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Ravinas ameaçam infra-estruturas no Uíge

Joaquim Júnior | Uíge

A província do Uíge tem 164 ravinas que estão em progressão, com maior incidência nos municípios do Uíge, Quimbele, Milunga e Sanza Pombo, informou o vice-governador para o Sector Técnico e Infra-estruturas.

Em várias regiões da província as ravinas de grande dimensão estão a engolir residências e diversos empreendimentos
Fotografia: Mavitidi Mulaza | Edições Novembro | UÍGE

Afonso Luviluko, que falava num seminário sobre as ravinas na província, disse que as fortes chuvas que assolam o Uíge todos os anos, acompanhadas de ventos, e a falta de infra-estruturas de grande porte, têm provocado o arrasto dos solos, dando lugar, deste modo, ao surgimento de ravinas, que danificam diversas infra-estruturas, como estradas, empreendimentos públicos e residências. A maior parte das ravinas, disse o vice-governador, estão localizadas em vias inter-municipais e as causas de surgimento são, maioritariamente, a má qualidade das valas de drenagem. “Cada ravina, em função da sua progressão, necessita de trabalhos preventivos para se travar o seu desenvolvimento. Temos de fazer isso até que tenhamos recursos financeiros para os estancar definitivamente”, sublinhou. “Temos feito muito”, prosseguiu o governante, “para travar a progressão de ravinas desde 2011. Portanto, o Programa de Combate às Ravinas na Província, abrangeu os municípios do Uíge, Damba, Quimbele e Bungo, com a plantação de vegetação que permite sustentar os solos”. Recentemente, segundo Afonso Luviluko, com apoio do Fundo Rodoviário, foi travada a progressão de sete ravinas nas estradas que ligam os municípios do Uíge-Mucaba e Damba/Maquela do Zombo, “mas a técnica utilizada não as vai conter por muito tempo”. Com recursos financeiros do Governo Provincial, disse Afonso Luviluko, foram igualmente estancadas cinco ravinas na estrada que sai do Negage até Quimbele, nas imediações entre a comuna de Macocola até à vila do Quimbele, bem como a ravina que ameaçava destruir o Hospital Municipal de Quimbele. “O Ministério da Construção e Obras Públicas lançou um concurso para o estancamento de ravinas, no qual a província do Uíge está contemplada com seis ravinas nos municípios de Quimbele, próximo à missão Católica, em Sanza Pombo e em Maquela do Zombo”, disse. Afonso Luviluko anunciou o estancamento das ravinas “dentro de poucos dias”, situadas entre a rotunda do Songo e a via do Aeroporto, na cidade capital, na vila da Vista Alegra (Dange-Quitexe) e na Aldeia Quindinga, no município de Negage. 

Especialistas apontam soluções
O engenheiro Angelino Quissonde disse que se deve parar com as queimadas desordenadas em várias zonas da província. “O Governo Provincial deve exigir às empresas que realizam obras na província, sobretudo as que trabalham para conter ravinas, a colaborarem com as populações locais para a plantação de vegetação ao longo das obras e realizarem limpezas em valetas, já que muitas ravinas nascem por falta de espaço para se escoar a água nas valetas”, disse. Segundo o engenheiro “nenhuma ravina dá lugar a outra , há sempre uma causa”. “Verificamos que em muitas estradas os empreiteiros retiram areia para as obras, deixando grandes aberturas que em pouco tempo se transformam em ravinas”, apontou .
Para o consultor do Ministério da Construção e Obras Públicas, engenheiro Jorge Rufino, deve-se fazer um estudo de impacto ambiental e da cartografia da província, para permitir a realização de um trabalho eficiente de prevenção contra as ravinas, tendo em conta os tipos de solos predominantes em cada município do Uíge.

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