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Ruas do Negage são alvo de intervenção

António Capitão | Negage

Nos últimos dias, os habitantes do Negage, província do Uíge, têm acordado sob ruídos de motores de camiões e máquinas que são manuseadas por homens valentes e dispostos a transformar a imagem da cidade.

Nos últimos dias, os habitantes do Negage, província do Uíge, têm acordado sob ruídos de motores de camiões e máquinas que são manuseadas por homens valentes e dispostos a transformar a imagem da cidade. As obras de reabilitação das ruas, passeios e lancis da cidade, a 37 quilómetros da sede provincial, decorrem a ritmo acelerado.
Os trabalhos desenvolvidos pela empresa chinesa CRBC começam às primeiras horas da manhã, com homens e máquinas a revirarem os solos das principais artérias da cidade, onde decorrem obras de aplicação e colocação de um novo tapete asfáltico, substituição dos passeios e lancis.
Após algumas acções preliminares efectuadas nos meses de Abril e Maio, “os trabalhos que estão a ser executados consistem na preparação da base das principais ruas da cidade, reparação do pavimento degradado e aplicação do tapete asfáltico”, disse o administrador em exercício do Negage.
João Paixão disse que depois da colocação do tapete asfáltico, as ruas vão ser sinalizadas, com vista a permitir uma melhor orientação do trânsito automóvel e peões, tendo sublinhado que o trabalho que está a ser desenvolvido pela empreiteira conta com a colaboração de especialistas da Polícia de Viação e Trânsito, no que diz respeito a sinalização.

Esgotos tapados

Para a durabilidade da obra, esclareceu que já foi feita a manutenção do sistema de esgotos da cidade, tendo sido desentupidas as sarjetas e agora está-se a trabalhar na rede de esgotos domésticos, tendo sido colocados novos tampos nas sarjetas para evitar a acumulação das águas das chuvas no asfalto.
Negage é o município do Uíge onde mais chove, razão pela qual o administrador espera que seja feito um trabalho sério na rede de esgotos das ruas que estão ser reparadas, tendo em conta que a água é a principal origem da degradação do asfalto.
“A água, como todos sabemos, é um bom produto para a construção civil, mas também é o pior inimigo do pavimento. Por isso, para se precaver, a empresa encarregada da reabilitação das ruas do Negage já desentupiu e colocou novos tampos na rede de esgotos”, disse.
A obra de reabilitação das ruas da cidade do Negage contempla ainda a substituição dos lancis e o pavimento dos passeios e calçadas. Nesta altura, a maior parte das ruas a serem asfaltadas já possuem novos lancis, aguardando-se que nos próximos dias se faça a reparação dos passeios e calçadas, que vão ser revestidos com cubos de granito, para proporcionar melhor imagem às ruas.
O governo está a empreender um grande esforço, por isso o administrador em exercício do Negage pede a colaboração e compreensão da população, no sentido de remover as sucatas, automóveis e máquinas que se encontram avariadas nas ruas, para não impedirem o avanço das equipas de trabalho.   

 População está feliz

Apesar dos obstáculos numa e noutra rua, que dificultam a circulação normal dos automobilistas e peões, tendo em conta que muitas delas estão encerradas devido às obras de reabilitação, a população elogia os esforços do governo para melhorar a circulação rodoviária.
O automobilista Alberto Bernardo disse que as acções que estão a ser realizadas são de fundo e vão resolver os problemas nas ruas onde vão incidir os trabalhos. “A reabilitação das ruas é bem-vinda, porque vai beneficiar os automobilistas e permitir que as nossas viaturas durem mais tempo e diminuam os constantes problemas de avarias técnicas”, acrescentou.
Alberto Bernardo salientou ainda que a reabilitação das ruas do Negage vai estimular os detentores de viaturas e motorizadas a pagarem as taxas de circulação sem reclamações. Percorrer os 37 quilómetros de distância entre o Uíge e o Negage era mais cómodo do que circular nas ruas desta cidade, porque elas estavam muito degradadas, cansavam muito os motoristas e davam cabo dos pneus e rótulas, e as molas das viaturas “iam à vida muito cedo”, explicou.
Carlos Jamitt também está satisfeito com a empreitada. Tal como outros jovens do Negage, pede à administração municipal e ao governo provincial para procurarem soluções que tornem os trabalhos mais abrangentes para as ruas que não foram contempladas neste processo.
Para ele, o trabalho a ser feito representa uma “gota de água no oceano”, porque os automobilistas vão passar o resto do tempo a caminhar cerca de 90 por cento da cidade em más condições.
“A cidade também foi bastante fustigada pelo conflito armado. Muitas residências e ruas foram destruídas e as fortes chuvas que caem sobre a região contribuem para o aumento da sua degradação, mas com o processo de reconstrução nacional em curso no país, acredito que mais projectos vão ser implementados neste município, que vão ajudar a melhorar a sua imagem e recuperar o tempo perdido”, sublinhou.

Primeiro emprego

Domingos Victor, 24 anos, vive na aldeia Cangundo, a cinco quilómetros do Negage. Pai de dois filhos, o jovem encontrou sustento para a família nesta empreitada, na qual trabalha como ajudante.
Orgulhoso por dar o seu contributo à reconstrução da sua cidade, acção que também se reflecte no processo de reconstrução nacional, afirmou que “é uma tarefa muito difícil e cansativa, visto que tenho de me levantar sempre às 5h00, para ser pontual no serviço e dar o meu contributo neste processo de reconstrução do Negage”.
Manuel Gaspar, 22 anos, também trabalha na reparação das ruas da cidade e afirma que para além de melhorar a imagem da cidade, a empreitada também serviu como uma grande oportunidade para muitos jovens da região conseguirem o seu primeiro emprego.
“Somos muitos os jovens naturais do Negage que estamos a dar o nosso contributo nesta obra, ao mesmo tempo que ganhamos algum dinheiro para suportarmos as nossas necessidades em vestuário, alimentação e estudos”, referiu.

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