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Produtos melhor conservados

Joaquim Júnior | Uíge

Vendedores do Bairro Quindenuco, arredores da cidade do Uíge, passam a exercer a sua actividade num espaço mais seguro e higiénico, com a entrada em funcionamento do novo Mercado Municipal.

Momento em que o vice-governador Afonso Luvilucu interagia com uma das vendedoras do novo mercado municipal
Fotografia: Eunice Suzana | Edições Novembro | Uíge

O Mercado, com 144 bancadas feitas de betão e concebidas para acolher mais de 200 comerciantes, dispõe de uma vasta zona reservada a contentores de frescos, 24 quiosques, área administrativa, casas de banho e pequenos lavatórios. Foi ainda instalado um gerador de 120 quilovolts.
O vice-governador do Uíge  para o sector Técnico e Infra-Estruturas, Afonso Luviluco, considerou o espaço um lugar de comércio seguro para os vendedores, ambulantes e zungueiros que todos os dias comercializam produtos nas ruas da cidade, pondo em risco as suas vidas.
“Penso termos ultrapassados um dos grandes desafios, com a construção deste estabelecimento. Temos de trabalhar para retirar os cidadãos que teimam em vender em locais inadequados, pondo em risco as suas próprias vidas. Penso não haver mais  necessidade de vermos pessoas a comercializarem produtos em qualquer esquina”, sustentou o vice-governador.
Afonso Luviluco recomendou à Administração Municipal do Uíge que trabalhe com a  empresa gestora do Mercado Municipal para tornar o espaço mais moderno, referindo que a receita a arrecadar nas taxas de fiscalização deve servir para melhorar  as condições de higiene do local. O governante pediu aos vendedores para primarem pela higiene do espaço e evitarem o surgimento de doenças, e lembrou que “ali onde se comercializam frescos, quando não são bem nauseados, cria-se um mau ambiente, e não é isso que se pretende”.
O representante da Ava Zua, gestora do Mercado, Zombo Zua João, disse que a empresa prevê adoptar uma política de gestão participativa para se manter a higiene e organização moderna do espaço.
A vendedora de produtos do campo, Madalena Tuluca, mostrou a sua satisfação com a abertura do novo espaço e disse que, no passado, vendia na rua e com muitos riscos. “Criadas que estão as condições no novo Mercado, não temos agora como regressar às ruas, porque o governo tudo fez para melhorar o nível de vida das populações, sobretudo das zungueiras”, salientou Madalena.
O soba do Bairro Quindenuco, Afonso Catuzeico, considerou de extrema importância a  entrada em funcionamento do Mercado Municipal, pois muitas famílias vêem o seu problema estabilizado. Afonso Catuzeico congratulou-se com o esforço das autoridades com o investimento realizado, mas lembrou ser importante a instalação de um posto da Polícia Nacional para prevenir assaltos e outros crimes.

Melhor organização


A Administradora Municipal do Uíge, Catarina Pedro Domingos, disse que o espaço foi construído para conferir maior nível de organização ao comércio ambulante na cidade, que era feito de forma desordeira, sobretudo na selecção dos produtos comercializados.
De acordo com a responsável, o Mercado Municipal vai servir apenas vendedores de vestuário, electrodomésticos e produtos industriais não alimentares. Catarina Pedro Domingos explicou que o Mercado Municipal já existente no centro da cidade, devido à sua especificidade, é reservado a “um negócio um pouco mais misto”, salientando que o Mercado do Bairro Quindenuco se ocupará da venda de peixe, produtos agrícolas, vestuários, recargas telefónicas e serviços que auxiliares.
“Vamos primar por uma organização rigorosa. Teremos de repartir o espaço em secções para que tenhamos uma venda direccionada, de modo a facilitar a vida ao cliente, para  não ter dificuldades em localizar o artigo que pretende”, disse Catarina Domingos.
A Administradora disse ser fundamental manter a organização que, ao seu ver, também passa pela sensibilização das pessoas para afluírem ao Mercado e  pelo registos dos vendedores. Até ao momento foram inscritos 90 por cento dos vendedores ambulantes da cidade.
Quanto aos vendedores do Mercado Municipal do centro da cidade, que querem encerrar o espaço, a responsável desdramatizou o caso e disse não haver razões para tal. “Não há intenção da Administração Municipal em retirar o Mercado Municipal do centro da cidade, mas sim impedir aqueles que vendem em lugares impróprios e serem encaminhados para um local mais seguro e higiénico. Aqui vêem todos, desde a zungueiras, as vendedoras das esquinas, das ruas e as processadoras de peixe e carne”, sublinhou Catarina Domingos.
Transporte
A distância não constitui um problema para o funcionamento do novo Mercado Municipal. Aos poucos, zona vai perdendo a característica de área rural.

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