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Professores do futuro lançados no mercado de trabalho

Milton Eduardo | Negage

Durante dois anos e meio, Edna Morais, 23, foi obrigada a afastar-se da família, em Luanda, para poder realizar o velho sonho de ser professora.

Os novos professores comprometem-se em trabalhar em qualquer lugar
Fotografia: Manuel Distinto | Uíge

Durante dois anos e meio, Edna Morais, 23, foi obrigada a afastar-se da família, em Luanda, para poder realizar o velho sonho de ser professora.
O internato da Escola de Professores do Futuro (EPF), no município do Negage, província do Uíge, ajudou-a aprender a arte de ensinar.
Edna diz ter sido uma experiência ímpar, pesada por ter ficado longe da minha família, mas que se sente satisfeita por ter conseguido concretizar um dos maiores projectos da sua vida, pelo que o resto deixa ao destino.
“Estou tão feliz, que já não quero lembrar-me das dificuldades por que passei durante o período de formação”, disse a recém-formada pela Escola do Futuro do Negage, para quem os jovens devem reflectir seriamente sobre as carreiras a seguir, evitando fazer escolhas apressadas.
O futuro de qualquer pessoa, disse, ao Jornal de Angola, depende, em grande medida, da sua formação académica ou profissional.
“Já não tenho medo de enfrentar o mundo, já que depois de concluir a formação, sinto-me preparada para dar o contributo em prol do desenvolvimento do país”, afirmou.
Com “uma lágrima no canto do olho”, Lourenço Sebastião António, tio de um dos finalistas, também era um homem feliz. Estava visivelmente emocionado, tendo confessado que não acreditava que o sobrinho pudesse terminar o curso na Escola de Professores do Futuro.
“Ele ameaçava desistir devido às dificuldades que enfrentava, mas, agora, vejo o meu menino pronto a ensinar”, regozijou-se.
 
Ensino primário mais reforçado

Localizada no município do Negage, a Escola de Professores do Futuro, adstrita à Organização Não-Governamental ADPP Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo (ADPP), colocou, na última sexta-feira, mais 84 novos professores no mercado para assegurar o processo de ensino e aprendizagem nas comunidades.
Os formados, que são professores preparados para leccionar o ensino primário, receberam, durante o curso, conhecimentos em matérias que reflectem as diversas situações que as comunidades rurais vivem. Os finalistas tiveram oito períodos curriculares, onde aprimoraram conhecimentos sobre o mundo e o país, bem como de práticas e oficinas pedagógicas, além de terem frequentado um estágio, com a duração de um ano lectivo.
O director provincial em exercício da Educação do Uíge, Mendes Lisboa, que encerrou o curso, lembrou que aos 84 professores recém-formados coloca-se o desafio de contribuírem com o seu modesto esforço para que até 2015 possam melhorar o processo de ensino e aprendizagem nas escolas do ensino primário das comunidades rurais.
“Os novos professores devem ajudar na luta contra o analfabetismo. O governo da província reconhece o grande contributo que a Escola de Professores do Futuro tem prestado no engrandecimento e fortalecimento do sistema educativo”, disse.
Aquele responsável reconheceu a qualidade dos professores que são formados pela escola e apelou à disponibilidade dos recém-formados para trabalharem onde forem colocados, principalmente nas zonas rurais e mais recônditas.
Mendes Lisboa reconheceu também os esforços e a contribuição dos jovens formados na EPF nas campanhas de alfabetização, preparação de professores em exercício de funções e realização de palestras sobre a malária e HIV-Sida.

Homens de cultura e da paz

O director da Escola de Professores do Futuro do Uíge, Mpaka João, sublinhou que os jovens que terminam a formação na instituição tornam-se homens e mulheres capazes de ajudarem a sociedade, tornando-se não professores, mas também pessoas da cultura e da paz.
“Estamos satisfeitos pela forma como os estudantes realizaram o estágio nas zonas rurais. A profissão que escolheram não é fácil, mas têm a obrigação de ajudarem e de contribuirem nos objectivos do Ministério da Educação, tendo em conta a expansão do ensino”, disse.
Mpaka Garcia referiu que na formação de professores não se improvisa, investe-se.
Neste contexto, a Escola de Professores do Futuro está a investir e a formar os professores que vão ajudar a erradicar o analfabetismo e a pobreza.

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