alunos matriculados e recebemos um número considerável de professores que estão a leccionar aqui na sede, nas comunas, nas regedorias e aldeias, onde existem escolas.
Por isso, podemos dizer que a educação, no Quitexe, está presente em todas as localidades e é, por isso, o sector no qual mais se nota o crescimento”, referiu.
Cavungo deplorou o facto de alguns professores colocados no município agirem de má fé, porque trabalham a meio gás, prejudicando assim os alunos.
A administradora referiu que existe um grupo de docentes que se ausentam injustificadamente.
“Mas há um outro grupo que alega motivos escolares. São estudantes do ensino superior, estudam na cidade do Uíge, onde permanecem muitos dias, em vez de voltarem com mais frequência, para cumprirem com mais responsabilidade o seu dever de ensinar”, deplorou.
Paulo Francisco, chefe da repartição municipal da educação, disse que o município possui 390 professores, distribuídos por 68 escolas do ensino primário, primeiro ciclo de ensino e do segundo ciclo do ensino secundário.
Mas, segundo o responsável, o número de professores ainda não é suficiente para responder à procura de alunos, e, para contrariar a situação, necessitamos de mais 90 professores para os diversos níveis de ensino.  Mais de sete mil alunos estão matriculados no presente ano lectivo no município de Dange- Quitexe, segundo Paulo Francisco.

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