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Sector precisa de milhares de professores

Valter Gomes | Uíge

A província do Uíge necessita de mais de quatro mil professores, para o sector da Educação funcionar em pleno, revelou quarta-feira o director provincial da Educação.

Governo Provincial aposta na melhoria das condições de trabalho nas escolas para cobrir algumas necessidades no sistema de ensino
Fotografia: Mavitidi Mulaza | Uíge

Manuel Zangala referiu que, neste momento, a província do Uíge possui 13.177 professores, número que considera ainda insatisfatório, uma vez que não cobre as necessidades dos municípios, comunas e aldeias.
Apesar desta carência, o director da Educação assegurou que o sector vai cumprir na íntegra as orientações do Governo Provincial, para alavancar o ensino. Referiu que estão a ser desenvolvidos mecanismos mais adequados, em consonância com o Ministério da Educação, para que o sistema de ensino na província tenha a qualidade desejada.
Manuel Zangala apontou a falta de consciência profissional, doenças, óbitos, reformas e outras situações como as razões que levam ao absentismo de muitos professores.
Para estes casos, a direcção da Educação recomenda a aplicação de sanções para que se faça cumprir as normas do sector e as orientações do Governo Provincial do Uíge.
“Os professores estão informados sobre o regime laboral, por isso, todo o professor deve obedecer ao estipulado na lei. Quem assumiu o compromisso com o Ministério da Educação para dar aulas e não honra com o mesmo será sancionado”, advertiu.

Mais rigor


O governador Paulo Pombolo recomendou à direcção provincial da Educação maior rigor, controlo e atenção nos municípios, para que sejam banido o absentismo de professores. Paulo Pombolo falava num encontro com os responsáveis do sector, que avaliou o funcionamento do ensino, o cumprimento das metas traçadas, as dificuldades e as perspectivas para 2016. O governador disse que a reunião aconteceu porque, nos últimos dias, registaram-se várias reclamações de ausências constantes de professores nos seus locais de trabalho sem justificação. Além disso, disse que houve um fraco aproveitamento escolar de alguns alunos durante o trimestre passado, vandalização de algumas escolas e outras situações menos abonatórias.
O responsável apelou aos directores municipais e de escolas para ajudarem o governo, actuando com maior responsabilidade na aplicação de medidas disciplinares contra os professores faltosos e a manterem a atenção, o rigor e controlo dos alunos.
“Devemos ter sempre em consideração que se nós prepararmos mal as crianças estaremos a mutilar o futuro da província e do país", salientou, acrescentando que os responsáveis do sector devem continuar a desenvolver acções que garantam o aumento da qualidade do ensino.
Paulo Pombolo defendeu a reapreciação periódica dos professores, referindo que a avaliação deve ser feita de forma correcta porque "a qualidade do ensino não se compra, mas constrói-se através da postura do professor e dos conhecimentos sólidos que transmitem aos seus alunos”.

“Mata aulas”

O governador exortou as direcções das escolas e os encarregados de educação a manterem-se vigilantes para combater a prática designada como “mata aulas”.
Sobre o assunto, Paulo Pombolo recomendou a criação de mecanismos mais adequados para que os encarregados de educação obtenham regularmente informações sobre o desempenho dos seus filhos, através da realiazção de reuniões periódicas com as direcções das instituições escolares. Apelou ainda aos directores municipais do sector para promoverem o diálogo entre as autoridades administrativas e tradicionais, direcções das escolas e encarregados de educação, para o bom funcionamento dos estabelecimentos de ensino.
A necessidade do reforço da merenda escolar, a descentralização das verbas atribuídas às administrações municipais para o sector, bem como a construção de escolas do I e II ciclos em algumas localidades são questões a ter em conta.
Em 2009, o governo estabeleceu quatro medidas principais para melhorar educação, tendo indicado uma nova direcção para assegurar o funcionamento do sector e a entrega de meios necessários aos responsáveis. Além disso, o governo quer ver melhorada a ligação entre a estrutura provincial e os municípios e comunas. Para o efeito, criou um serviço de inspecção, apostado no acompanhamento do sector.

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