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Reservadas terras para projectos agro-industriais

Nicodemos Paulo | Uíge

Mais de 30 mil hectares de terras aráveis estão a ser preparados em cada um dos 16 municípios da província do Uíge para o relançamento da agricultura mecanizada e a concretização de projectos agro-industriais, que vão ajudar a melhorar as condições alimentares da população e garantir a obtenção de capital com o excedente, afirmou sexta-feira o governador provincial do Uíge.

Encontro entre o governador provincial do Uíge e delegação do Centro de Intercâmbio Internacional do Ministério chinês da Agricultura
Fotografia: José Bule | Uíge

Paulo Pombolo falava durante a audiência que concedeu ao director do Centro de Intercâmbio Internacional do Ministério de Agricultura da China, Yang Yi, e disse que no âmbito da diversificação da economia, o Governo Provincial preparou terrenos para relançar o desenvolvimento da província através do sector agrícola.
De acordo com o governador, a província do Uíge apresenta características climatéricas propícias para a produção agrícola em grande escala, mas são necessários alguns investimentos susceptíveis de impulsionar tal produção.
“Por isso fomos buscar a CITIC, uma empresa chinesa que está a realizar estudos agro-pecuários e de desenvolvimento agrícola na província, com maior incidência nos municípios do Songo e Bembe, onde nos próximos seis meses vamos fazer grandes investimentos agrícolas”, declarou.
Paulo Pombolo referiu que todos os municípios da província dispõem de solos aráveis, mas cada um deles apresenta particularidades que forçam a realização de estudos preliminares para determinar quais as culturas  mais indicadas para cada uma das localidades.
“Este trabalho está a ser feito por um grupo de técnicos angolanos e chineses. Só a partir do final do ano é que temos as condições criadas para receber aqui os grandes investidores”, afirmou. O governador disse que a cooperação com a CITIC prevê a instalação de máquinas agrícolas, formação de técnicos angolanos e fornecimento de inputes agrícolas. Para o sucesso deste projecto, Paulo Pombolo pede a participação e colaboração das autoridades tradicionais, fazendeiros e agricultores, para que os investidores nacionais e estrangeiros actuem na província sem constrangimentos.
O director do Centro de Intercâmbio Internacional do Ministério da Agricultura da China, Yang Yi, que chefiou a delegação composta por nove especialistas do sector, disse que há um grande interese dos empresários chineses em investir no sector da agricultura em Angola, tendo sublinhado que um estudo exaustivo é determinante para definir as localidades e os projectos a serem realizados.
“Já temos uma informação geral da província, mas estamos a analisar minuciosamente os dados particulares de cada município”, disse.
O alto funcionário chinês disse que a sua presença no Uíge serviu para avaliar a produção de milho e arroz da Fazenda Lucelua, no município de Sanza Pombo, estudar as condições de produção agrícola dos municípios do Songo e Bembe e partilhar com os técnicos agrícolas locais sobre a situação actual da produção, metas, desafios, infra-estruturas existentes, para depois definir com o Governo Provincial os futuros projectos a serem realizados no domínio da agro-indústria.
Yang Yi afirmou que um bom plano de desenvolvimento agrícola recheado de informações facilita a atracção de investimentos. “Depois disso, acredito que vai haver maior produção agrícola e poucos gastos financeiros”, sustentou.
Durante dez dias, a delegação chinesa, composta por técnicos especializados em Agronomia, Planeamento Económico, Máquinas Agrícolas e Agronegócios, trabalhou nos 16 municípios da província para analisar os solos, clima, hidrografia, fauna, reunindo toda a informação necessária para a materialização do projecto supervisionado pela GESTERRA, empresa de direito angolano.

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