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Tribunal condena os envolvidos no crime

Vanusa Cabimba | Soyo

O Tribunal Municipal do Soyo condenou Makubama Beka Jadó a quatro meses de prisão, por falsa identidade e se apresentar como “morto vivo”.

Makubama Jadó (à esquerda) e Fernando Isabel foram condenados pelo Tribunal do Soyo
Fotografia: Vanusa Cabimba

O caso ganhou repercussão nacional quando, no passado dia 8 de Agosto, o Jornal de Angola publicou a notícia de que um jovem que tinha morrido com o nome de Samuel João Inês, “ressuscitou” e voltou a casa dois anos depois.  Makubama Beka Jadó confessou em Tribunal a sua própria identidade, sublinhando que  ele não tinha qualquer relação com o falecido Samuel João Inês. “Em circunstância alguma tinha morrido e ressuscitado. 
Apenas fui induzido em erro pelo padrasto do falecido, Fernando Alfredo Isabel,  para obtenção de lucro fácil” explicou.
Perante o juiz, o réu disse que conheceu Fernando Alfredo Isabel circunstancialmente e aproveitando-se da  aparência  que tinha com o seu falecido filho, convenceu-o a aceitar fazer-se passar pelo defunto.
“Foi o padrasto do Samuel João Inês que me envolveu neste caso dizendo que íamos abrir uma igreja, eu ia ser o profeta e ficaríamos ricos.  Bastava apenas dizer que tinha morrido e ressuscitei, já que  isto era um milagre”, disse Makubama Beka Jadó. “Para que ninguém desconfiasse de mim, contou-me toda história familiar e mostrou-me várias fotografias para que eu conhecesse os parentes”, concluiu.O burlão, de 26 anos,  é cidadão da República Democrática do Congo.  Nasceu na província de Boma, bairro Kimpensa.  Samuel João Inês faleceu aos 24 anos, no dia 31 de Julho de 2012, vítima de um acidente de viação. Foi enterrado no dia 2 de Agosto de 2012, no cemitério municipal.
O pastor Jofredo Macaya, da Igreja Evangélica de Angola, a mãe de Samuel João Inês, Maria João Inês, o irmão André João Inês e os tios Emília João Maria e Adelino João, foram detidos para serem julgados pelo seu envolvimento no crime.
Makubama Beca deve pagar uma multa de três mil kwanzas, dez mil kwanzas de taxa de justiça e dois mil kwanzas ao defensor oficioso a título de honorários. O padrasto de Samuel João Inês, Fernando Alfredo Isabel, foi condenado a um ano e dois meses de prisão pelo crime de Atribuição de Identidade Falsa, em concurso com crime de Promoção e Auxílio à Imigração Ilegal, devendo pagar uma multa de 41 mil kwanzas, taxa de justiça de dez mil Kwanzas e dois mil Kwanzas ao Defensor Oficioso a título de honorários.
No julgamento várias testemunhas foram ouvidas. Todas  diziam que conheceram Makubama Beka desde a infância, no Congo, e que ele estava no Soyo desde 2013 a trabalhar na comuna do Nsumba.
 Frequentava a igreja Dibundo Dia Congo. Em momento algum sofreu um acidente. Dada a grande afluência de público, as audiências  foram transferidas para o Cine Clube Municipal e o julgamento durou quatro dias.

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