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Ravina em Maquela ameaça a circulação

Valter Gomes e José Bule| Maquela do Zombo

Uma ravina em Quibocolo, Maquela do Zombo, na Estrada Nacional 220, com mais de 200 metros de extensão e 30 de profundidade, pode impedir em breve a circulação de viaturas se não for travada a sua progressão.

Esta ravina de grandes dimensões em Quibocolo ameaça cortar a circulação rodoviária na Estrada Nacional que liga Maquela à RDC
Fotografia: José Bule| Maquela do Zombo

A chuva continua a cair com intensidade e a ravina que evoluiu no sentido paralelo à estrada a partir da nascente do rio Malanje, engole o asfalto, o que faz com que comece a faltar o apoio falso, em muitos casos somente com o revestimento superficial duplo, sem qualquer solo que a suporte.
A situação faz com que a circulação de veículos junto à berma esteja posta em causa, uma vez que as cargas podem provocar a derrocada. A Administração Comunal de Quibocolo foi obrigada a restringir o tráfego rodoviário na faixa que apresenta riscos de desabamento.
Os cabos de fibra óptica estão a céu aberto, muito próximo do abismo, a cerca de dez metros de três casas habitadas.
Paulo Joaquim, proprietário de uma delas, disse ao Jornal de Angola que precisa urgentemente de um local seguro para ele e para a família, pois “a chuva continua a ser intensa e o terreno próximo da casa corre o risco constante de ser engolido”. “Já fomos avisados que temos de abandonar o local, mas não tenho onde ir”, afirmou.
O automobilista Pembele Garcia, que circula na via há mais de quatro anos, alertou que a situação é preocupante:
“Com as chuvas, a ravina está cada vez maior, pelo que é necessário que quem de direito intervenha rapidamente para que não aconteça o pior”.Banga Muanza referiu a urgência do Governo Provincial encontrar uma solução que impeça a progressão da ravina, que “ameaça cortar a ligação entre Quibocolo e a vila de Maquela e pôr em causa as transacções comerciais com a República Democrática do Congo”.
A administradora comunal, Amélia Virgínia, também avisa que Quibocolo pode ficar separada da sede municipal de Maquela do Zombo se não for estancada a ravina. “Sinalizamos o local para reduzir o perigo, quem vive perto da ravina foi alertada para a importância de abandonar o local e analisamos a melhor forma de realojar as famílias que se encontram em situação de risco”.
O director provincial do Urbanismo, Seluyequi Manuel, confirmou que a ravina de grande dimensão coloca em perigo a circulação de pessoas e bens e que a situação apenas pode ser resolvida com o apoio do Executivo. A situação, disse, é preocupante, pois até os cabos de fibra óptica estão à mostra.“O perigo é iminente e não há alternativa porque há baixas em ambas as partes da estrada, além de irregularidades no terreno.
A solução, declarou, é estancar imediatamente a ravina para salvaguardar a circulação de pessoas e bens e a fibra óptica. “Além da via, a ravina coloca também em perigo várias casas das redondezas, pois mesmo que se desvie o curso das águas isso não garante segurança dos habitantes à volta da ravina”, concluiu.
A ravina de Quibocolo é um dos 25 abismos identificados até 2012 na província do Uíge “com carácter de intervenção de emergência”. O resultado do levantamento foi remetido pelo Governo Provincial ao Ministério da Construção. Outra ravina com cerca de 80 metros de profundidade, cem de largura e 150 de extensão alarga-se entre as localidades de Quimbunga e Quicazeze, a cinco quilómetros de Quibocolo.
A ravina devido às enxurradas aproxima-se do asfalto e está apenas a quatro metros da Estrada Nacional 220.
Não obstante os esforços do Ministério da Construção no combate às ravinas, a falta de um programa regular de manutenção no Uíge permitiu o alargamento de algumas e o surgimento de outras.
A Estrada Nacional 220 foi reabilitada e asfaltada em 2008, no âmbito do programa do Executivo de melhoria das vias em todo o país para garantir maior segurança na circulação de pessoas e bens.

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