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Recomendado reforço de acções de combate à Sida

Valter Gomes| Uíge

Os participantes ao I Workshop Provincial sobre a Saúde, realizado no âmbito do Programa Nacional de Aceleração para o Combate ao VIH/Sida, recomendaram quinta-feira, no Uíge, o aumento de acções de sensibilização da população sobre os perigos da doença.

População é aconselhada a conhecer o seu estado serológico nos centros de testagem voluntária e a combater a discriminação
Fotografia: Dombele Bernardo

Durante o workshop, promovido pela direcção provincial de Saúde, em colaboração com a Fundação Eduardo dos Santos (FESA), os participantes solicitaram maior facilidade de acesso para a testagem às mulheres grávidas nos centros maternos infantis e noutras unidades sanitárias, bem como o cumprimento rigoroso do tratamento com anti-retrovirais pelos portadores do vírus.
Os participantes, entre enfermeiros, médicos, funcionários da FESA e da direcção local da Saúde, autoridades tradicionais, entidades eclesiásticas e membros da sociedade civil, analisaram também a resposta nacional no combate ao VIH/Sida, o ponto de situação da prevalência do vírus na província e trocaram experiências sobre as acções desenvolvidas pelo Brasil para combater o flagelo.
A directora provincial da Saúde do Uíge, Luísa Cambuta, disse que o índice de prevalência do vírus da Sida no seio da população é baixo e está sob controlo, devido às acções de sensibilização, testagem voluntária e implementação do Programa de Aceleração no Combate ao VIH em curso na província.
Garantiu que os técnicos de saúde têm vindo a intensificar as acções de sensibilização e de testagem voluntária da população e o fornecimento de anti-retrovirais aos portadores, sobretudo mulheres gestantes. Luísa Cambuta referiu que o objectivo das autoridades é eliminar novas infecções do VIH em crianças e permitir que 90 por cento de adultos e dos menores portadores recebam tratamento eficiente, para a redução do índice do vírus no organismo.
A responsável avançou que durante o primeiro semestre do ano em curso, as autoridades sanitárias do Uíge registaram um total de 377 casos positivos de VIH, sendo 116 em mulheres gestantes e 28 em crianças, o que representa um aumento de cerca de 19 por cento em relação ao ano passado.
Para contrapor esta situação, disse que foram criados 63 centros de aconselhamento e testagem voluntário (CATV), assim como decorre o fornecimento intensivo de anti-retrovirais.
Relativamente à cobertura dos serviços de saúde na província, Luísa Cambuta disse que houve melhorias significativas na ordem dos 87 por cento, sobretudo devido ao aumento de novas unidades sanitárias nos municípios, comunas, aldeias e regedorias.

Taxa mais baixa

Ao apresentar o gráfico da taxa de prevalência do VIH/Sida a nível do país, o médico infecciologista do Instituto Nacional de Luta contra a doença, António Feijó, disse que a província do Uíge está situada na ordem dos 0,3 por cento de prevalência, representando a taxa mais baixa do vírus em relação às outras províncias do país.
António Feijó defendeu a necessidade de a informação sobre a pandemia ser cada vez mais divulgada pelos órgãos de comunicação social, não só em português como também nas línguas nacionais, para permitir que a população residente nas zonas rurais esteja devidamente informada sobre o perigo da doença e as medidas mais adequadas para a prevenção da mesma.
O médico disse que, no âmbito da resposta nacional ao VIH, de 2004 até ao primeiro semestre do ano em curso, foram construídas 939 unidades sanitárias em todo o país, onde a população recebe aconselhamento e testagem voluntária.
António Feijó considerou a descentralização e revitalização dos serviços básicos de saúde como uma nova vantagem no combate ao VIH, assim como a transferência de competências para enfermeiros, reforçando a sua capacidade de lidar com o pacientes portadores.
A capacitação dos recursos humanos, actualização da cadeia de suplementos, em colaboração com os municípios e as províncias, e o aumento de vários serviços de saúde reprodutiva para reduzir a taxa de prevalência no seio das crianças, constituem os grandes desafios do Instituto Nacional de Luta contra a Sida.
Referiu que, com a municipalização dos serviços de saúde vai ser possível acelerar o Programa de Combate ao Sida, reduzir a mortalidade materno-infantil e controlar as doenças transmissíveis sexualmente.
O vice-governador para o sector Económico e Produtivo do Uíge, Carlos Mendes Samba, enalteceu a iniciativa da FESA em ter colaborado com a direcção provincial de Saúde na promoção do workshop, visto que vai contribuir para o despertar de muitas pessoas sobre as medidas de prevenção contra a doença.
O vice-governador do Uíge salientou que a observância dos novos métodos de combate à proliferação dos casos no seio da população deve merecer igualmente uma atenção especial das autoridades.

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