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Programa de ajuda aos camponeses pode incentivar empreendedorismo

António Capitão |Uíge

As políticas traçadas pelo Executivo angolano para financiar os agricultores de todo o país foram destacadas segunda-feira, na província do Uíge, pelo economista e docente universitário Júlio Espanhola.

Governo apoia camponeses no âmbito do programa de comabate à fome e à pobreza
Fotografia: Jornal de Angola

As políticas traçadas pelo Executivo angolano para financiar os agricultores de todo o país foram destacadas segunda-feira, na província do Uíge, pelo economista e docente universitário Júlio Espanhola.
De acordo com o académico, o crédito de campanha, que atribui inputs agrícolas aos camponeses, no valor de cinco mil dólares, e outros financiamentos de grandes projectos, que atingem os 500 mil dólares, vão contribuir de forma significativa para a elevação do espírito empreendedor no país, sobretudo nas comunidades rurais.
O economista Júlio Espanhola fez essa constatação durante uma palestra que juntou, na sala de sessões do comité provincial do MPLA, estudantes universitários, gestores públicos e militantes da JMPLA, sobre “O Impacto do Empreendedorismo na Era do Crescimento Económico de Angola”.
Para o economista, essas políticas, além de servirem de impulso à produção agrícola e ao desenvolvimento do sector agrário, no país, “vão fomentar, o espírito empreeendedor e contribuir para a melhoria das condições de vida das populações, sobretudo daquelas que dependem da agricultura como única forma de sustento”.
Júlio Espanhola defendeu que devem ser desenvolvidas outras acções que facilitem a actividade dos agricultores, como a construção e reabilitação das vias de acesso, para o escoamento dos produtos cultivados, e a criação de mercados, onde os camponeses, associações e cooperativas possam comercializar os seus produtos.
O economista referiu que a revitalização da indústria, sobretudo a transformadora, pode ser o mecanismo eficaz para o sucesso desses programas, uma vez que os agricultores vão ter mercados fixos para comercializar os seus produtos.
“Não se pode potenciar os agricultores com recursos financeiros, inputs e outros equipamentos, nas zonas rurais, sem que hajam estradas para poderem escoar os produtos, sem haver mercados para a comercialização dos mesmos ou sem uma entidade que tenha como matéria-prima, para o seu processo de produção, os produtos do campo, porque, dessa forma, os bens produzidos em grande escala deterioram-se e os agricultores ficam sem capacidade para reembolsar o capital emprestado”, sublinhou.
Apoiando-se em dois conceitos de empreendedorismo, por necessidade e por oportunidade, Júlio Espanhola defendeu que os jovens devem aproveitar as oportunidades dadas pelo Executivo para criar pequenas e médias empresas e contribuírem para a redução do desemprego no país. “As economias começam a sentir o impacto do seu crescimento quando aumentam as exportações dos bens produzidos, provenientes da produção excedentária. Mas, para que isso aconteça, é necessário que haja maior investimento no sector não petrolífero, onde as iniciativas privadas podem contribuir de forma significativa”, frisou.

Burocracia

Júlio Espanhola considerou a burocracia que se verifica nos organismos de direito, para o licenciamento de certas actividades comerciais, industriais, de construção civil e prestação de serviços, hotelaria e turismo e outras, como um dos principais obstáculos ao espírito empreeendedor.
O economista alertou para a necessidade de serem cumpridas as 72 horas estipuladas para a conclusão dos processos de reconhecimento jurídico das empresas e o devido licenciamento.
 Espanhola referiu que “muitas das iniciativas, que podem contribuir para o crescimento da economia angolana, não são materializadas, devido à morosidade na cedência das licenças”.
“O Executivo tem criado vários incentivos para fortalecer o espírito empreendedor dos angolanos, mas as burocracias existentes para a formulação dos documentos que licenciam o exercício de certas actividades dificultam ou mesmo desmotivam o espírito empreendedor”, concluiu Júlio Espanhola .

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