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Sector da Educação no Uíge reforçado com novas escolas

Joaquim Júnior | Songo

Nove novas escolas vão entrar em funcionamento ainda no decorrer deste ano em várias localidades do município do Songo, a cerca de 40 quilómetros da cidade do Uíge, o que vai permitir que muitas crianças que estudavam ao relento ou em salas improvisadas em capelas de igrejas ou feitas com ramos de palmeiras, passem a estudar em melhores condições.

Centenas de crianças no município do Songo passam a estar mais confortáveis nas escolas devido ao aumento de salas de aula
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

O anúncio foi feito recentemente pelo secretário da administração municipal do Songo, que representou a administradora municipal, Adelina Pinto, durante o encontro com membros da sociedade civil, promovido pela organização não governamental Aliança para a Promoção do Desenvolvimento da Comuna do Hoji Ya Henda (APDCH), que visou analisar as acções desenvolvidas naquele município que conduzam ao bem-estar social.
Matumona Teca avançou que até ao final do primeiro trimestre deste ano vão ser concluídas as obras das escolas das aldeias Quikuva, Kiniambi, Luenje, Ndunda, Kavunga II, Zulumongo, Diadia, Kimzambi e Mbau II, cujos trabalhos estiveram paralisados nos últimos dois anos, devido à situação económica e financeira que o país atravessa.
Sublinhou que com a recuperação do preço da principal matéria-prima que serve de exportação e sustentabilidade das receitas para o país e o incremento de mais dinheiro para a materialização dos projectos para o sector da Educação, inscritos no Orçamento Geral do Estado (OGE), sobretudo os destinados para o programa municipal de combate à fome e à pobreza e da municipalização dos serviços da educação, vários projectos vão ser concluídos para servirem as populações.
“Neste ano, com base nas verbas a serem alocadas para o município, a aposta da administração municipal do Songo é concluir as obras das escolas, para permitirmos que mais de três mil alunos estudem em melhores condições e que no próximo ano lectivo mais crianças sejam inseridas no sistema de ensino, uma vez que neste ano cerca de 127 crianças não podem estudar, por falta de salas de aula”, disse.
Matumona Teca disse que o sector da Educação no município do Songo tem 54 escolas primárias, que totalizam 206 salas de aula, quatro do primeiro e segundo ciclo do ensino secundário. Um total de 854 professores asseguram o ensino, número considerado insuficiente pelas autoridades do município, que esperam minimizar o problema com a realização de um concurso público para o ingresso de mais docentes, anunciado recentemente pelo Ministério da Educação.  Dentre outras acções programadas pelas administração municipal do Songo, Matumona Teca destacou a conclusão das obras de construção dos postos de saúde das aldeias Matenda, Mbanza Luanda, Quikari-Kari II, Mbanza Lendi, Lucai, Quissalamba e Quikuva, bem como a reabilitação da pediatria do Hospital Municipal.
Vão ser também adquiridos três tractores para apoiar o processo de mecanização agrícola das 56 associações de camponeses cadastradas na região, construção de pontes e pontecos na sede municipal e na comuna de Kinvuenga, a terraplanagem das vias de acesso a algumas aldeias, num total de 30 quilómetros, e construção do mercado municipal para albergar mais de três mil vendedores.
“Com a situação económica e financeira a apresentar alguma estabilidade, a administração municipal tem, também, no seu plano de acções a reparação e manutenção dos sistemas de abastecimento de água nas aldeias Mbau II, Kinfuata e Mbanza Luanda II, bem como a construção de outros sistemas por meio de gravidade, nas localidades de Cazola, Quikari-Kari II, Sassa e Quipumba Loe.

Línguas nacionais
O director em exercício do Gabinete Provincial de Educação no Uíge, Diniz Maculo, salientou a importância dos jovens aprenderem as línguas nacionais, nas escolas ou nas comunidades, por ser um importante meio de comunicação e para preservar-se a identidade cultural. O responsável fez esse pronunciamento quando intervinha numa palestra alusiva ao Dia Mundial da Língua Materna, assinalado no passado dia 22, evento promovido pela Direcção Provincial da Cultura.
Diniz Maculo ressaltou que as línguas nacionais são património cultural e, por isso, devem ser preservadas por todos. Fez saber que o ensino das línguas nacionais já está a ser implementado em 76 escolas primárias e em instituições de ensino superior da região.
Informou que o sector da Educação do Uíge está empenhado na busca de professores da disciplina de Língua Nacional Kimbundu, para os municípios Quitexe, Cangola e Negage, onde é falado esse idioma.
Por sua vez, o chefe de Departamento da Direcção Provincial da Cultura, Moisés Feliciana, apelou aos alunos no sentido de aprenderem as línguas nacionais, para facilitar a comunicação com a população das diferentes comunidades.
Alertou que as línguas nacionais podem desaparecer, em certas regiões, se não forem preservadas.
Por outro lado, 157 alunos matriculados no presente ano lectivo na aldeia Kikabando, município do Uíge, beneficiaram de diverso material didáctico, entregue pelo primeiro secretário municipal do Uíge do MPLA, Carlos Alberto David, com destaque para livros da iniciação à 6ª classe, bem como de educação moral e cívica entre outros.

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