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População do Henda a viver dias melhores

Milton Eduardo| Uíge

A aldeia do Henda, localizada a oito quilómetros da cidade do Uíge, começa a renascer dos escombros da guerra. Com a conquista da paz, a sua população, estimada em 3.682 habitantes, distribuídos por cinco regedorias, está a cultivar banana, mandioca, amendoim, feijão, dendém e café para sobreviver.

A aldeia do Henda, localizada a oito quilómetros da cidade do Uíge, começa a renascer dos escombros da guerra. Com a conquista da paz, a sua população, estimada em 3.682 habitantes, distribuídos por cinco regedorias, está a cultivar banana, mandioca, amendoim, feijão, dendém e café para sobreviver.
A via de acesso à localidade desde a cidade do Uíge foi reconstruída, o que está a facilitar a livre circulação de pessoas e bens. Hoje, os camponeses estão satisfeitos pelas facilidades que encontram no escoamento dos produtos cultivados.
No ano passado, os camponeses da comunidade venderam mais de 600 sacos de café mabuba, sem grandes dificuldades, por causa das boas condições das vias de acesso.
Os agricultores, desde Janeiro último, colheram mais de 200 sacos de café, que já estão a ser preparados para serem comercializados, garantiu o soba Laurindo dos Santos.
A população da comunidade está satisfeita com as condições de vida. “Agora estamos a viver bem. A nossa comunidade ganhou, nos últimos anos, um centro e três postos de saúde, três escolas, que já estão apetrechadas com carteiras e quadros”, disse o soba Laurindo dos Santos.
A localidade de Henda tem 33 professores que asseguram o processo de ensino e aprendizagem. Duas escolas, uma de duas e outra de seis salas, são frequentadas por 473 alunos, matriculados no ensino primário.
Laurindo dos Santos disse que os professores são insuficientes para responder às necessidades dos alunos, embora reconheça que têm feito grandes esforços para levar avante o processo de ensino e aprendizagem.
“Nós vamos precisar de muitos professores, principalmente agora que queremos instalar, na comunidade, uma escola do primeiro ciclo do ensino secundário”, disse o soba para quem a concretização desta intenção vai ajudar os alunos da comunidade.
A aldeia do Henda precisa de escolas de outros níveis para que os alunos não fiquem apenas no primeiro nível. Helena Domingos Laurindo, 16 anos, aluna da sexta classe, já começou a pensar no futuro, uma vez que vai finalizar o ensino primário. Está preocupada com a continuidade dos estudos, visto que as escolas onde pode frequentar a fase seguinte ficam muito distantes da aldeia.
“Estou feliz por estar a estudar a sexta classe aqui na aldeia. No fim do ano conto ser aprovada.
 Mas estou preocupada, porque aqui não temos a sétima classe”, lamentou.
 
Água nas torneiras

Um sistema de abastecimento de água potável por gravidade e um reservatório constituído por quatro tanques foram instalados na aldeia do Henda. Cada um dos reservatórios tem capacidade para 15 mil litros.
O soba Laurindo dos Santos disse que o projecto melhorou consideravelmente a vida dos habitantes da aldeia, uma vez que deixaram de percorrer grandes distâncias em busca de água.
“O tempo é outro, estamos felizes com o trabalho do governo”, afirmou. Fernanda José, moradora no Henda, disse que a instalação do sistema de abastecimento de água está a ajudar muito, pois hoje a qualquer hora os residentes retiram água do chafariz: “nós temos dito que consumimos água benta, porque nunca mais ninguém se queixou de doenças”, afirmou o soba.
Os geradores constituem as únicas fontes de energia eléctrica nas casas e estabelecimentos comerciais da localidade. A população precisa urgentemente de um grupo gerador.
A instalação do sistema, segundo os moradores do Henda, permite o uso de mais electrodomésticos, conservação de frescos e manter as ruas iluminadas, o que ajuda a diminuir os índices de criminalidade.“O sinal da TPA chega sem problemas, mas não conseguimos acompanhar todas as informações que acontecem no país, devido à carência de combustível para os geradores”, disse Bernardo Cunga.
 
Saúde em dificuldades
 
Joana José e Carolina Kaluquembi são duas profissionais de saúde, colocadas na aldeia do Henda, onde desempenham a função de enfermeiras há mais de três anos. Apesar das dificuldades de vária ordem, elas fazem tudo para garantir uma boa assistência aos pacientes que acorrem às unidades sanitárias.
As enfermeiras, que trabalham de segunda a sexta-feira, acreditam que os seus esforços estão a ser compensados. “Estamos a salvar muitas vidas, na aldeia do Henda, onde atendemos entre 15 a 20 pacientes por dia”, afirmou Joana José.
A diarreia e a malária dominam a lista de doenças mais frequentes na localidade. A unidade sanitária do Henda tem dois quartos para internamento, um sector de conservação de medicamentos, área administrativa e instalações sanitárias.
Segundo as enfermeiras, os casos graves são transferidos para o Hospital Central do Uíge. Mas, por falta de uma ambulância, os pacientes são obrigados a recorrer aos serviços de táxi e, de noite, pela ausência dos taxistas, os parentes são evacuados em tipóias, com ajuda dos parentes. Na aldeia, boa parte dos partos, segundo as técnicas de saúde, são realizados por parteiras tradicionais, a partir de métodos rudimentares.
“O centro não tem equipamentos, nem condições para os serviços de partos, por isso quando não há nenhuma parteira tradicional disponível, as parturientes são evacuadas para a maternidade do Hospital Central”, disse Joana José.

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