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Pessoas com albinismo têm direitos protegidos

Joaquim Júnior | Uíge

As pessoas albinas da província do Uíge têm, nos próximos tempos, os seus interesses mais protegidos e melhor defendidos, com a criação do secretariado local da Associação de Apoio aos Albinos de Angola (4As), anunciou ontem o secretário provincial da associação.

Província do Uíge já tem secretariado local da Associação de Albinos de Angola para melhor defender os interesses dos associados
Fotografia: Mavitidi Mulaza | Uíge

A Associação de Apoio de Albinos de Angola elegeu David Paulo Bunga para representante provincial, numa cerimónia presenciada por membros do Governo Provincial e representantes da sociedade civil.
O secretário provincial da Associação de Apoio de Albinos de Angola apresentou como linhas de força o combate à estigmatização, através de campanhas de sensibilização junto das comunidades, com vista a esclarecer a população sobre o que é o albinismo do ponto de vista científico. Para além disso, David Paulo Bunga disse que  pretende realizar encontros permanentes com as pessoas com albinismo.
O conselheiro nacional da Associação de Apoio de Albinos de Angola, Guilherme Santos, disse que a instalação de uma representação da associação na província do Uíge facilita o processo de registo de albinos, a sensibilização da população sobre e a mobilização de apoios junto das instituições estatais, busca de apoio moral, financeiro e prestação de serviços que ajudem a minimizar os problemas que afligem as pessoas com albinismo. “A associação serve como um instrumento de legitimidade de negociação e de diálogo com as outras instituições da sociedade, dai que a estratégia é fortalecer o movimento de apoio nacional e internacional”, disse Guilherme Santos, que garantiu a dotação da organização de capacidade para negociar e criar programas que beneficiem o grupo, além de interceder junto do Estado para solução das questões de ordem médica.
A Associação de Apoio aos Albinos de Angola existe no país desde 2013. A nível central, a organização integra mais de 400 membros, entre albinos e  não albinas interessados. Angola é dos países de África que apresenta níveis aceitáveis de tolerância em relação ao albinismo, em comparação com a Tanzânia, Ruanda, Burundi, Moçambique e outros países, onde o fenómeno gera mortes, estigma e acções supersticiosas.
O conselheiro nacional da Associação de Apoio de Albinos de Angola assegurou que a sociedade angolana favorece a mobilidade dos albinos, apesar de existirem ainda algumas queixas de exclusão em algumas localidades menos informadas. Guilherme Santos referiu que, nos últimos 40 anos, o crescimento das sociedades urbanas facilitou o acesso a informações que ajudaram a dissipar os tabus anteriormente vividos.
O conselheiro destacou a integração de alguns albinos em cargos públicos de relevância no país como factor que levou as pessoas a quebrarem os mitos sobre este fenómeno biológico. “Em Angola os albinos não têm grandes motivos de queixa. Reina um clima de tolerância, tudo porque as pessoas que vivem nas zonas urbanas estão cada vez mais consciencializadas das razões do surgimento do albinismo, derivadas da genética”, disse.

Mais apoios


Guilherme Santos afirmou que as grandes questões das pessoas com albinismo no país prendem-se mais com a fraca capacidade económica das famílias a que muitos dos albinos pertencem, o que dificulta dar resposta positiva aos cuidados especiais de saúde que necessitam, ligados essencialmente à baixa visão e à fragilidade da pele.
Guilherme Santos explicou que a maior parte dos albinos tem uma baixa visão, por não possuírem pigmentos na pele, nos cabelos, nos pelos e nos olhos, factores que afectam a vista e fragilizam a epiderme. “A ausência de cuidados especiais dão origem à manchas e queimaduras, que podem evoluir para o cancro da pele”.
Para Guilherme Santos, a solução destes problemas passam pelo direccionamento de políticas de saúde, que dão acesso fácil às consultas de oftalmologia e dermatologia nos hospitais do país, por serem as áreas mais solicitadas pelos albinos.
Guilherme Santos defendeu, por outro lado, a existência nas comunidades de oftalmologistas e dermatologistas com muita experiência em questões ligadas aos albinos, bem como de instrumentos próprios para superar o problema desta parte da população.

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