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Trabalhos de melhoria da estrada dão esperança de uma vida melhor

António Capitão| Uíge

A caminhada começa no antigo posto de controlo de polícia, na estrada Uíge/Songo. Alguns metros à frente, a tabuleta azul colocada ao longo da via orientando-nos a desviar à direita, se quisermos avançar para o município do Mucaba. Um percurso de cerca de 66 quilómetros de estrada, entre fracções asfaltadas, esburacadas e terraplanadas.

Homens e máquinas reviram e tremelicam os solos com o objectivo de melhorarem a circulação de pessoas e bens na via
Fotografia: António Capitão| Uíge

A caminhada começa no antigo posto de controlo de polícia, na estrada Uíge/Songo. Alguns metros à frente, a tabuleta azul colocada ao longo da via orientando-nos a desviar à direita, se quisermos avançar para o município do Mucaba. Um percurso de cerca de 66 quilómetros de estrada, entre fracções asfaltadas, esburacadas e terraplanadas.
Nos primeiros 30 quilómetros de caminhada, o asfalto encoraja a pisar mais um pouco no acelerador. A viagem quebra a sua “velocidade uniforme” ao aproximar-se da “Serra do Mucaba”, onde decorrem obras para se prosseguir em asfalto.
Às primeiras horas do dia já é possível ver muitos homens, entre angolanos e chineses da empresa CRBC, manuseando máquinas e camiões para realizarem várias actividades na empreitada que decorre ao longo da estrada nacional nº 120, que liga a cidade do Uíge ao município do Mucaba. Eles reviram e tremelicam os solos com o objectivo de melhorarem a circulação de pessoas e bens na via que atinge a vizinha República Democrática do Congo, passando pelos municípios da Damba e Maquela do Zombo.
Com os trabalhos de melhoria da via, as viagens começam a ser feitas com maior comodidade, ficando para o esquecimento os enormes buracos, gigantescas nuvens de poeira ou ainda os mares de lama que não facilitavam a circulação. Mucaba é também conhecida como “a terra do pau seco”, devido à recente história, mito ou lenda, da árvore gigante derrubada na década 90 que voltou a reerguer-se, ganhando vida, com novas folhas e ramos, dez anos depois.
A administradora municipal interina do Mucaba destacou a celeridade empreendida na execução dos trabalhos. “Onde não há estradas, não há comunicação, por isso acreditamos que, com a conclusão desta obra, a letargia antes verificada no desenvolvimento do município vai tomar outro rumo e os investidores vão poder implementar aqui os seus projectos, atraídos pelo fácil acesso à região”, referiu.
João Manzambi reside na aldeia Caondo, a cerca de 18 quilómetros da vila do Mucaba e disse, à reportagem do Jornal de Angola, estar surpreendido pelo empenho do Executivo, que tudo tem feito para melhorar as condições de vida da população, nove anos após o fim do conflito armado.
“Há seis anos esta estrada era intransitável devido às enormes ravinas que ameaçavam engolir a via. Nessa altura, éramos obrigados a caminhar a pé até à cidade do Uíge”, lembrou.
 Manzambi afirma que agora é tudo mais fácil e diferente, porque já há muitos táxis a circular na via, a qualquer hora do dia. Gomes Martins, 20 anos, está a dar o seu contributo na reparação da estrada.  Com a função de ajudante, o jovem revela que, além de conseguir um posto de trabalho e dinheiro para o sustento da sua família, também está feliz com a melhoria da estrada que dá acesso ao seu município.
“É um grande ganho para o povo do Mucaba”, afirmou, mantendo viva dentro de si a esperança de que dias melhores virão.
Gomes Martins espera que o Executivo invista ainda mais na reabilitação de outras estradas que dão acesso a outros municípios e comunas, para que o desenvolvimento do país chegue a todas as regiões do país.

Educação avança

O sector da educação no município do Mucaba é aquele que mais tem crescido, com a construção de mais salas na sede e nas demais localidades municipais, onde já não existem crianças fora do sistema normal de ensino.
A administradora municipal interina, Adelina Maria de Fátima, esclareceu que o município possui 44 escolas, com um total de 133 salas, permitindo o ingresso de 11.786 alunos no sistema normal de ensino. As aulas são asseguradas por 555 professores, nas escolas do ensino primário e do segundo ciclo do ensino secundário.
Adelina de Fátima defende a necessidade de serem construídas mais escolas e o reforço de mais professores, para se prevenir o aumento de mais crianças em idade escolar nos próximos anos. “Em cada ano mais crianças atingem a idade escolar e a administração municipal vê-se na obrigação de construir mais escolas. O surgimento de mais salas requer também o aumento do número de professores”, explicou.

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