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Pedida mais higiene aos terapeutas tradicionais

Joaquim Júnior | Uíge

O chefe do departamento da administração e finanças da Direcção Provincial da Saúde, no Uíge, apelou quinta-feira aos terapeutas tradicionais daquela parceça do país no sentido de primarem pela higiene e grau de profissionalismo no exercício das suas actividades.

Terapeutas tradicionais exortados a respeitarem as regras de higiene durante o exercício da actividade profissional
Fotografia: Eunice Suzana

Cogi Zua, que falava no acto de lançamento do projecto de levantamento da ficha de integração e controlo dos praticantes da medicina tradicional e natural, levado a cabo em todo o país, advertiu aos terapeutas no sentido de não fazerem do organismo humano um instrumento para testagem de práticas medicinais.
O responsável defendeu maior observância da higiene no manuseamento dos equipamentos e medicamentos usados nos centros de tratamento tradicionais, de forma a oferecer uma assistência de qualidade aos utentes.
Esclareceu que o lançamento do projecto vai permitir identificar os verdadeiros terapeutas que vão contribuir na cura de várias doenças que afectam a população e vão ser seleccionados os elementos credíveis.
O chefe do departamento da administração e finanças da Direcção Provincial da Saúde chamou atenção a todos aqueles que continuam a funcionar na clandestinidade a desistirem da tal prática, pois têm os dias contados com a implantação desta organização na província.
No Uíge, foram cadastrados e credenciados 7.468 terapeutas em menos de 30 dias. A província conta com mais de 14 mil pessoas que exercem a actividade.
Kitoko Maiavanga “Papá Kitoco”, coordenador da Câmara Profissional dos Terapeutas de Medicina Tradicional, Natural, Alternativa e não Convencional em Angola (CATEMETA), disse que a actividade está inserida no cumprimento das orientações da I Conferência sobre as Políticas de Medicina Tradicional e Práticas Complementares, que orienta a legalização e fiscalização da actuação dos profissionais da carreira, com vista a uma prestação de serviço de qualidade. “A medicina tradicional é hoje um anteprojecto que aguarda pela sua aprovação para ser integrada no Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário, pelo Ministério da Saúde. Isso chama a atenção da classe sobre a necessidade de haver maior organização para a obtenção da merecida licença da Inspecção Geral da Saúde”, referiu.
A província do Uíge concentra o maior número de praticantes de medicina natural. Kitoko Maiavanga disse que o facto de a região fazer fronteira com a República Democrática do Congo (RDC), as possibilidades de introdução de falsos terapeutas que possam colocar em causa o bom nome da classe é mais do que evidente. “A medicina é curativa e nem todos trabalham bem. Por isso precisamos de saber quantos somos, quem pratica e onde está localizado, para que a população saiba e beneficie deste serviço de medicina natural de qualidade”, referiu.
Referiu que o controlo vai também permitir a defesa dos interesses dos terapeutas tradicionais e capacitá-los melhor profissionalmente, através das escolas e hospitais que vão ser criados a nível do país.
Com o processo de cadastramento pretende-se criar um banco de dados com a listagem das plantas medicinais existentes na fauna e flora angolana.

Qualidade dos centros

Durante a sua estada na província, o coordenador da CATEMETA visitou alguns centros terapêuticos tradicionais localizados nos arredores da cidade do Uíge, tendo recomendado aos seus responsáveis a melhoria das condições de higiene, classificação dos medicamentos e uso de materiais de biossegurança.
Nos centros de medicina tradicional visitados, como o Bulantulo e ONG-ADA, o presidente da CATEMETA encontrou vários aparelhos electromagnéticos para observação do organismo humano, antes da aplicação da medicação, farmácias ervanárias, áreas de consultas e internamentos.
Sadoqui Bulantulo, responsável do centro medicinal com o mesmo nome, usa mais de 500 tipos de plantas para curar dezenas de doenças. Já o terapeuta Baptista João Monteiro disse que possui no seu centro plantas e raízes medicinais capazes de dar resposta aos problemas digestivos, respiratório, urinário, impotência sexual ou esterilidade.
O projecto de cadastramento dos terapeutas tradicionais teve início em Luanda e já passou pelas províncias do Namibe e Huíla. A Câmara Profissional dos Terapeutas de Medicina Tradicional, Natural, Alternativa e não Convencional em Angola (CATEMETA) é a entidade que controla e disciplina a actividade.

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