Províncias

Sanatório sem condições de internamento

Nicodemos Paulo | Uíge

O material utilizado para a construção do Hospital Sanatório do Uíge, por produzir altas temperaturas, está a impedir que doentes de tuberculose sejam internados, revelou naquela cidade o director-geral.

Centenas de pacientes são obrigados a percorrer quilómetros para serem assistidos por não existerem outros hospitais de especialidade
Fotografia: Filipe Botelho | Uíge

Kiala Gode, que falava no termo de uma palestra subordinada ao tema “Diagnosticar, tratar e curar”, organizada pela coordenação provincial de luta contra a tuberculose, explicou que o material metálico utilizado na construção do hospital produz grandes temperaturas que podem provocar a desidratação dos pacientes.
Tendo em conta que o material é considerado impróprio para a construção de unidades hospitalares como o sanatório, os responsáveis da unidade clínica decidiram cancelar os internamentos dos doentes.
O director-geral do hospital disse que o grande desafio é a construção de salas de internamento e de urgências, de carácter definitivo, com capacidade de pelo menos 90 camas.
O sanatório, que é a única instituição no Uíge que faz o diagnóstico e tratamento da tuberculose, funciona com três médicos e 16 enfermeiros, que realizam, em média, mais de 300 consultas por mês.
Kiala Gode referiu que pelo menos 40 por cento dos casos atendidos mensalmente são positivos, situação que preocupa as autoridades sanitárias, tendo em conta a falta de capacidade interna de atendimento do hospital. O director-geral solicitou o aumento da verba alocada à instituição, para permitir que os doentes que chegam com níveis elevados de subalimentação sejam nutridos com dietas específicas.
Desde há alguns meses, o orçamento da instituição não permite grande grandes manobras. Dai apelar ao Governo Provincial no sentido de inverter este quadro. O responsável do sanatório acrescentou que os centros hospitalares da periferia e das aldeias deviam ter serviços de tisiologia, para atenderem pelo menos alguns casos ambulatórios.
Esta estratégia ajudava a que dezenas de pacientes deixassem de percorrer 20 ou 30 quilómetros, para adquirir medicamentos. “Estas distâncias têm desanimado muitos pacientes, o que leva ao abandono do tratamento no hospital”, lamentou o médico. Os municípios do Negage, Mucaba, Bungo, Quitexe e Sanza Pombo são os mais endémicos da província, dai a realização de acções de prevenção da doença.

Luta contra a doença

Entre as actividades para inverter o quadro, a coordenação de luta contra a tuberculose realiza campanhas regulares de sensibilização nas igrejas, mercados, comunidades urbanas e rurais e nas unidades militares e policiais.

Tempo

Multimédia