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Só as chuvas perturbam o bom andamento das obras

José Bule | Uíge

As obras da estrada que liga o Negage ao rio Cochila decorrem a bom ritmo, afirmou na quarta-feira o secretário de Estado da Construção, Joanes André, no final de uma visita de 24 horas que efectuou ao Uíge.

Secretário de Estado da Construção foi ao Uíge inteirar-se do andamento das obras em curso na província do bago vermelho
Fotografia: José Bule

As obras da estrada que liga o Negage ao rio Cochila decorrem a bom ritmo, afirmou na quarta-feira o secretário de Estado da Construção, Joanes André, no final de uma visita de 24 horas que efectuou ao Uíge. Só as chuvas, que caem intensamente na região, atrapalham os esforços dos trabalhadores angolanos e chineses que nelas trabalham.
O trânsito está lento na estrada que liga o município do Negage, na província do Uíge, ao rio Cochila, no Kwanza-Norte, passando por Camabatela, município de Ambaca, por causa dos camiões basculantes e cisternas, além das máquinas pesadas e gigantescas que são manuseadas de um lado para outro por angolanos e chineses, que trabalham com afinco nas obras de reabilitação dos cerca de 105 quilómetros da estrada em causa.
A mesma movimentação é observada nos cerca de 84 quilómetros que ligam o Negage à comuna de Alfândega, no município de Sanza Pombo.A empresa chinesa de construção civil, CRBC, contratada para o efeito, tem a responsabilidade de realizar, nas duas empreitadas, acções de terraplanagem, drenagem, alargamento da estrada e implantação de camadas de rejuvenescimento, sinalização e obras complementares.
As obras nestas vias estão em curso e decorrem a bom ritmo, afirmou na quarta-feira, no Uíge, o secretário de Estado da Construção, no final de uma visita de 24 horas à província. Joanes André afirmou que o Executivo está empenhado na construção e reabilitação destas vias, consideradas muito importantes para o desenvolvimento da região.
“A nossa visita foi proveitosa, porque permitiu que os trabalhos efectuados ajudem a equacionar os problemas da província. Além dos trabalhos realizados em Luanda, também planificamos trabalhar localmente, com o objectivo de procedermos ao reinício da reparação e construção de algumas estradas da província, cujas obras estiveram paralisadas durante algum tempo devido à crise financeira e económica que abalou o país e o mundo”, referiu.
“Realizámos visitas técnicas às obras referenciadas, tendo em conta que o programa do Executivo está alinhavado até 2012, altura em que deveremos encerrar as estratégias traçadas para a reabilitação destas vias. Também visitámos as obras de construção do novo palácio do governo, onde as obras também decorrem a bom ritmo e estão já em fase de conclusão”, afirmou.
Joanes André referiu que a empresa construtora possui um stock de materiais suficientes, uma das condições essenciais para a conclusão da infra-estrutura, dentro dos prazos acordados.
 
Chuvas interrompem trabalhos
 
O secretário de Estado reconheceu, por outro lado, que apesar da empresa contratada ter os meios técnicos e humanos disponíveis para a realização bem sucedida dos trabalhos, as fortes chuvas que caem fortemente sobre a região constitui o grande empecilho no cumprimento rigoroso dos prazos definidos pela partes envolvidas no processo.
“Visitámos as obras nas estradas e verificámos que as máquinas se encontram no local, mas as principais dificuldades são as chuvas que caem com muita intensidade neste período. Na província, chove praticamente durante nove meses e as empresas ficam com dificuldade em trabalhar”, especificou.
O governante acrescentou que, “apesar dos nossos contratos não admitirem estes argumentos, programámos com os responsáveis das empresas que, no período seco, o volume de trabalhos seja redobrado, isto é, trabalhando em dois turnos, para totalizar 24 horas por dia, através de um sistema de rotação dos grupos de trabalho”.
“Quando chove muito, isso complica os trabalhos de engenharia. Não se consegue retirar solos de empréstimo porque ficam molhados e isso dificulta o avanço da empreitada. Mas, de qualquer das formas, estamos confiantes que os prazos vão ser cumpridos”, garantiu.
O secretário de Estado da Construção reconheceu que, em alguns casos, há uma certa morosidade na execução dos trabalhos. No entanto, tudo isso tem a ver com o facto de no primeiro ano de execução física, os trabalhos dependeram das actividades relacionadas com a desminagem, para certificar que o território oferecia condições de segurança, acrescentou.
 
Acesso ao interior

No final da visita ao Uíge, Joanes André disse à imprensa que o Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA) vai reprogramar os projectos que visam reabilitar as estradas de todos os municípios da província, além da construção e recuperação de pontes.
“Não podemos garantir que seja possível ter as vias da província do Uíge totalmente recicladas até 2012, porque é um território muito extenso e possui 16 municípios. Mas vamos fazer planos bianuais e redimensionar as poucas verbas que nos são alocadas, para podermos dar prioridade a algumas actividades que satisfaçam os desejos da população, de acordo com a nova Lei da Gestão dos Orçamentos”, acautelou.
 
A palavra do governador

“É uma grande melhoria para a província. Todos nós sabemos que o país também ficou afectado pela crise económica e financeira mundial e muitas destas obras permaneceram paralisadas nos últimos dois anos. Com a recuperação económica que o país está a viver, o Executivo central orientou o reinício destas obras”, disse o governador provincial do Uíge.
Paulo Pombolo referiu que o reinício das obras na via Negage-Quimbele, Negage-Maquela do Zombo, Negage-Camabatela-Lucala e Negage-Alfândega vai permitir que haja melhoria na circulação de pessoas e bens que vivem nestas localidades, além de contribuir para a melhoria das suas condições de vida, com a facilitação do processo de escoamento dos produtos cultivados na região.
“A conclusão das obras nestas vias vai permitir aos agricultores escoarem os produtos agrícolas por eles cultivados, das suas localidades para as grandes centralidades comerciais. Este ganho também contribui para que os governantes possam manter um permanente contacto com as populações, para podermos ouvir os seus problemas e encontrarmos soluções locais”, sublinhou.
Paulo Pombolo enalteceu a atenção que o chefe do Executivo angolano, José Eduardo dos Santos, tem prestado à província, com vista à resolução dos vários problemas que ainda enfrenta.
 
Palácio da justiça

O governador do Uíge disse que já existem instruções para que, nos próximos meses, comecem as obras de reabilitação do Palácio da Justiça. Paulo Pombolo adiantou que, a recuperação desta infra-estrutura “vai permitir a melhoria da prestação de serviços do sector, em benefício da população”.
O governante reconheceu que os funcionários do sector da Justiça são os que funcionam em piores condições de acomodação, na província. “Por isso, neste momento, o governo da província está a identificar espaços alternativos para transferir os diversos serviços dependentes do sector da Justiça, garantindo assim o funcionamento normal do Tribunal Provincial, Procuradoria, Notariado, Registo e Identificação”, concluiu.

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