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Portadores de deficiência querem mais apoios

António Capitão| Uíge

O coordenador provincial do Uíge da Associação Nacional de Cegos e Amblíopes de Angola (ANCAA) defendeu, ontem, mais apoios às pessoas portadoras de deficiência visual, para que este grupo vulnerável da população angolana melhore as suas condições de vida.

Defendida a necessidade dos portadores de deficiência serem enquadrados nos programas de formação técnico-profissional
Fotografia: Mavitidi Mulaza| Uíge

Fernando Dala, que falava à margem do seminário promovido pela ANCAA com o objectivo de transmitir e capacitar os seus associados sobre matérias constantes na resolução da convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os direitos das pessoas portadoras de deficiência, considerou exíguos os apoios que recebem das instituições públicas e privadas, porque ainda não facilitam a melhor inserção dos mesmos na vida socioeconómica da província.
Referiu que os filiados da associação de cegos  recebem apenas, da Direcção Provincial da Assistência e Reinserção Social, produtos que correspondem à cesta básica alimentar.
Fernando Dala defendeu a necessidade dos deficientes serem enquadrados nos programas de formação técnico-profissional e beneficiarem de instrumento de serralharia, costura, recauchutagem, moagens e outros, no sentido de poderem contribuir para o êxito do Programa de Geração de Trabalho e Renda.
“Além da cesta básica nunca beneficiamos de acções de formação técnico-profissional nem de instrumentos de trabalho. Apelamos a sociedade no sentido de se juntar aos esforços do Executivo com vista a darmos o nosso contributo para o desenvolvimento da província, em particular, e do país, em geral”, disse.
O coordenador provincial da Associação Nacional de Cegos e Amblíopes de Angola, Fernando Dala, destacou a atenção prestada pela Direcção Provincial da Assistência e Reinserção Social na entrega de chapas de zinco e outros materiais de construção  civil aos associados, para a construção das suas residências. Luís Panzo, que representou a direcção provincial do Ministério da Assistência e Reinserção Social no Workshop, disse que a instituição tem vindo a desenvolver  acções que visam promover e divulgar os direitos fundamentais  das crianças e das pessoas portadoras de deficiência.
O responsável acrescentou que o objectivo é permitir que os grupos alvo tenham a possibilidade de escolher onde e com quem viver, em igualdade de oportunidades, acesso a variedades de serviços e apoios.

Inserção na sociedade

Fernando Dala disse que a associação tem como objectivo garantir emprego aos seus associados com alguma formação. Lembrou que um dos membros da ANCAA que estudava numa das escolas do ensino especial já foi inserido nos quadros do Ministério da Educação, como professor, no último Concurso Público de Ingresso, realizado na província.“Depois de ter concluído a formação e demonstrar aptidões para o cargo, solicitamos uma vaga na Direcção Provincial da Educação e esta admitiu-o como professor”, explicou.
O coordenador provincial da ANCAA avançou que a instituição, em parceria com a Escola de Ensino Especial, continua a formar e capacitar mais associados para que nos próximos anos possam também concorrer a algumas vagas para reforçarem o quadro de docentes daquele estabelecimento escolar, onde só estudam pessoas portadoras de deficiência motoras e físicas.
“Quanto à inserção dos portadores de deficiência visual na função pública não temos reclamações, porque o primeiro aluno que formamos foi integrado na Educação.
As pessoas portadoras de deficiência conseguem ser eficazes e eficientes no local de trabalho, por isso as entidades públicas e privadas devem priorizá-las quando pretendem recrutar funcionários”, disse.
A resolução saída da Convenção da ONU para os Direitos das Pessoas Portadoras, realizada em 2006, em Nova Iorque, defende o respeito à privacidade, respeito pelo lar e pela família, educação, saúde, habilitação e reabilitação, trabalho e emprego, padrão de vida e protecção social adequados, participação na vida política e pública, participação na vida cultural e recreação.

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