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Pequenos negócios para jovens no Uíge

Fula Martins |Uíge

Pelo menos 50 jovens, na província do Uíge, estão a criar micro-empresas e a empregar centenas de pessoas.

Jovens formandos durante aula prática nos pavilhões de artes e ofício
Fotografia: Fula Martins

Graças ao programa “Microcrédito Amigo”, cedido pelo Ministério da Administração Pública, Emprego e Segurança Social através do Banco de Poupança e Crédito, 50 jovens do Uíge estão a criar micro-empresas e a empregar centenas de jovens que se encontravam desempregados.
João Cajica, proprietário de uma recauchutagem e moagem no município do Negage, é um dos beneficiários do “Microcrédito Amigo” e assegura que, apesar dos valores que recebeu na altura serem irrisórios, conseguiu arrancar com uma micro empresa. Para ele, o programa veio ajudar muitos jovens que se encontravam desempregados ou, como era o seu caso, que desenvolviam trabalhos precários. Agora, graças ao dinheiro que ganha na sua micro empresa, consegue sustentar a família, os estudos e fazer o reembolso a que está obrigado.
De momento, o jovem empresário emprega dois jovens, havendo um terceiro que está sob observação, para serem testadas as suas habilidades. A perspectiva, explicou Cajica ao Jornal de Angola, é continuar a trabalhar, criar mais postos de trabalho, para poder ajudar outros jovens que se encontram desempregados, e adquirir mais máquinas para poder desenvolver o seu negócio.
Emanuel António Taka, outro beneficiário do programa e dono de uma alfaiataria no bairro da Missão, disse que o trabalho está a correr sem sobressaltos. Antes, trabalhava apenas com uma máquina de costura, mas com a obtenção do “Microcrédito Amigo” pôde adquirir outra máquina, o que lhe deu a possibilidade de empregar mais um jovem. “Pratico esta profissão de alfaiate há 13 anos e por isso não tenho tido dificuldades”, disse.
Emanuel Taka explicou que os clientes que diariamente acorrem à sua alfaiataria são, na sua maioria, mulheres que encomendam trajes africanos.
“Para além destes, também confeccionamos outros tipos de vestuário, como calças, blusas, saias e roupa para crianças”, explicou.
Todos os dias, contou o jovem alfaiate, é interpelado por raparigas interessadas em aprender a arte de corte e costura. Por isso, não tem dúvidas em afirmar que este programa veio ajudar os jovens mais desfavorecidos e espera que o Governo continue com a sua implementação.
Já a pensar no futuro, Emanuel Taka perspectiva ampliar a sua micro empresa, adquirir novos equipamentos e empregar mais jovens.

Centro de Formação do Negage

O Centro de Formação Profissional do Negage, localizada no bairro da Missão, a escassos quilómetros da vila, já formou, desde a sua inauguração em 2007, mais de 390 jovens nas especialidades de carpintaria, corte e costura electricidade e informática.
Joaquim Pecamena, director da referida instituição, garantiu ao Jornal de Angola que, no presente trimestre, estão em formação 133 jovens distribuídos pelos diferentes cursos. A formação em curso tem a duração de oito meses divididos em duas fases. “A primeira, que contempla a formação teórica dos jovens, tem a duração de dois meses, e a segunda tem incidência na formação prática, durante cinco meses, havendo ainda um mês suplementar de estágio em empresas”, adiantou. No entanto, para o presente ciclo formativo ainda não existem empresas disponíveis para receber os formandos em estágio. “Estamos a trabalhar no sentido de tentarmos encontrar algumas empresas que absorvam os jovens durante a fase de estágio”, disse.
Concluída a formação, os jovens podem dirigir-se ao Centro de Emprego da cidade de Uíge, vocacionado para o enquadramento dos formandos. Joaquim Pecamena precisou que o município do Negage sempre foi considerado um pólo de desenvolvimento da província e que, com o advento da paz, tem vindo a crescer a grande velocidade. Neste momento, acrescentou, algumas empresas aqui instaladas já estão a absorver jovens formados no centro.
A atribuição do microcrédito teve grande impacto no seio da juventude do Negage, esclarece este responsável, permitindo a muito deles conseguirem criar as suas micro empresas. “Pensamos que o programa “Microcrédito Amigo” deve continuar, porque vai permitir a muitos jovens no desemprego criarem emprego próprio” sublinhou. Actualmente, estão a funcionar no Negage sete micro empresas e 68 jovens já beneficiaram do programa.
Joaquim Pecamena lembrou que foi criado um grupo de trabalho, coordenado por si, que tem a tarefa de recolher os valores e efectuar o depósito junto de uma dependência do Banco de Comércio e Industria na província do Bengo, uma vez que não existe qualquer balcão no Uíge. Por essa razão, considera ser urgente a abertura de uma dependência na província, para facilitar o depósito dos reembolsos dos valores recebidos durante atribuição do micro-crédito por parte dos beneficiários.

