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Sector hoteleiro regista avanços no Uíge

António Capitão | Uíge

O sector hoteleiro na província do Uíge está a ganhar um novo rumo, desde o fim do conflito armado, há mais de oito anos.

Director local do Comércio e Turismo
Fotografia: Filipe Botelho |Uíge

O sector hoteleiro na província do Uíge está a ganhar um novo rumo, desde o fim do conflito armado, há mais de oito anos. A tranquilidade política e o calar das armas permitiram a implementação de vários projectos de iniciativa privada.
Dentro deste clima, surgiram dez novos hotéis, oito pensões residenciais, igual número de restaurantes e 187 bares nos municípios do Uíge, Negage e Sanza Pombo. O crescimento do sector da hotelaria e restauração na região mantém-se acelerado, com várias unidades a serem erguidas, enquanto as antigas, que vêm do tempo colonial, aguardam por reabilitação.
Apesar deste crescimento, os preços não baixam. Os quartos mais baratos estão acima de dez mil kwanzas e os mais caros, de 30 mil.
O director provincial do Comércio, Hotelaria e Turismo criticou a atitude de alguns empresários que especulam com os preços, mesmo sabendo da existência de uma tabela para o sector, que pode variar de unidade para unidade, de acordo com as classificações.
Abraão da Silva disse, ao Jornal de Angola, que o fraco abastecimento de água e a irregularidade no fornecimento de energia eléctrica estão na base dos altos preços praticados nas unidades hoteleiras da província.
A corrente eléctrica fornecida pela Empresa Nacional de Electricidade (ENE) não permite o funcionamento dos equipamentos eléctricos instalados nos hotéis, que para superarem a dificuldade recorrem a geradores, que consomem diariamente entre 200 e 300 litros de gasóleo.
“Os agentes hoteleiros gastam mais de 20 mil kwanzas para aquisição de água e 8.700 com combustível para os geradores”, frisou.
Com a chegada da energia da barragem hidroeléctrica de Capanda, que está para breve, e a melhoria e aumento do processo de distribuição de água, disse, a situação pode melhorar, permitindo que os preços voltem à normalidade, conforme o estipulado pelo Ministério da Hotelaria e Turismo.  
“Os preços são altos, mas reconhecemos as dificuldades enfrentadas pelos empresários nos custos com a água e energia eléctrica, factores fundamentais para o funcionamento de unidades ­hoteleiras”, referiu. Apesar deste senão, Abraão da Silva considera que as unidades hoteleiras da província “oferecem serviços de qualidade”.
“Os quartos são aceitáveis e bem apetrechados e a gastronomia é diversificada, o que permite juntar pessoas de culturas diferentes nos nossos restaurantes”, frisou.
Dois repórteres do Jornal de Angola visitaram algumas unidades hoteleiras da cidade do Uíge e apurou que o preço do pequeno-almoço, como é normal, está incluído nos valores pagos pela a hospedagem.
O do buffet varia entre 1.500 e três mil kwanzas.
Os preços da gasosa, sumos e cervejas nacionais e estrangeiras variam entre 150 e 500 kwanzas. Os dos uísques, vinhos e espumantes vão de dois mil a 16 mil.
 
Mais hotéis em construção
 
Abraão da Silva afirmou que até 2012 o sector hoteleiro vai ter mais 200 novos quartos e outros serviços do sector. Na cidade do Uíge está a ser erguida uma unidade que, depois de concluída e devidamente apetrechada, pode ser classificada com quatro ou cinco estrelas.
 “Está prevista, para Novembro, a inauguração do hotel Kwango, uma unidade de referência, com vários serviços de qualidade e na estrada Uíge/Songo está a ser erguido outro, com 120 quartos e um condomínio adicional, o que nos faz crer que até 2012 podemos contar com mais de 200 quartos”, disse.  Nos municípios de Negage, Bungo e Mucaba estão a ser erguidas algumas hospedarias.
 
Novas unidades em funcionamento
 
A província do Uíge passou a dispor, recentemente, de duas novas unidades hoteleiras. Trata-se do hotel “Bago Vermelho”, na rua dr. António Agostinho Neto, e da residencial “Kibo”, na rua D do bairro Dunga, inaugurados pela vice-governadora para a área económica e social, Piedade Samuel Hebo.
O “Bago Vermelho”, inaugurado em finais de Setembro, tem dez suites executivas e 24 normais. Garantiu 34 postos de trabalho, dos quais 29 directos. A pensão Kibo, que abriu as suas portas ao público no sábado, tem 16 suites, uma esplanada e um restaurante.
Piedade Samuel Hebo valorizou o surgimento dos dois empreendimentos hoteleiros financiados por empresários angolanos e reafirmou a disponibilidade do governo da província dar abertura a projectos que visam desenvolver a região.
 O director provincial do Comércio, Hotelaria e Turismo ­defendeu a criação de uma escola de ­hotelaria e turismo na província para formar técnicos do sector e permitir o aumento da qualidade dos serviços prestados à população.
 O crescimento de hotéis na província, salientou, deve ser acompanhado pelo aumento do número de técnicos formados em hotelaria ou turismo, com vista a garantir-se a contratação da mão-de-obra ­localmente.
“Sempre que recebemos um projecto para a construção de um hotel, pensão residencial, hospedaria, restaurante ou outras unidades, aconselhamos os investidores a apostarem seriamente na formação dos futuros trabalhadores”, revelou, lamentando:
“Esta intenção não tem sido cumprida com regularidade por falta de escolas de hotelaria e turismo na província”.  

 Turismo adormecido
 
Quem vai, por terra, ao Uíge depara-se, logo à primeira vista, com uma paisagem natural invejável. A riqueza da fauna e da flora nas terras do “bago vermelho” transmitem aos visitantes uma mensagem de alegria, paz e de boas-vindas.
Rios, montanhas, serras, grutas, lagos e lagoas, a tradição e a cultura dos povos desta região fazem dela um potencial turístico. Infelizmente, este sector que pode ser também uma das principais fontes de receita para a economia nacional e para o sustento de muitas famílias, continua adormecido.
Abraão da Silva refere a pouca divulgação como motivo principal para a fraca exploração do vasto potencial turístico que a província possui.
O responsável provincial pelo sector anunciou estar em curso a catalogação de todos os locais turísticos da província para depois ser criado um guia que os refira e identifique.
“É necessário criar um guia turístico para distribuição nos pontos de acesso à província para despertar a curiosidade dos turistas”, afirmou.
A lagoa do Feitiço, no município de Quitexe, as grutas históricas de Ngumba e Mpambo Nsinga Nzambi, no município do Bembe, a lagoa misteriosa do Mufututu, no município do Songo, as pinturas rupestres na gruta de Cabala, no município de Negage, as longas quedas de Kumba-Kumba Dia Baka, na comuna do Cuilo Pombo, município de Sanza Pombo, e as lagoas do Negage, disse Abraão Laurindo, são exemplos de um parque turístico que aguarda investimentos e exploração.
“Os locais turísticos existem, mas são necessários investimentos para atraírem turistas”, concluiu Abraão da Silva.

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