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Troca de corpos na morgue central gera polémica na cidade do Uíge

António Capitão|Uíje

Armando Miguel Alberto, residente em Luanda, recebeu a notícia do falecimento do seu pai, Alberto dos Santos, que vivia no Uíge, e deslocou-se àquela província para assumir as exéquias fúnebres do progenitor. Mas na terça-feira, dia marcado para a realização do funeral, o cadáver não se encontrava na morgue do hospital, para grande espanto dos familiares.

Muita gente foi até à morgue e o pior não aconteceu devido a intervenção da polícia
Fotografia: Filipe Botelho

Armando Miguel Alberto, residente em Luanda, recebeu a notícia do falecimento do seu pai, Alberto dos Santos, que vivia no Uíge, e deslocou-se àquela província para assumir as exéquias fúnebres do progenitor. Mas na terça-feira, dia marcado para a realização do funeral, o cadáver não se encontrava na morgue do hospital, para grande espanto dos familiares.
“Guardámos o corpo na morgue do Hospital Central do Uíge, mas no dia do funeral verificámos que o mesmo não se encontrava em nenhum dos gavetões”, contou.
Uma tremenda confusão invadiu o átrio e os corredores da maior unidade sanitária da província. Armando Alberto e demais familiares responsabilizaram a direcção do hospital e exigiram o corpo do malogrado. Estavam revoltados e, em pouco tempo, a ocorrência tornou-se do domínio público. Muita gente acorreu ao local, mas a polícia impediu que o pior pudesse acontecer.
Duas horas depois, a Polícia de Investigação Criminal esclareceu o caso: o cadáver desaparecido foi levado de forma involuntária por outra família, que também tinha o corpo do seu ente querido na morgue do referido hospital.
Armando Miguel Alberto acompanhou a investigação policial e explicou à equipa de reportagem do Jornal de Angola que “foi possível identificar a família que confundiu o corpo do meu pai com o do seu parente.
 Mas já era tarde. Conversámos com a família e disseram-nos que já tinham enterrado o corpo, porque, segundo eles, não puderam reconhecê-lo convenientemente, devido ao seu mau estado físico. Mas nós insistimos em voltar com eles à morgue, para identificarem o corpo do seu ente querido. No local deram conta que, de facto, trocaram o corpo do meu pai pelo parente deles”, descreveu.
O director administrativo do Hospital Central do Uíge, Pedro Cogi Zua, considerou a situação constrangedora e pediu desculpas e um maior entendimento entre as famílias. Segundo afirmou, a ocorrência deveu-se à falta de atenção do corpo de maqueiros da morgue do hospital.
“É uma situação comovente e nunca vista nesta unidade hospitalar. Trata-se de falta de atenção dos nossos maqueiros, porque quando as famílias vão depositar os seus cadáveres na morgue é feito um registo onde constam a identificação do defunto, número do gavetão e até mesmo os números telefónicos dos familiares.
Mas, de qualquer das formas, não deixamos de culpar a família que levou o cadáver alheio para o local do óbito, para depois realizar o funeral, sem ter o cuidado de notar alguma diferença no parente falecido, porque sabemos que foi um dos filhos que veio levantar o corpo”, disse.
Pedro Zua esclareceu que, em função disso, foi criado um grupo específico, composto por técnicos do hospital, Polícia Nacional e familiares das vítimas, para a exumação do corpo e entrega do mesmo aos verdadeiros parentes.

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