Jovens em formação

A província do Uíge dispõe de um Centro de Emprego e outro de Formação Profissional, ambos localizados no município sede, havendo ainda pavilhões de formação de Artes e Ofícios no Uíge, Negage, Songo e Sanza Pombo e quatro centros móveis de culinária, electricidade e decoração, no Bungo e Uíge.
Alexandre Betuel Nicolau, director provincial da Administração Pública Emprego e Segurança Social, assegurou que a integração das unidades móveis veio aumentar a capacidade de oferta, em termos de formação profissional.
Por outro lado, manifestou-se satisfeito com os resultados que têm sido alcançados. “O balanço é positivo”, afirmou.
Na província, o “Programa de Fomento de Auto-Emprego” permitiu a criação de 50 micro empresas e de vários postos de trabalho. Por outro lado, segundo disse ao Jornal de Angola, o programa de Reforço e Melhoria da Disciplina Laboral continua a decorrer nas empresas de forma satisfatória.
São efectuadas palestras durante as quais são abordadas matérias relacionadas com a disciplina individual, férias, faltas e licenças, regime de protecção social e celebração de contratos de trabalho.

Formação

Centenas de jovens têm estado a receber formação nos Centros e Pavilhões existentes. Alexandre Nicolau adiantou que 1.118 jovens estão matriculados nos cursos de informática, carpintaria, electricidade, mecânica, serralharia e canalização.
A perspectiva, segundo esclareceu, é melhorar a qualidade dos serviços e formar jovens, tendo em conta os interesses dos empregadores. “Queremos adoptar programas e currículos à realidade das empresas”, sublinhou.

Reformados

Os serviços do Instituto Nacional de Segurança Social, na província do Uíge, têm 1.953 pensionistas registados nas diversas modalidades.
Alexandre Nicolau garantiu que o processo de prova de vida a nível da província está a decorrer sem sobressaltos e é contínuo. “Grande parte dos pensionistas já estão inseridos no sistema”, disse, acrescentando que, conforme vão aparecendo, a instituição vai processando o pagamento das pensões através do banco.
Reconheceu, contudo, existirem pensionistas com pensões canceladas. Uma situação que está a ser resolvida, depois dos pensionistas nestas circunstâncias preencherem as fichas de reclamação devidamente acompanhadas pelos documentos de identificação, sendo posteriormente enviadas para Luanda para serem desbloqueadas.
Alexandre Nicolau realçou que a sua instituição pretende ter o controlo de todos os pensionistas, aumentar o número de contribuintes e beneficiários do sistema e divulgar os objectivos da segurança social na província.
Na sua opinião, o processo de pagamento das pensões através de transferência bancária caminha a bom ritmo, graças à adesão dos pensionistas.
“Na formação do processo de reforma e de sobrevivência já consta o número da conta bancária, do BPC e o requerimento necessário”, explicou.
Alexandre Nicolau disse ainda que uma das vantagens deste processo consiste no facto dos reformados deixarem de se acumular à porta da instituição para levantarem os seus ordenados. Com este sistema os pensionistas têm a vida facilitada, considerou, já que “têm a sua pensão depositada na conta e em qualquer ponto do país podem efectuar o seu levantamento”.

Obras do SIAC concluído

Alexandre Nicolau, director provincial da Administração Pública do Uíge, disse que as obras de construção do Sistema Integrado de Atendimento ao Cidadão (SIAC) estão em fase de conclusão. O serviço vai atender as populações dos bairros Popular, Mbemba Ngango, Papelão e Dunga. “Isto mostra que o Governo está a prestar muita atenção à província do Uíge”, reconheceu.

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