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Professores do futuro fazem estágio em viagem

Joaquim Júnior| Negage

Um grupo de 90 estudantes da Escola de Formação de Professores do Futuro do Negage, Uíge, está desde Agosto em viagem pela Namíbia, Botswana, Zâmbia, Tanzânia e Zimbabwe, para frequentar aulas teóricas e práticas correspondentes ao primeiro período de formação, no âmbito do programa de melhoria da qualidade do ensino no país.

O programa em curso na província está a permitir a elevação da qualidade da apliacação da metodologias utilizadas no ensino primário
Fotografia: Filipe Botelho|

O director em exercício da Ajuda de Desenvolvimento de Povo para o Povo (ADPP) do Negage, Pacheco Cutonda, explicou que a viagem dos estudantes a países da África Subsaariana resulta do novo programa de formação de professores, que vigora desde Fevereiro.
O referido programa, que alterou a duração do curso de professores ministrado pela ADPP de dois anos e seis meses para três anos, está a permitir a elevação da qualidade da aplicação das metodologias utilizadas no ensino primário.
Pacheco Cutonda adiantou que o novo método tem por objectivo mudar a perspectiva dos professores e equipá-los com experiências práticas, que lhes permitam trabalhar e ensinar os alunos dentro do sistema da monodocência e nas escolas das áreas rurais, ao contactarem de perto com as dificuldades por que passam os outros países nos diferentes sistemas de ensino.
Repartidos em três grupos de 30 elementos cada, os professores do futuro circulam naqueles países de autocarro e adquirem experiência sobre como ultrapassar os obstáculos, através dos contactos feitos com os responsáveis, docentes e alunos de vários estabelecimentos de ensino.
O director em exercício da ADPP explicou que esta mudança surge na perspectiva de pôr o formando a contemplar aquilo que teoricamente aprende nas aulas, para perceber como é na prática. O estágio dos estudantes naqueles países termina a 14 Novembro, altura em que os futuros professores regressam à escola para prosseguirem formação e partilharem as experiências obtidas na digressão com os colegas que ficaram no país.

Novos docentes

A ADPP tem, neste momento, um total de 290 estudantes a frequentar o curso de formação de professores do futuro, prevendo-se que 93 deles o concluam ainda este ano. O estágio de fim de curso decorre em 37 escolas dos municípios do Uíge, Negage, Puri, Cangola, Milunga, Sanza Pombo, Buengas, Mucaba, Songo, Damba, Maquela do Zombo, Quitexe, Bembe e Bungo, etapa que antecede a realização dos exames finais.
 Pacheco Cutonda esclareceu que os 107 estudantes que se encontram no internato a frequentar o ­segundo período de formação também vão realizar um estágio no estrangeiro, no próximo ano lectivo.

Dificuldades de energia e água


A escola da ADPP, que dispõe de oito salas de aulas e duas de conferência, laboratórios de informática, biblioteca e uma área de internato para professores e alunos, debate-se com o problema da falta de energia eléctrica.
Nesta altura, o fornecimento de luz é sustentado por um grupo gerador que já apresenta inúmeras avarias, daí que os responsáveis da instituição estejam a pedir que a escola seja abastecida de energia proveniente de Capanda, já consumida pelos habitantes do município do Negage.
No capítulo da água, os dois reservatórios de três mil litros cada são insuficientes para abastecer da melhor maneira a área de internato, a qual Pacheco Cutonda tem o desejo de ver a capacidade aumentada de 100 para 150 alunos em cada período de formação.
Outra dificuldade relaciona-se com a falta de subsídios para estudantes em fase de estágio, colocados nas 14 escolas da província, uma vez que grande parte deles trabalha nas zonas rurais, onde nem sempre encontram apoio das comunidades locais.
Aberta em 2007, a ADPP do Negagem, na província do Uíge, já formou 330 professores, que contribuem com o seu saber na formação da nova geração nas distintas localidades da província e do país.

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