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Reclusos frequentam cursos de artes e ofícios

Nicodemos Paulo | Uíge

Os reclusos internados na Unidade Penitenciária do Quindoqui, no município do Negage, no Uíge, passam a frequentar dentro de dias cursos profissionais de serralharia, electricidade, carpintaria e alvenaria, para facilitar a reinserção na sociedade, afirmou o director da prisão.

Formação vai permitir aos reclusos maior facilidade de inserção após serem postos em liberdade
Fotografia: Eunice Suzana | Uíge

Simão Baki, que falava no acto provincial alusivo ao 36º aniversário da criação dos Serviços Prisionais de Angola, assinalado sexta-feira, referiu que a Unidade Penitenciária do Quindoquitem salas de alfabetização e uma escola do primeiro ciclo onde os reclusos recebem aulas.
A unidade do Quindoquitem cerca de 87 hectares para os reclusos cultivarem produtos agrícolas, com destaque para a mandioca e hortícolas, que servem para a própria alimentação e para os agentes em serviço.“Os nossos presos ocupam os seus tempos de forma útil. Primeiro, damos uma pequena formação de agronomia e, depois,aplicam as técnicas no campo”, disse Simão Baki, para adiantar que “isso tem sido bastante proveitoso, uma vez que diminuemos custos financeiros da cadeia edá-se-lhes outra perspectiva de vida”.
A cadeia tem capacidade para receber 650 reclusos e foi construída dentro dos padrões internacionais de segurança e dignidade dos presos, avançou o director Simão Baqui. A nova unidade penitenciária foi construída para acabar com a sobrelotação de reclusos na antiga ­cadeia do Congo e efectivar a compartimentação dos prisioneiros por crime, idade, situação legal, além de melhorar o trabalho de reeducação, para a sua inserção social, depois de libertados.
Simão Baki referiu que a modernização dos serviços prisionais permitiu melhorar a assistência psicológica e religiosa individual dos presos. O objectivo é amenizar as inquietações dos cativos e orientar as suas vidas para o período pós-reclusão.
“Temos a presença regular de religiosos e psicólogos que a­companham os nossos presos, ajudando-os a melhorar de comportamento”, frisou o responsável penitenciário.
A Unidade Prisional do Quindoquitemtambémuma fábrica de transformação de mandioca em fuba de bombó, construída no âmbito do projecto “Novos Rumos Novas Oportunidades”. O empreendimento tem capacidade para transformar diariamente 24 toneladas e funciona com três efectivos dos Serviços Prisionais e sete reclusos. O responsável pela área técnica da fábrica, Jaime Elísio Neto, agente prisional de primeira classe, explicou que neste momento a fábrica está parada,apenas por falta de matéria-prima.“Os campos de mandioca foram a­tacados por uma virose que diminuiu a capacidade de produção”, explicou, destacando que se está a tratar com os agricultores do município para irem transformar os produtos na fábrica da prisão, mediante acordo com a direcção.
No acto comemorativo os reclusos leram uma mensagem na qual pediram celeridade na tramitação dos processos do Tribunal para a unidade prisional, sobretudo no tratamento da liberdade condicional, bem como a criação de um parque recreativo e a melhoria da assistência médica.

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