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Progressão de ravinas ameaça a população

José Bule | Uíge

As ravinas estão a tomar conta de algumas aldeias e bairros da província do Uíge, uma consequência da falta de infra-estruturas de saneamento e dos deficientes sistemas de drenagem, alertou ontem o director local do Urbanismo e Construção, Seluyeki Manuel.

Vários programas socioeconómicos estão paralisados pelo alastramento de ravinas que tomam conta da província
Fotografia: José Bule | Edições Novembro

O responsável provincial do sector disse que as ravinas estão a destruir imóveis e vias de comunicação e colocam em perigo a vida de centenas de munícipes da região.
Seluyeki Manuel considerou o quadro actual de preocupante, principalmente nesta fase do ano em que as chuvas caem de forma regular e intensa sobre a província do Uíge.
O responsável provincial do Urbanismo e Construção explicou que as ravinas, na sua fase avançada, são de complexa intervenção e, por isso, se torna muito onerosa a contratação de empresas para estancar o fenómeno.
O director avançou que, nos últimos anos, o Governo Provincial do Uíge contou com o apoio do Ministério da Construção no estancamento das ravinas de grandes proporções, principalmente a nível dos municípios do Milunga, Negage e de Maquela do Zombo.
Neste momento, Seluyeki Manuel disse que decorrem acções de estancamento de outras localizadas na vila municipal do Quimbele, cujo nível de execução física estima-se em mais de 60 por cento. “A ravina localizada ao longo da via Sanza Pombo/Quimbele recebe já o devido tratamento”, informou o responsável do Urbanismo e Construção.
O director provincial acrescentou que existem outras ravinas identificadas nas localidades de Kambeji, município do Dange-Quitexe, e em Camancoco, na sede provincial do Uíge, que colocam em perigo a circulação automóvel.

Execução de obras


O director do Urbanismo e Construção do Uíge, Seluyeki Manuel, assinalou que, além da condicionante financeira, o surgimento de ravinas em várias localidades da província tem sido o principal responsável dos atrasos que se verificam na execução dos projectos de construção de estradas e de outras infra-estruturas de carácter económico e social.
Apesar dos transtornos que se verificam na execução de obras, Seluyeki Manuel acrescentou que estão concluídos mais de 800 quilómetros de estradas asfaltadas, que facilitam a ligação entre a sede da província do Uíge e os municípios.
“Podíamos ter feito mais do que isso. Mas, tendo em conta a situação financeira do país, as ravinas e as fortes chuvas que caem sobre a região provocam sérios embaraços na execução dos vários projectos de construção e reabilitação de estradas”, justificou o director do Urbanismo e Construção da província do Uíge.

Nova centralidade

Com 1.010 apartamentos já concluídos, dos cerca de 4.500 previstos para o município do Uíge, as obras de construção da centralidade do Quilomosso caminham para o final da primeira fase de trabalhos, estando, nesta altura, em execução alguns serviços externos.
Numa altura em que são adquiridos os equipamentos que vão garantir a distribuição da energia eléctrica aos edifícios e a iluminação pública nas ruas da centralidade do Quilomosso, decorrem os trabalhos de ensaios dos sistemas de abastecimento de água potável.
A rua principal de acesso à centralidade está a ser asfaltada e decorrem igualmente as obras de construção da estação de tratamento de águas residuais.
O director provincial do Urbanismo e Construção do Uíge disse que outros serviços necessários para o normal funcionamento do referido projecto habitacional começam a ser instalados.
Sem data de início das inscrições, o responsável provincial do sector do Urbanismo e Construção disse aguardar-se por orientações superiores, para que os futuros inquilinos da centralidade do Quilomosso conheçam os requisitos para o acesso e as modalidades de pagamento dos apartamentos.
Quanto à centralidade do Negage, que vai ter 2.500 apartamentos, Seluyeki Manuel esclareceu que as obras ainda não arrancaram.
Entre as causas do não arranque dos trabalhos, o responsável avançou que estão questões ligadas às condições topográficas constatadas no terreno, situação que obrigou o Governo Provincial do Uíge a indicar outro espaço para a execução do projecto.
O director do Urbanismo e Construção destacou a implementação do projecto de construção de 200 fogos habitacionais em 14 dos 16 municípios da província, com excepção do Uíge e de Negage, por constituir um ganho importante, em termos de acomodação dos funcionários públicos nas sedes municipais.
Até agora, foram construídas e comercializadas 1.047 residências a nível dos 11 dos 14 municípios da província do Huambo, revelou Seluyeki Manuel.

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