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Qualidade dos medicamentos é testada

António Capitão | Uíge

Um laboratório de análises clínicas foi inaugurado pelo governador provincial, Paulo Pombolo, para testar a qualidade dos medicamentos comercializados na província e utilizados em diversas unidades sanitárias do Uíge, bem como permitir a realização de exames de hematologia, serologia, parasitose e microbiologia geral.

O novo laboratório que vai testar a qualidade dos medicamentos comercializados na província do Uíge foi inaugurado pelo governador
Fotografia: António Capitão|Uíge

Localizado no edifício onde funciona o Departamento de Saúde Pública da Direcção Provincial da Saúde, na cidade do Uíge, o novo laboratório, apetrechado com equipamentos modernos, possui uma área reservada à testagem da qualidade de medicamentos, salas de colheita, pesquisa, bioquímica, parasitose e microbiologia.
O governador provincial do Uíge destacou a implementação deste serviço e referiu que o novo laboratório surge da necessidade de se prestar maior atenção à utilização dos medicamentos que circulam na província e denunciou "a existência de fármacos de origem e qualidade duvidosas em circulação na província e arredores".
Paulo Pombolo sublinhou que a Direcção Provincial da Saúde ao criar as condições necessárias para a instalação do laboratório deu um importante contributo às acções do Governo Provincial, com vista à melhoria das condições de assistência médica e medicamentosa às populações da região, sobretudo no fornecimento de medicamentos com qualidade.
“Há muita circulação de medicamentos na província e muitos com origem e fabricação duvidosa. Com este laboratório, a Direcção Provincial da Saúde vai poder fazer uma avaliação mais exaustiva da qualidade dos remédios. É um serviço de que a população necessitava, por isso nós vamos continuar a trabalhar para que outros serviços surjam na província”, disse.
Paulo Pombolo referiu que sem laboratórios devidamente equipados dificilmente se conseguem detectar as doenças nas pessoas. “Para que haja maior certeza sobre a origem e causas das doenças é sempre necessária a utilização dos laboratórios, porque o tratamento mé­dico através dos sintomas a­presentados pelos pacientes não é aconselhável”, referiu.
A directora provincial do Uíge da Saúde, Luísa Cambuta, explicou que o novo laboratório vai permitir que sejam efectuadas análises clínicas de parasitologia, bioquímica e microbiologia, além de facilitar a realização de pesquisas da doença do sono e testagem da qualidade dos medicamentos.
“É um laboratório que vem completar aquilo que é um dos componentes da saúde pública e vai ajudar a descongestionar o laboratório do Hospital Geral do Uíge, apoiando as unidades sanitárias da periferia, que apresentam carências no funcionamento desses serviços”, referiu.

Hospital sanatório

O governador provincial do Uíge anunciou, para breve, a entrada em funcionamento de um hospital sanatório na província. A construção desta unidade sanitária especializada deve-se ao aumento do número de casos de tuberculose, VIH-Sida e de doenças do fórum respiratório. Paulo Pombolo disse que o número de pacientes com doenças que ­devem ser tratadas num hospital sanatório aumentou significativamente durante a última década, na província do Uíge, devido aos vários problemas provocados pela guerra, que fez com que muitas pessoas vivessem em condições péssimas.
“Estão criadas as condições para a construção de um hospital sanatório que vai permitir aumentar os serviços de testes, aconselhamento e tratamento de pessoas portadoras do VIH-Sida. O objectivo é permitir que as pessoas com estas patologias não necessitem de se deslocar a  Luanda à procura de assistência médica”, acrescentou.
Adiantou que, apesar da redução dos recursos financeiros previstos pelo Programa de Investimentos Públicos (PIP) destinados à província, outros projectos vão surgir na região.
Paulo Pombolo lembrou que a aposta do Governo local para os investimentos está direccionada ao sector social, com principal realce para a Saúde e Educação.

Mais técnicos


O governador provincial Paulo Pombolo disse ter recebido com satisfação a informação da Escola Superior Politécnica do Uíge (ESPU), da Universidade Kimpa Vita, sobre o lançamento, este ano, no mercado de trabalho, dos primeiros técnicos superiores de enfermagem, formados naquela instituição.
Para o governador Paulo Pombolo, o número de quadros a serem colocados no mercado de trabalho é uma  resposta da Universidade Kimpa Vita e do Governo Provincial do Uíge às exigências do Plano Nacional de Formação de Quadros (PNFQ). “A província, por possuir 16 municípios e uma população calculada em mais de 1,4 milhões de habitantes, necessita de mais enfermeiros”, disse.
Destacou a entrada em funcionamento, este ano, do  curso de Medicina na Universidade Kimpa Vita, para permitir que sejam formados médicos de várias especialidades na província. “Estamos a criar as capacidades internas, fazendo com que os quadros para a província sejam formados localmente”, sustentou.
Luísa Cambuta reconheceu ser ainda irrisório o número de médicos e enfermeiros que actuam na província.
“Com o número de médicos e enfermeiros existentes, temos estado a fazer um grande esforço para  as populações terem a­cesso aos serviços de Saúde”, referiu Luísa Cambuta .

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